Como lidar com pais no grupo de WhatsApp?
Desafios Contemporâneos

Como lidar com pais no grupo de WhatsApp?

10 min de leitura

As ferramentas de mensagens instantâneas são uma grande revolução na forma de comunicação. Práticas, objetivas e acessíveis, elas permitem que uma informação seja rapidamente replicada para um grande número de pessoas com uma velocidade nunca antes experimentada.

Mas, a mesma agilidade que gera benefícios e a torna popular pode trazer também más consequências em larga escala. Pela própria natureza dessa ferramenta – onde o controle e gerenciamento do fluxo de informações são limitados -, os riscos de gerar e de compartilhar conteúdos equivocados, bem como de amplificar e desfocar os assuntos, criando contextos que gerem mal-estar e nos quais prevaleçam interpretações e opiniões pessoais, são enormes.

E as escolas particulares acabam sendo campos férteis para histórias mal sucedidas no uso desse tipo de recurso. Quando não dispõem de uma ferramenta especializada para comunicação com pais e alunos, muitas instituições acabam usando os grupos no WhatsApp para compartilhar conteúdos relacionados ao cotidiano escolar. Os riscos são grandes e já tratamos no Blog Escolas Exponenciais das suas dimensões e possíveis consequências.

Porém, mesmo as escolas que não possuem grupos “oficiais” ou que elegem outro meio de comunicação como preferencial para o relacionamento com as famílias, como email e portal, por exemplo, acabam sendo alvo de discussões nos grupos criados extraoficialmente pelos pais e que, muitas vezes, englobam também funcionários da própria escola. Com grande adesão por parte das famílias, esse ambiente virtual possui, naturalmente, interesses e pontos de vista diversos que, por sua vez, podem se transformar em gatilhos fáceis para boatos, fofocas e polêmicas envolvendo a escola. E depois que uma história viraliza, conter a repercussão dela pode ser uma tarefa árdua demais.

Mas, se esses grupos não são oficiais, será que a escola têm responsabilidade com as discussões que acontecem dentro dele? Como lidar e quais caminhos para abolir de vez os grupos de pais no WhatsApp?

 

Autoridade da escola em xeque

Os desafios começam já na dificuldade de gerenciar quais assuntos serão abordados nos grupos. Por não ser um canal da instituição, a escola fica sujeita a se desgastar com toda a sorte de temas, desde os mais triviais, até aqueles de grande repercussão.

Enviar ou não os alunos à escola em períodos especiais ou a cor da roupa da festa junina, por exemplo, podem ser alvo de discussões tão acaloradas quanto casos de bullying e de brincadeiras inadequadas em sala de aula. Ao potencializar o debate e ampliar as discussões, os grupos de WhatsApp podem gerar até mesmo boicotes dos pais quanto às decisões administrativas da escola.

No Colégio Canello Marques, também de São Paulo, a polêmica se deu a respeito da festa de formatura dos alunos do ensino infantil que quase deixou de ser realizada em função dos inúmeros questionamentos quanto às decisões da instituição.

“Eles contestavam tudo no grupo. Encabeçados por uma mãe, tentavam mudar toda a estrutura já contratada. Naquele ano, quase não tivemos a formatura, pois estes pais chegaram a cogitar um boicote. Mas, depois de muita negociação, a formatura foi realizada. Entendemos que os pais queriam determinadas coisas, mas eles nem deixavam o colégio passar como fazia ou utilizar sua experiência em formaturas anteriores para não recorrer a erros já cometidos e corrigidos”, relatou Marcelo Tucci, orientador educacional do Canello Marques.

 

Voz negativa prevalece

Outra característica comum quando os assuntos são tratados nos grupos de WhatsApp é a prevalência da voz negativa, que não se silencia mesmo quando os demais discordam daquela opinião. Foi o que aconteceu em um grupo de mães de um colégio de Americana (SP), que preferiu não se identificar, onde o fato de uma criança não ter sido fotografada na entrega do presente para a professora porque estava na hora do “soninho” despertou a revolta da mãe, que resolveu se manifestar no ambiente coletivo, ao invés de buscar uma resposta diretamente com a escola.

“A coordenadora respondeu que a aluna estava dormindo e logo já tirou a foto e enviou no grupo. Aí as demais mães deram parabéns e a mãe da aluna em questão continuou reclamando”, contou outra mãe.

 

Funcionários em saia justa

E esta história contava com mais um agravante, que era a presença da própria coordenadora no grupo na condição de mãe de um dos estudantes – fato que revela mais uma dor de cabeça para a escola: a exposição de funcionários.

Quando os colaboradores do colégio participam dos grupos também na condição de pais de alunos, eles se veem em uma situação embaraçosa, já que passam a ser pressionados a se manifestarem em nome da instituição. “O que nos cabe é sempre lembrar aos professores que estão nestes grupos como pais para refletirem muito em suas respostas, porque os outros pais sempre verão este pai/mãe como um funcionário do colégio e podem interpretar sua participação como uma resposta oficial”, destacou Tucci.

E os desafios também estão presentes mesmo quando o colaborador da escola está no grupo na sua condição profissional. Além de comprometer sua privacidade (por expor seu número de telefone e dados pessoais, por exemplo) e de também dar a ele um papel de “voz oficial” do colégio, esse funcionário acaba muitas vezes tendo que responder e dialogar com os pais e alunos em seu horário de lazer – o que pode acarretar problemas trabalhistas para a instituição.

E por falar nisso, vale destacar aqui que o entendimento jurídico segue a mesma lógica que os demais pais têm daquele funcionário no grupo. Ou seja, eles são sim os representantes legais da instituição naquele ambiente e podem ser responsabilizados não somente pelas ações, mas também pelas omissões, caso não se manifestarem ao testemunharem algo que venha a ser gerador de debates.

