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Ideias para escola: 5 dicas para aplicar.13 min de leitura

Pensando em ‘garantir’ um futuro promissor para a nova geração, é natural que tanto pais, como escolas, tenham interesse em preparar as crianças e jovens para o ingresso no Ensino Superior. No entanto, a cada ano fica mais evidente que uma formação somente focada nos quesitos técnicos não abrange todas as habilidades necessárias para viver no mundo contemporâneo. Neste contexto, grande parte das preocupações das escolas mais atentas às mudanças sociais e culturais de hoje estão voltadas para a necessidade de ajudar os pais a formarem verdadeiros cidadãos, cientes de seus direitos, deveres e responsabilidades sociais.

Para isso, além de trazer à discussão temas atuais, faz-se necessário encontrar técnicas e metodologias diferentes para atuar no desenvolvimento cognitivo e no aprimoramento das habilidades intelectuais dos alunos- sempre com objetivo de ampliar sua formação e seu senso de comprometimento com a comunidade em que vive e com o mundo a seu redor. Visando ajudar os educadores nesta missão, selecionamos algumas tendências em assuntos e metodologias a serem trabalhadas no âmbito escolar e que representam formas inovadoras de educar para transformar. Vale a pena conferir!

 

1. Fomentar competências do Século XXI

A tecnologia chegou às escolas e trouxe com ela mudanças consideráveis e velozes nos relacionamentos e na forma de produzir e de apresentar os conteúdos, exigindo de toda a comunidade escolar o desenvolvimento de novas habilidades e competências. Hoje, cabe aos educadores preparar o aluno para ser atuante em um mundo em transformação e ajudá-lo a desenvolver as tão faladas competências específicas para o Século XXI. No entanto, que competências seriam essas? Para ajudar a responder essa questão, a “National Research Council” – organização norte-americana de pesquisa que ajuda governos a formatarem políticas públicas – reuniu especialistas no assunto com o objetivo de identificar tais habilidades.

Pelo período de um ano, educadores, psicólogos e economistas buscaram respostas sobre as expectativas dos alunos relacionadas aonde querem chegar ao final dos seus ciclos escolares e sobre o que vislumbram para seu futuro profissional e pessoal. O resultado foi compilado no livro digital “Educação para a Vida e para o Trabalho: Desenvolvendo Transferência de Conhecimento e Habilidades do Século 21”. Uma das importantes conclusões do estudo mostrou que o aprendizado que se busca hoje deve estar relacionado à capacidade de aplicar o que se aprendeu em situações novas, a chamada “transferência de conhecimento”.

Na prática, isso significa dizer que tudo o que for aprendido em sala deve poder ser aplicado na vida do aluno, para além dos muros da escola. Essa habilidade de transferir o que se sabe ajuda os estudantes a desenvolverem essas tais competências para o século 21. Aplicar conhecimento à vida real deve ser feito tanto nos domínios da cognição propriamente dita (relacionado à aprendizagem mais tradicional), mas também nos âmbitos das competências intrapessoal (relação consigo mesmo) e interpessoal (relação de si mesmo com as outras pessoas) – ressaltando que esses domínios se interrelacionam em boa parte do tempo (veja quadro abaixo).

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Crédito: Educação para a vida e para o trabalho

Sendo assim, o estudo aponta que os planos de aula alinhados com as tendências do presente devem ser pautados pela interatividade e abrirem espaço para perguntas e reflexões que possibilitem a expansão da imaginação e do compartilhamento de aspectos socioemocionais. Portanto, para se alinhar a essas novas competências, não hesite em encorajar posturas questionadoras (estimulando que os estudantes se expressem), em ensinar por exemplos e histórias, em incentivar que os alunos participem de desafios e resolvam problemas, sempre dando retorno quanto aos progressos no processo de aprendizagem.

De forma geral, a ideia é mantê-los motivados, apresentando temas que se relacionem àquilo que lhes despertem a atenção e que tenham relação prática com sua vida, para que os aprendizados não fiquem apenas no campo abstrato.

 

2. Igualdade de Gênero na Infância

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Embora estejamos em 2017, ainda são comuns discursos que determinam regras e posturas antagônicas para meninos e meninas. Quem nunca ouviu frases como: “homem não chora”, “meninas devem brincar de casinha”, “boneca é para menina e carrinhos são para meninos”? Frases bobas, ditas rotineiramente às crianças sem a devida reflexão, mas que podem ter desdobramentos no comportamento de homens e mulheres ao longo de toda a vida.

Ditar o que podemos ou não podemos fazer de acordo com nosso gênero é também chamado de doutrinação- uma forma de preconceito que discrimina um sexo ou define a superioridade de um gênero sobre o outro. Exemplos simples são quando as mulheres recebem salários menores que os homens, mesmo tendo qualificação semelhante ou maior, ou ainda quando ficam proibidas de votar ou de estudar, como ainda acontece em alguns países.

