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Frente às mudanças na educação impostas pelas medidas em combate à disseminação do Coronavírus, muitos gestores se perguntam o que cada escola está fazendo para manter seus alunos engajados no estudo mesmo estando longe das salas de aula.  De fato, manter uma rotina produtiva de ensino em tempos de isolamento social é um dos maiores desafios na lista das urgências que passaram a fazer parte da educação brasileira e mundial hoje.

Por isso, o Escolas Exponenciais conversou com algumas instituições de ensino que estão tomando medidas criativas e proativas para driblar a suspensão das aulas presenciais. E, embora seja cedo para fazer um balanço profundo, ao que tudo indica, as ações têm alcançado resultados muito positivos. 

Você vai ver conhecer nessa série dicas de diretores de colégios de diversas partes do Brasil sobre plataformas, websites e aplicativos, além de conhecer opções ferramentas que existem no mercado, muitas delas gratuitas. 

É hora de compartilharmos informação, conhecimento e histórias inspiradoras para que o ensino das nossas crianças e jovens sofram o menor impacto possível.

 

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O Caso da Academia Cristã de Boa Viagem

Fechadas desde o dia 18 de março, por determinação do governador do Pernambuco, as duas unidades da Academia Cristã de Boa Viagem (ACBV), no Recife, estão usando a internet para manter a rotina de seus 680 alunos da educação infantil ao ensino médio, ainda que cada um deles esteja em suas casas.

“Quando a gente soube que a escola iria fechar, 3 dias antes, ainda no dia 15, nós mandamos um kit para cada aluno, com tudo o que eles iriam precisar para realizar as atividades em casa nas semanas seguintes. Para os menores, nós mandamos massinha, cola colorida, tinta, papel, palito de picolé, tarefas fotocopiadas, cadernos e livros que estavam na escola,” diz a diretora executiva da escola Cristiane Assis Santos.

A escola vem tentando cumprir a grade de matérias do dia a dia, utilizando fortemente os recursos tecnológicos, que já eram muito usados para o Ensino Médio, mas não tanto para a educação infantil até o Fundamental 1. Todos os dias, os professores enviam aos alunos videoaulas, tarefas, músicas… Tudo pelo aplicativo de comunicação escolar Classapp, que já vinha sendo usado pela escola bem antes da crise do coronavírus.

 

“O fato de nós estarmos usando o aplicativo na escola há um ano e meio foi muito bom, pois todos os comunicados já vinham sendo feitos pelo Classapp, sem papel. Então os pais e alunos já estavam bem acostumados a receber recados todos os dias, via app. O que mudou foi o conteúdo, pois agora enviamos também as matérias. Isso fez com que a adaptação a esse novo modelo de ensino à distância fosse muito rápida.

Somente as aulas ao vivo, as chamadas lives, são feitas pelo Youtube, mas a comunicação toda parte do aplicativo (inclusive os links para acesso).

“Essa forma de comunicação deveria ser feita por todas as escolas, não é difícil. Todo mundo hoje usa tecnologia e num momento de crise como este é o que nos salva, o que nos mantém conectados.”

A diretora Cristiane, que é mãe de 3 filhos – de 3, 5 e 10 anos – e que estudam na escola, diz que ela própria está muito satisfeita com o esquema.

Os alunos pequenos fazem as tarefas no papel e os pais tiram foto e mandam para os professores via aplicativo. Os mais velhos, por sua vez, fazem diretamente online.

“O feedback dos outros pais também está sendo muito positivo. Eles têm mandado muitos vídeos e fotos dos filhos fazendo as atividades. Manter o ritmo de estudo ajuda muito as famílias neste momento de confinamento. Fora que os pais estão tendo a oportunidade de vivenciar o dia a dia de estudo dos filhos, e de entender como é a rotina deles. É preciso ver este momento como uma oportunidade, então vamos tentar fazer isso com cooperação.”

Para ajudar na parte emocional dos pais e alunos diante da crise do Covid-19, a escola também colocou à disposição de todos o capelão, psicólogos, vídeos de meditação, livros de ajuda…  tudo também via aplicativo, que ainda dá conta da comunicação entre os gestores, professores e funcionários da escola, pois quase todos estão realizando seus trabalhos no modelo home office. Somente sete funcionários continuam indo até a escola, em um esquema de revezamento: pessoal de portaria, secretaria, financeiro e limpeza. Um dos motivos para haver profissionais ainda na escola é que alguns poucos pais ainda não buscaram o material para os filhos estudarem em casa.

Cristiane diz que o acesso à internet não vem sendo um problema, pois todos os alunos têm acesso à web.

“Se isso acontecesse na época do H1N1, por exemplo, não teria dado tão certo, pois muitas pessoas ainda não tinham internet. Mesmo assim, nós disponibilizamos os computadores e tablets da escola para quem precisasse emprestado.”

 

E que lição fica disso tudo? 

“Muito do aprendizado vem depois que passamos pela crise, e nós ainda estamos passando. Mas, de antemão, nós já estamos sentindo a nossa finitude, a nossa fragilidade, a necessidade de cooperação… Fora que as pessoas deram uma parada, reduziram o ritmo de vida, o stress… É hora de avaliarmos o que realmente importa, de nos colocarmos no lugar do outro, de valorizarmos o que realmente é importante e isso inclui o trabalho do professor. Muitos pais agora têm dois alunos o dia todo em casa e estão de cabelo em pé, imagina uma escola?”

 

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