 

Caso de polícia

Em algumas situações mais extremas, conversas no WhatsApp podem parar na polícia. No Colégio Canello Marques, por exemplo, uma aluna enviou fotos nuas ao namorado, que era colega de classe. Ele compartilhou as imagens no grupo da turma no WhatsApp e logo depois a maioria dos estudantes da escola já havia recebido as fotos. Ao saber do ocorrido, o pai da aluna chegou a registrar um Boletim de Ocorrência (BO) na polícia e a escola só não foi acionada porque não tinha nenhum funcionário presente no grupo.

Outro caso foi de um estudante que gravou um colega urinando por cima da porta do banheiro e divulgou no grupo da sala. Um dos alunos levou o caso à direção, que conseguiu impedir que a foto fosse compartilhada para grupos de outras turmas do colégio.“Como este caso ocorreu dentro das dependências da escola, o aluno que gravou foi convidado a se retirar e os pais do aluno gravado também fizeram um BO. Mas é uma situação muito desagradável”, contou Tucci.

Na reportagem “Como ter segurança jurídica no registro escolar”, publicada no Blog Escolas Exponenciais, a advogada Patrícia Peck, especialista em direito digital, alertou que a falta de gerenciamento do WhatsApp é hoje a principal causa de processos contra instituições de ensino.

Ao lembrar de um caso em que uma escola foi condenada a pagar R$ 30 mil à família de um aluno, após a mãe se sentir ofendida por um professor ter usado o termo “caspa” (tido como pejorativo) no lugar de seborreia, Patrícia detalhou uma série de medidas que podem ser adotadas como proteção quanto ao uso inadequado das ferramentas digitais. Vale conferir!

 

Por que existe tanta confusão nos grupos de pais no WhatsApp?

 

Existem alternativas para lidar com o problema?

Escolher um meio de comunicação que possibilite enviar informações individualmente aos pais é uma medida que pode dialogar com o senso de urgência da sociedade atual, mas sem expor a escola a conflitos. Neste sentido, investir em uma ferramenta voltada especialmente à comunicação com os pais, como o aplicativo da ClassApp – que não permite a troca de informações por grupos, somente por meio de mensagens diretas -, por exemplo, é um caminho que pode facilitar a comunicação e proporcionar mais segurança.

No Colégio Liceu Anglo Araras, o diretor de marketing, Cássio Mori, conta que a implantação do aplicativo combateu diretamente o maior problema de comunicação registrado na escola: o telefone sem fio.

“Em uma palavra defino que o ClassApp trouxe uma ‘revolução’ para a escola porque a maioria dos problemas que temos estão baseados em comunicação. Ao enviar os comunicados diretamente aos pais, evitamos muitos desvios de comunicação, especialmente o ‘telefone sem fio’ das mensagens trocadas nos grupos, além de reforçarmos o posicionamento da escola de forma mais efetiva”, destacou.

Ele apontou também a praticidade da ferramenta, que permite o armazenamento dos recados e evita conflitos por falta de entendimento. “Observo isso pela minha esposa, que é mãe de alunos da escola e tem tudo registrado no celular. Ela consegue acessar um recado de 20 dias atrás, basta pesquisar pelo celular, não precisa procurar o papel”.

 

Contato direto com os setores da escola

No Colégio Madre Paula Montalt, a analista de marketing, Bárbara Lanna, destaca que a escola conseguiu reduzir os registros de reclamações de pais após implantar o ClassApp como ferramenta oficial para comunicação.

“Já notamos que, após a implantação do ClassApp, o número de casos com o WhatsApp diminuiu bastante. Além disso, o ClassApp facilitou o contato direto com a coordenação e com a orientação pedagógica porque agora, antes de enviar uma dúvida no grupo do Whatsapp, o pai envia diretamente para o colégio”, disse.

Por meio da ferramenta, o colégio também conseguiu informar com clareza quais são os setores pertinentes a cada assunto, de forma a melhorar a comunicação e reduzir o tempo de resposta.

“Criamos até um comunicado para enviar para os pais com a separação dos setores e quais assuntos devem ser tratados através deles. A ideia é que o pai não tente falar sobre pagamento com a coordenação pedagógica, por exemplo, porque aí o tempo de resposta será maior e ele poderá achar que o ClassApp não é a melhor solução e voltar a usar o WhatsApp”, ressaltou a analista de marketing.

 

Envio de imagens com segurança

O uso do aplicativo para divulgação das atividades realizadas no dia a dia pelos alunos é apontada por Mori como outra característica de destaque, já que as imagens são encaminhadas diretamente aos pais, ao invés de serem divulgadas em redes sociais e ambientes públicos.

“Muitas vezes queremos enviar fotos para mostrar o que vem sendo feito e muitas famílias não autorizam a divulgação pelo Facebook e ali chega de forma segura, já que enviamos somente para o pai e não divulgamos em lugar público e perigoso”.

Bárbara compartilha da opinião e destaca que, em pesquisa recente, a escola percebeu que os pais gostam de receber as mensagens sobre o cotidiano dos filhos desta forma.

“Acabamos de realizar uma pesquisa com os pais referente à implantação do ClassApp e muitos pediram que enviássemos ainda mais informações dos acontecimentos, então com certeza neste semestre trabalharemos para enviar ainda mais informações para que eles não tenham que correr para o WhatsApp”, apontou.

 

Além dos grupos de pais no WhatsApp

Com o objetivo de apresentar meios seguros para o uso das novas tecnologias e de explorar abordagens para uma comunicação escolar eficiente, a ClassApp em parceria com a advogada e especialista em Direito Digital Patricia Peck Pinheiro realizaram um Ciclo de Palestras Educativas online. Para recebê-las basta preencher o formulário abaixo:

 

 

Comentários