Refletir sobre essas assimetrias desde cedo dentro das escolas permite combater as relações autoritárias e questionar os padrões de conduta pré-estabelecidos de discriminação. Para isso, a escola precisa estar atenta e preparada tanto para evitar a reprodução dessas injustiças, como também para fazer de seus alunos agentes de transformação da igualdade de gêneros. Para trabalhar esse tema no ambiente escolar a dica é esquecer os textos longos, cheios de termos acadêmicos, e as discussões complexas sobre o que é gênero e o que é sexualidade e abordar a questão de forma simples.

Um passo importante é estimular que os meninos e as meninas se divirtam juntos, sem que haja distinção entre eles ou sem impor que brinquem com brinquedos diferentes e atividades separadas pelo gênero. E também, que a escola ofereça a adolescentes transgênero um ambiente seguro onde eles saibam que serão respeitados. Outra forma interessante para debater o tema em sala de aula é usar notícias, reportagens, recortes de anúncios publicitários, trechos de comerciais, filmes ou programas de TV que discuta a igualdade de gênero e a violência contra a mulher, adaptando o conteúdo para a faixa etária dos alunos.

Outro caminho é procurar inspiração no trabalho das entidades sem fins lucrativos que desenvolvem ações de combate ao preconceito de gênero. A organização “Plan International”, por exemplo, que atua com projetos que buscam tornar crianças e adolescentes protagonistas de sua própria história, vem promovendo uma campanha intitulada “Desafio da Igualdade”, que disponibiliza vídeos e materiais educativos que podem ser usados em aula para debater o tema. Veja, por exemplo, que animação bacana eles usaram para divulgar a Campanha nas redes sociais:

Campanha Desafio da Igualdade

 

3. Sala de Aula Invertida

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Alunos desmotivados e dispersos durante as aulas: você, educador, reconhece esse cenário, não é mesmo? Apesar da diversidade de métodos pedagógicos existentes hoje, ainda são constantes as ocasiões em que os professores precisam se desdobrar para ganhar a atenção dos estudantes. Agora, imagine um método que coloca o aluno como protagonista no processo, promovendo uma aprendizagem ativa, investigativa e colaborativa. Não seria uma alternativa interessante para atrair a atenção dos seus alunos? Pois essa é a proposta do Flipped Classroom ou Sala de Aula Invertida.

Na prática, funciona assim: o professor disponibiliza o conteúdo a ser abordado previamente, propondo que o aluno estude sobre esse tema antes da aula. O objetivo é que o estudante venha mais preparado, com questionamentos e inquietações que serão o ponto de partida para as discussões em sala, permitindo assim que o tema seja explorado de maneira mais ampla. A metodologia inovadora busca prover aulas menos expositivas e mais interativas, capazes de engajar e valorizar o aprendizado no ritmo de cada aluno e otimizar o tempo e o conhecimento do professor.

A eficiência da “Sala de Aula Invertida” já foi testada e aprovada pelas Universidades de Harvard, nos Estados Unidos, e da British Columbia, no Canadá. Testes da metodologia realizada em ambas, mostrou um aumento considerável na aprendizagem, além de duplicar as notas dos alunos, se comparados aos estudantes de aulas convencionais. No entanto, para implantar esse método na sua escola é preciso ter em mente que serão necessárias mudanças na prática do professor, na gestão e na dinâmica da sala de aula. Por isso, dispor de professores qualificados se torna mais importante do que nunca. Afinal, são eles os que definirão o conteúdo e as instruções, que traçarão as estratégias de interação e que, durante a aula, devem observar, dar feedbacks e avaliar os alunos constantemente.

 

4. Incluir games e brincadeiras no processo pedagógico

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Seja para crianças ou adolescentes, as brincadeiras são fundamentais para o desenvolvimento físico, motor, social e cognitivo. Por isso, adaptadas a cada idade, as atividade lúdicas, que podem incluir desenhos animados, jogos de tabuleiros, analógicos ou digitais (games), tendem a favorecer princípios de cooperação, liderança e competição e a promover o aprendizado em sala de aula através de métodos mais modernos e atrativos.”Brincar auxilia de modo leve e natural o aprendizado escolar”, afirma a pedagoga e vice-diretora da Faculdade Asser, Daniela de Abreu.

No contexto escolar, o uso de jogos orientados ao objetivo de resolver problemas práticos ou despertar o engajamento dos alunos, já ganhou um nome: gamificação. A ideia é o professor usar as regras e as estratégias tanto de jogos analógicos, como “Banco Imobiliário” ou “War , como dos eletrônicos como o “Minecraft”, por exemplo – que já foi até incluído na grade curricular da Irlanda -, ou até mesmo engajar os alunos a criarem seus próprios jogos, com objetivo de ensinar disciplinas como matemática, estatística, geografia, cálculo entre outras.

