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Frente às mudanças na educação impostas pelas medidas em combate à disseminação do Coronavírus, muitos gestores se perguntam o que cada escola está fazendo para manter seus alunos engajados no estudo mesmo estando longe das salas de aula.  De fato, manter uma rotina produtiva de ensino em tempos de isolamento social é um dos maiores desafios na lista das urgências que passaram a fazer parte da educação brasileira e mundial hoje.

Por isso, o Escolas Exponenciais conversou com algumas instituições de ensino que estão tomando medidas criativas e proativas para driblar a suspensão das aulas presenciais. E, embora seja cedo para fazer um balanço profundo, ao que tudo indica, as ações têm alcançado resultados muito positivos. 

Você vai ver conhecer nessa série dicas de diretores de colégios de diversas partes do Brasil sobre plataformas, websites e aplicativos, além de conhecer opções ferramentas que existem no mercado, muitas delas gratuitas. 

É hora de compartilharmos informação, conhecimento e histórias inspiradoras para que o ensino das nossas crianças e jovens sofram o menor impacto possível.

 

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O Caso do Colégio Visão Criativa

Como convencer seu filho a manter um ritmo de estudos em tempos de isolamento social? Não adianta ficar repetindo que não são férias. É preciso criar uma rotina, para manter o aprendizado em dia.

Essa é a recomendação do Colégio Visão Criativa, no Itaim Paulista, zona leste da cidade de São Paulo. A escola, com 190 alunos entre 2 e 14 anos, optou por gravar videoaulas, de entre 3 e 7 minutos, para manter seus alunos engajados nos estudos. As aulas são gravadas pelos professores – que estão trabalhando em esquema home office – e disponibilizadas para os alunos, todos os dias da semana, de manhã cedo. Dessa forma, a escola espera que os alunos consigam manter uma rotina em casa: acordar, estudar, fazer as tarefas e almoçar.

“Os alunos entravam às 7h30 da manhã e ficavam na escola até o meio dia. É importante que eles mantenham uma rotina, que tenham essa disciplina. A diferença é que a cada dia nós optamos por somente 2 aulas, diferentemente do que acontecia na escola. Por exemplo, na segunda-feira eles têm aulas de Português e Biologia, na terça-feira, História e Geografia e assim por diante,” diz o mantenedor e diretor do colégio, Sidnei Nukui da Silva.

 

O aplicativo do comunicação escolar como grande aliado

A escola vem fazendo todo o contato com pais, alunos e professores por meio do aplicativo de comunicação escolar Classapp, o qual já utiliza há mais de 4 anos. Sidnei conta que os professores optaram por não aparecer em vídeo, somente gravam suas vozes, para poder mostrar o tempo todo as apostilas digitais usadas nas aulas.

“A ideia surgiu conversando com o professor de Robótica e ele sugeriu um aplicativo que grava a tela do computador e é gratuito, mostrando a apostila digitalizada. A gente colocou então esse conteúdo no aplicativo de comunicação escolar, unindo a tecnologia deles com a nossa expertise de dar aula. Deu super certo,“ diz Sidnei.

Segundo o diretor, este é o segundo momento de crise importante na história da escola. Nas duas vezes eles conseguiram agilizar a comunicação com os pais via aplicativo. A primeira foi quando houve um apagão na área do colégio. Ao disparar rapidamente a notícia via app, os responsáveis pelos alunos apareceram logo em seguida para buscar as crianças.

“E a outra é agora. Eu não sabia que a gente podia dar as videoaulas via agenda eletrônica escolar e fazer isso foi muito bacana e rápido. Nós usamos o sistema Etapa para ajudar. Primeiro entramos no portal deles e pegamos a apostila digital. Depois o professor filma a apostila digital explicando o conteúdo e passa o exercício. O aluno responde na apostila física e manda para o professor, que corrige e manda de volta seus comentários, tudo via aplicativo.”

“Com essa situação, muitos dos nossos professores que não estavam acostumados à tecnologia tiveram que aprender a usar as ferramentais virtuais de uma hora para a outra e eles viram que a tecnologia veio para ajudá-los no dia a dia. Tudo o que eles produzem passa pela gente, então se um vídeo não fica bom a gente diz que é preciso gravar de novo, melhorar aquela aula… Futuramente isso vai agregar valor para eles.”

O diretor da escola diz que todos os alunos de classe C da escola têm internet em casa (pelo celular, wi-fi ou internet a cabo). Os que não possuem computadores, fazem seus exercícios via smartphone.

“A gente orienta os pais que têm a possibilidade de sentar e estudar com os filhos, claro que aqueles que têm tempo, assim eles acabam aprendendo com os filhos.“

Por meio do aplicativo, todos os dias a coordenadora consegue ver quem está fazendo as tarefas e quem não está. 

“A nossa coordenadora entra no sistema e checa as atividades dos alunos, anota e pede para a secretaria entrar em contato com os pais dos filhos que não fizeram as tarefas A escola tem que estar próximo dos pais, não basta mandar informação, enviar uma videoaula e deixar para lá. Os pais precisam ver também que a escola não deixou de trabalhar, que está acompanhando tudo diariamente.”

Com mensalidades girando entre 500 e 800 reais, o colégio já vem recebendo ligações de alguns pais pedindo redução no pagamento, muitos deles servidores do setor público. Mas o diretor da escola explica que é preciso esperar para ver como a situação geral das pessoas vai ficar. Segundo ele, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), divulgou uma nota, no último dia 26 de março, recomendando que os consumidores evitem cancelar, pedir descontos ou reembolso total ou parcial de instituições de ensino que tiveram as aulas suspensas por causa da crise do coronavírus.

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