3 min de leitura

O conceito de “Sociedade 5.0” surgiu no Japão, em 2016, com o objetivo de utilizar os avanços tecnológicos em prol do bem-estar na sociedade e do planeta. Nesse sentido, a Educação 5.0 tem o objetivo de formar jovens para encontrar soluções para os problemas sociais por meio da tecnologia.

Precisamos formar estudantes inteligentes emocionalmente para que possam fazer da transformação digital uma ferramenta de transformação social. Afinal, para que serve uma ferramenta se ela não gera impacto social?

Todas as esferas sociais já entenderam que a tecnologia deve ser uma aliada na nossa vida. Isso não poderia ser diferente com a educação, que é a nossa base de formação como ser humano. A Educação 5.0 visa a utilização de tecnologia alinhada às habilidades humanas e socioemocionais para geração de soluções que melhorem a vida em sociedade.

Qual é a diferença entre Educação 4.0 e 5.0?

A Educação 4.0 discute sobre o papel da tecnologia na educação para promover o ensino com mais velocidade e precisão, inserindo conceitos como gamificação, inteligência artificial e machine learning. O foco está no letramento digital para formar contigente para o mercado de trabalho.

A Educação 5.0 é uma complementação do que propõe a 4.0, de forma que a aprendizagem ocorra de uma forma mais humana, com desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais. Existe um foco no bem-estar social por meio da tecnologia com criatividade e inovação, assim como na formação do estudante como “aprendiz-protagonista” aliada às competências computacionais e socioemocionais.

Ecossistema Escolar imerso em uma cultura empreendedora

A Educação 5.0 envolve a estruturação de um ecossistema em que há: escolas inseridas em uma rede colaborativa que inclui comunidade, centros de pesquisa e empresas; o processo de aprendizagem focado na resolução de problemas; os jovens protagonistas de sua vida com capacidade de unir tecnologia à inteligência social e emocional; e criação de soluções com impacto direto na comunidade.

Agora, reflita um pouco.

Perceba que todas essas características são típicas de uma cultura empreendedora. O estudante é protagonista da sua própria história e está cercado de um ecossistema preparado para suportá-lo.

Professor: mentor e curador de conteúdo

Na Educação 5.0 ganha força a atuação do professor como mentor e curador de conteúdo. E essa característica brilha bastante meus olhos. Encaro a utilização da tecnologia como uma oportunidade para facilitar a vida do professor, que é frequentemente sobrecarregado e desvalorizado.

À medida que a a tecnologia consegue informar ao docente, com base em dados, as competências que precisam ser mais desenvolvidas de cada aluno, ele poderá liderar, estimular e motivar cada estudante de um forma mais assertiva.

O educador atualmente não consegue assumir esse papel, pois grande parte do seu tempo é gasto com atividades manuais. Se a tecnologia assume esse lugar, esse tempo pode ser investido na construção de relações interpessoais mais profundas. Com mais tempo para entender cada estudante, o professor poderá ajudar seus alunos na descoberta do seu propósito.

Faça uma reflexão. Em algum momento da sua vida acadêmica, você foi protagonista? Você autodirigiu seu aprendizado? Quando me lembro dos meus dias na escola, foram os incentivos e reconhecimentos que eu recebi de alguns professores que verdadeiramente me fizeram ser protagonista da minha trajetória: “Eu tenho certeza que você vai passar”; “Você vai conseguir”; “Acredite mais em você”. Essas frases me impactaram bastante e me fizeram ir atrás dos meu objetivos. Eu fui em busca do que precisa ser feito, sem medir esforços, com mais autonomia e eficiência.

Afinal, como diz a frase conhecida de William Butler Yeats: “Educação não é encher um balde, mas acender um fogo”. A educação do futuro é a educação que investe mais tempo nas relações interpessoais, e a tecnologia é a grande facilitadora desse processo! A profissão do futuro? Continua sendo o professor!

Colunista Felipe Baldi
Coluna por

Felipe Baldi

Felipe Baldi é fundador da tangram, edtech que ensina matemática, educação financeira e empreendedora utilizando jogos. Engenheiro Químico, atuou como consultor em diferentes países e trabalhou em startups. Fundador de um projeto voluntário para preparar alunos de escolas públicas para Olimpíadas de Matemática.

Comentários