“O uso dos jogos na escola certamente deve ser voltado para os alunos e para a aprendizagem, como um dos recursos utilizados para o desenvolvimento de habilidades como: concentração, memória, atenção e raciocínio lógico”, orienta a pedagoga. De forma geral, dentre os propósitos de usar jogos e games para educar estão o de incentivar o protagonismo do aluno, desenvolver talentos e habilidades naturais, promover práticas colaborativas, além de permitir o intercâmbio entre várias disciplinas. Nesse contexto, cabe ao professor o papel essencial de conselheiro e orientador, administrando a construção do conhecimento por parte dos jovens.

Para isso, a sugestão é que eles adaptem a narrativa e missões dos jogos de acordo com o conteúdo a ser ensinado. Como todo método, a pedagoga diz ser importante ter clareza dos objetivos dos jogos, além de relacioná-los de forma estratégica ao projeto político-pedagógico da escola. Afinal, o intuito é deixar atividades que seriam feitas de qualquer maneira mais lúdicas e divertidas, e não apenas substituí-las por jogos. O SEBRAE preparou uma cartilha que pode ser de grande valia para um entendimento mais profundo do método e dos seus benefícios. Confira!

Clique aqui e faça o download da cartilha do SEBRAE

 

5. Alfabetização Emocional

Muitas teorias tratam sobre a relação afetividade/aprendizado e sua importância para amenizar certos desafios do processo de aprendizagem. Nomes como Piaget, Vigotsky e Wallon abriram caminhos no estudo do afeto como suporte fundamental ao processo educacional, fazendo com que grande parte das escolas de hoje entenda que um bom aluno não é aquele que obtém notas altas e domina apenas o raciocínio lógico, mas sim, aquele que consegue desenvolver inteligências múltiplas, especialmente, no campo emocional.

Afinal, se cabe a escola preparar o aluno para a vida, é preciso ensiná-lo a contornar os conflitos do cotidiano consigo mesmo e com o outro. Daí a importância da chamada “Alfabetização Emocional”- técnica que visa estimular o desenvolvimento das inteligências interpessoais (em relação aos outros), intrapessoais (em relação a si mesmo), em busca da ampliação da empatia e do autoconhecimento. Sabemos que a emoção tem poder determinante no processo de fixar conhecimentos e experiências na memória e, assim, melhorar ou piorar o interesse e a concentração em um determinado tema.

Por isso, o educador precisa trabalhar com as emoções, ampliando a percepção dos alunos a respeito dos seus sentimentos e os ensinando a gerenciar essas emoções. Pensar antes de reagir, não ter medo do medo, enfrentar desafios, ser autônomo, lidar com as contradições da vida etc, são exemplos de emoções que, com os estímulos adequados, o professor pode ajudar os estudantes a desenvolverem as inteligências inter e intrapessoais. Quando a emoção do indivíduo é trabalhada e educada, ele se torna apto a lidar com frustrações, angústias, medos e incertezas e se torna mais flexível e compreensível- características que, consequentemente, vão ajudá-lo a desenvolver sua capacidade de se relacionar consigo e com com os outros.

Dentre as técnicas que criam um elo entre educador e educando, valorizando as emoções, estão a exposição interrogada e dialogada, a humanização do conhecimento e do professor, além da arte de contar histórias. Hoje em dia, já existem autores especializados, como Celso Antunes e Augusto Cury, por exemplo, que podem ajudá-lo a ampliar o conhecimento e as formas de aplicação do tema.

 

Construa um novo olhar para a Educação

Essas são algumas das possibilidades que sua escola pode adotar para aprimorar ainda mais os processos de aprendizagem e, como consequência, dar um passo além ao utilizar métodos e desenvolver habilidades mais humanizadas. Paralelo às atividades cognitivas, busque sempre inserir atividades que promovam a cidadania, de modo a formar estudantes com visões de mundo diferenciadas, com senso de comunidade e perfil crítico atuante e disposto a contribuir para a construção de uma sociedade melhor articulada perante as diversas realidades globais. Não hesite também em apostar em novas formas e em novas tecnologias que estejam alinhadas ao mundo contemporâneo e que sejam ferramentas para a construção de um novo olhar para a educação. Pode residir nesse quesito seu grande diferencial.

 

Bônus: invista em um local interativo de aprendizado

Tal qual a sala de aula invertida, os  chamados “Espaços Makers” colocam o aluno como protagonista no processo de aprendizagem, convidando-os a “colocarem a mão na massa”. Descubra como esses locais despertam o interesse dos alunos e faz com que desenvolvam habilidades que vão contribuir para a uma formação mais completa e mais alinhada às demandas contemporâneas.

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