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Impessoalidade e professores desqualificados comprometem relacionamento pais-escola

Dar um tratamento impessoal ou faltar com a atenção com o filho desgasta tanto o relacionamento da família com a escola quanto à falta de qualificação dos professores. Isso foi o que constatou uma pesquisa inédita realizada pela ClassApp – empresa referência nacional em comunicação escolar -, envolvendo 27 mil pais de alunos do ensino médio, fundamental e básico de escolas particulares de todo país. Para 49% das famílias mais jovens, da chamada “Geração Y” (menos de 40 anos),  o “tratamento impessoal ou falta de atenção com o filho” é tão crítico quanto a “falta de qualificação dos professores e/ou equipe desatualizada”. Já para os pais com mais de 40 anos, o desgaste maior vem da “falta de qualificação dos professores e/ou equipe desatualizada” (sendo votado por 56% dos pais) seguido de “tratamento impessoal ou falta de atenção com o filho”, apontado por 48% dos pais.

Completam a lista dos cinco pontos que mais desagradam no trato com o colégio, a “pouca abertura para relacionamento com aqueles que atuam diretamente com seu filho(a)”, “a infraestrutura inadequada e poucos espaços abertos” e a “falta de organização e disciplina, com excesso de liberdade”.

 

Pesquisa

Com objetivo de saber quais são as principais expectativas e os pontos que geram mais desgaste na relação escola-família, a pesquisa foi feita durante o mês de agosto de 2017 e envolveu cerca de 60 instituições de ensino particulares de todas as regiões. O Estudo foi feito por amostragem e tem margem de confiança de 99%.

A metodologia para chegar aos dados envolveu o envio de dois questionários para os pais. Em um deles, haviam 18 ítens onde deveriam elencar os dez mais relevantes na hora de escolher uma escola para seu filho. Já no segundo questionário, dos dez tópicos propostos, as famílias escolhiam os cinco que mais desagradam na relação com os colégios.

De fatores objetivos como localização e infraestrutura insuficiente, por exemplo, até aspectos interpessoais e que dizem respeito à dimensão afetiva na relação dos pais com a escola, confira no gráfico o ranking dos itens que as famílias consideram mais estressantes no que tange o trato com as instituições de ensino.

 

 

Se observado cada segmento educacional separadamente, embora esses mesmo itens mantenham-se nos primeiros lugares, há pequenas variações na ordem preferência, conforme ilustrado pelo gráfico.

 

Dimensão afetiva

Na opinião de Rita Zicatti, diretora do Colégio RICARO, de São Paulo, os resultados da pesquisa demonstram que não adianta os colégios acolherem os estudantes com afeto e atenção se não fizerem o mesmo com as famílias. “Embora essas necessidades sejam visíveis, acaba que há um discurso na teoria e um comportamento em conflito por parte da escola na prática”, observa.

A diretora do Colégio Santa Mônica, de São Paulo, Carolina Frediani, relata, inclusive, que um descuido nesse relacionamento com os pais chegou a causar prejuízos à instituição que dirige. “Já teve casos da gente perder aluno por falha neste departamento, quando um funcionário não foi tão receptivo com os pais. No começo é até um pouco frustrante quando você começa perceber que, embora nosso foco seja educação, o que chama mais a atenção dos pais é o atendimento personalizado. Para as mães de filhos pequenos, por exemplo, a escola entra realmente para ser uma segunda família, não para substituir a mãe, mas para complementar no horário que ela não está. Por isso é tão importante a questão da comunicação e dos vínculos afetivos”, destaca.

Já sobre a questão da qualificação dos professores, também no topo do ranking dos itens que mais estressam os pais, ambos diretoras defendem que, se a escola quer ter bons profissionais, precisa estar disposta a remunerá-los com salários compatíveis com o mercado e a investir cotidianamente na capacitação deles.

 

Ineditismo

Para Vahid Sherafat, CEO da ClassApp e coordenador da pesquisa, a importância desse estudo está em identificar as verdadeiras expectativas dos pais perante as escolas que, até então, partiam de suposições e faziam apostas em aspectos que não estavam, necessariamente, alinhados com o interesse do seu público. “É a primeira vez que uma pesquisa aponta para quais áreas as instituições de ensino particulares realmente devem olhar. E o resultado disso é que, a partir  dessas informações coletadas, as escolas podem atender pais e alunos com mais assertividade e ser uma agente ativa no alinhamento de interesses de todos os sujeitos envolvidos no processo educacional”, aponta.

 

Preferências

Das famílias que responderam ao estudo, 82% delas dizem considerar que um relacionamento e cuidado pessoal com seus filhos é o item mais importante na hora de escolher a escola.

Seguindo o ranking dos diferenciais mais importantes escolhidos pelas famílias também figuram nos primeiros lugares os ítens “excelente educação de valores morais e éticos”, “relacionamento próximo e participativo com pais e alunos”, “alto investimento na equipe pedagógica”  e “excelente material de ensino”.

Saiba mais sobre o que os pais esperam da escola 

 

O que achou dos resultados da pesquisa? Eles foram surpreendentes para você? Você sabia desse olhar apurado dos pais para a dimensão afetiva na hora de escolher a escola dos seus filhos? E que, do ponto de vista das famílias, tratar os estudantes de forma impessoal é tão ruim quanto ter professores desqualificados?

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