gestão escolar democrática desafios e oportunidades

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6 passos para implementar uma gestão escolar democrática6 min de leitura

Os processos de descentralização da gestão escolar são considerados hoje como uma das mais importantes tendências educacionais em nível mundial. No Brasil, a chamada “Gestão Escolar Democrática” está fundamentada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e, embora tenha sido criada pensando no ensino público, vem sendo cada vez mais aplicada nos colégios privados.

Gestão escolar democrática é aquela que prioriza a participação do coletivo nas ações que envolvem a escola. Ou seja, gestores, coordenadores, professores, funcionários, familiares, alunos e instâncias colegiadas têm voz ativa na tomada de decisão dentro do âmbito escolar.

Uma das vantagens da gestão escolar democrática é transformar todos os agentes em protagonistas na hora de discutir e de definir os caminhos a serem adotados pela instituição, além de educar crianças mais reflexivas, participativas e autônomas. No entanto, a aplicabilidade deste modelo continua sendo desafiadora.

Antes de aprender como implementar uma gestão escolar democrática, é importante citar que uma escola que deseja atuar neste modelo deve estar preparada para romper paradigmas. Afinal, adotar um sistema democrático não se trata apenas de uma mudança na estrutura organizacional, mas sim, abrir um espaço de fomento ao diálogo em todas as situações.

Veja a seguir o passo-a-passo para implementar uma gestão escolar democrática na sua escola.

 

1. Abra espaço para uma roda

O primeiro passo para uma gestão escolar democrática é reunir estudantes do ensino fundamental e funcionários da escola uma vez por semana para tratar de assuntos diversos como os cuidados com o espaço comum, o uso do celular, a organização dos materiais no final do dia, a revitalização do prédio e dezenas de outros temas pertinentes ao dia a dia no colégio. 

Na escola Lumiar, unidade de São Paulo (SP), por exemplo, toda terça-feira é dia de roda. Lá estão estudantes  e funcionários que se reúnem para tratar desses temas.  Todos têm liberdade para propor os conteúdos para a “roda” e, claro, voz ativa nas decisões.

 

2. Crie uma comissão

Com os temas sugeridos por toda escola, crie grupos de estudantes voluntários e convide os pais para participar das comissões da escola. Faça com que o colegiado esteja bem estruturado e ciente de suas atribuições, para que ele consiga trabalhar temas de alta complexidade. Para criar essa comissão também é importante elaborar um estatuto que identifique os assuntos que podem ser abordados nas reuniões.

 

Gestão escolar democrática no colégio Lumiar

Ações e debates na escola Lumiar: o dia de roda (esq.) e as reuniões das comissões (dir.)

 

3. Engaje os pais

Para criar fortes comissões de gestão escolar é indispensável a participação dos responsáveis pelos alunos. No entanto, nem sempre os pais demonstram interesse, afinal, as pessoas têm mil coisas para fazer no dia a dia e têm receio de inserir mais uma responsabilidade na agenda.

Um exemplo disso é o colégio Rio Branco Campinas (SP) que apontou como principal desafio a ser vencido na gestão democrática é o engajamento. A dificuldade está, especialmente, na participação das famílias que, ao matricularem os filhos na unidade, se tornam sócios do colégio por meio da SIL (Sociedade de Instrução e Leitura) – uma associação de pais sem fins lucrativos, mantenedora da instituição desde 1863.

Para vencer esse desafio, a escola pode investir em campanhas de divulgação através dos seus canais de comunicação e incentivar os demais membros a convidarem outros pais a participarem.

 

4. Crie um cronograma

Durante a implantação da gestão escolar democrática, os gestores precisam estar cientes de que aumentará a dificuldade de se chegar às definições com agilidade. Para evitar esse tipo de entrave, a saída é elaborar um cronograma com o planejamento das ações, deixando prazos máximos pré-estabelecidos, e alertando os participantes das comissões sobre eles.

Do contrário, assuntos corriqueiros, como uma pequena reforma nas instalações da unidade, podem se estender por meses, prejudicando a resolução do problema. Portanto, para não demorar resolver uma questão, imponha uma data limite.

“Para não demoramos muito para ter uma resolução, uma data limite se faz necessária”, destacou a diretora da Lumiar.

 

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5. Invista em comunicação

Mesmo quando tomadas de maneira coletiva, as decisões precisam ficar claras para toda comunidade escolar. Nessa hora, a transparência e a eficiência na comunicação contam pontos a favor da escola, pois, mesmo que tenha dificuldades na hora de envolver as famílias nos colegiados, precisam prestar contas a elas dos caminhos escolhidos.

O ideal é adotar ferramentas que consigam manter uma aproximação também com os estudantes, pais e colaboradores que não conseguem participar ativamente dos coletivos. Assim, busque utilizar aplicativos capazes de reduzir ruídos na comunicação escolar, e de realizar pesquisas com todos os pais, fazendo-os participarem de forma ativa das decisões por meio de enquetes.  

 

 

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6. Tenha a mente aberta

Para que haja êxito em uma gestão escolar democrática é preciso que o preceito da autonomia seja construído sobre um forte alicerce, evitando o risco de imposições. Assim, deve-se valorizar a participação e a articulação das diferentes opiniões, além de respeitar  às concepções de cada um.

No entanto, é importante saber que nem toda decisão deve ser levado ao colegiado. Os assuntos propostos devem ser aqueles que afetam todo o núcleo de funcionamento da escola e que, portanto, necessitam de análise por diferentes olhares. Projetos grandiosos e que promovam a busca de novas perspectivas também devem ser abertos para o debate. Se algum assunto levantado não for da competência do conselho, o diretor executivo ou coordenador pedagógico devem alertar os membros sobre os limites do estatuto.

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E a sua escola, também é adepta do modelo de gestão escolar democrática? Escreva no contando um pouco mais das suas experiências com a prática de descentralização das decisões.

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