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Estamos caminhando para o segundo semestre de 2020, ainda isolamento social, e área da educação segue com muitos desafios para enfrentar. Entre eles, desenvolver um modelo pedagógico que se adeque às especificidades da educação infantil. 

Como fazer que os pequenos mantenham a atenção online? Como adaptar a rotina dos pais para o ensino dos filhos? Quais ferramentas podem facilitar a dinâmica de aprendizado? Bom, essa são algumas perguntas que pretendemos responder ao longo desse texto, além de mostrar possibilidades para o ensino infantil digital. 

O ano de 2020 coincidiu com as mudanças definitivas da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Para a educação infantil, há pontos bastante importantes, como os eixos estruturais e campos de experiência. Porém, apesar do uso das tecnologias digitais constar  nas competências gerais da BNCC, quando se chega na etapa da educação infantil, o termo “digital” não é mencionado uma única vez.

Com isso, os gestores educacionais se vêm sem referências sólidas para construir modelos de ensino remoto voltados para a educação infantil. E, de quebra, ainda precisam quebrar muitos paradigmas que assolam a questão para conseguirem avançar.

“Diante dessa situação problema (a BNCC), eu acho que a primeira coisa que a gente tem que enfrentar, muito mais do que a tecnologia em si, são os paradigmas, as crenças que a gente tem em relação à educação infantil. […] O primeiro é a crença de que a criança de 3 a 5 anos não tem atenção suficiente para uma atividade online”, alerta Lucia Alves, consultora para instituições de Educação Básica na área de inglês e diretora da acadêmica da Seven Idiomas.

Lucia reafirma que muitas crianças já têm uma vivência com o digital no seu cotidiano familiar. Muitas delas utilizam o celular dos pais para buscar no Youtube seus desenhos favoritos, e ali passam horas entretidas. Sendo assim, essas atividades podem sim serem adotadas.

 

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Vejamos agora quais são os paradigmas e como flexibilizá-los: 

 

Paradigma 1 – “A criança não tem atenção para o online”

De acordo com o Projeto Primeira Infância, vinculado ao Instituto ABCD, organização social que se dedica a melhorar a vida de brasileiros com dislexia, crianças de 3 anos tendem a se manter atentas em atividades dirigidas, que demandem atenção, por cerca de 20 minutos. Esse tempo costuma a se expandir para uma hora ou mais por volta dos 6 anos de idade. 

Trazendo isso para o digital, as plataformas de streaming conseguem reter a atenção dessas crianças por um período mais longo. Qual o segredo? Justamente o tempo! Desenhos como Peppa Pig e Mundo Bita são bem curtinhos, cada episódio tem de três a quatro minutos, e com a reprodução automática avançam para os próximos desenhos. 

O entretenimento é uma ótima base para se pensar em metodologias de ensino infantil. O ideal é sempre fazer o uso de combinações para não deixar a aula tão extensa. Lucia Alves sugere, por exemplo, fazer aulas de 40 minutos, com intervalos e mesclando momentos de apresentações e atividades. 

A criatividade também deve ser explorada:

“Do mesmo jeito que ele (o professor) leva para aula um monte de coisa concreta, se ele vai dar uma aula sobre frutas, ele leva as frutas de plástico, ou frutas de verdade, mesma coisa para a aula online. E aí que a gente faz essa composição de 50% de uma aula intervalada ao vivo, com vídeo aulas.”, comenta a diretora da Seven Idiomas.

 

Paradigma 2 – A criança não tem competência digital

As crianças têm uma grande facilidade de aprendizado, o que não sabem hoje, daqui a uma semana provavelmente elas vão entender muito melhor. Então é um equívoco achar que elas não sabem ligar o computador, abrir uma aba no navegador, clicar em um link, etc.

É importante lembrar também que muitos pais estão em rotina de home office; o apoio dessas figuras é muito importante. Cabe à escola pensar em modelos de aulas que levem em conta essa especificidade e disponibilizar canais de comunicação e tira-dúvidas.

Se o tema de uma aula é, por exemplo, vida marinha, o professor pode sugerir que os pais façam com seu filho uma pesquisa prévia sobre o tema. E, no momento da aula ao vivo, a criança pode contar sobre o que pesquisou, os animais que mais chamaram sua atenção, entre outras coisas que estimulem a participação ativa dos pequenos.

 

Paradigma 3 – É impossível trazer a experiência para o ambiente digital

Apesar dos esforços em fazer que a educação a distância traga o aprendizado necessário, a experiência escolar – dentro da escola – é única. Essa é uma experiência que proporciona o conhecimento de si, dos outros e do mundo; o que é bom pontuado na BNCC infantil. 

Ainda assim, isso não significa que as crianças não possam ter essa experiência em casa. Os professores podem trabalhar com imagens, cores e objetos concretos, e pedir que os alunos no momento do ao vivo tragam esses elementos. 

Essa experiência pode ser enriquecida com atividades lúdicas, como pintura, música e literatura. Os pais podem registrar esses momentos através de fotos e/ou vídeos e compartilhar com a própria criança para que ela veja sua narrativa de aprendizado.

Essas últimas atividades são recomendadas, principalmente, para crianças de 0 a 3 anos, visto que a Organização Mundial de Saúde (OMS) orienta que bebês não passem nem um minuto na frente de dispositivos eletrônicos.  A Agência ainda recomenda que crianças de 1 a 2 anos também não fiquem mais que uma hora expostas às telas.

 

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Paradigma 4 – A BNCC do infantil não fala em competência digital

Voltamos ao primeiro paradigma, e agora fica bem claro que a BNCC da educação infantil precisa ser revista. As crianças de 3 a 5 anos, de certo modo, têm convivência com o ambiente digital. Assim, as possibilidades desse universo podem integrar os modelos de aprendizagem, como já é sugerido nas fases do fundamental e médio. 

 

Ferramentas de ensino auxiliares

A diretora acadêmica da Seven Idiomas, Lucia Alves, também relata que durante a quarentena tem experimentado algumas ferramentas online com seus alunos. Entre elas, o Jamboard, produzido pelo Google, e o ClassDojo

O Jamboard é uma tela inteligente que permite fazer anotações e desenhos, além de adicionar imagens e utilizar apresentações. Já o ClassDojo possibilita compartilhamentos de conteúdos (vídeos e fotos), semelhante aos stories do Instagram. As duas ferramentas permitem tornar as aulas mais dinâmicas.

Uma outra ferramenta muito comentada foi o ClassApp, que além do compartilhamento de vídeos e fotos, permite que a escola centralize toda a comunicação em um só lugar e tem sido de grande ajuda para as escolas no relacionamento com pais e alunos durante o período de aulas remotas. Para conhecer mais sobre o ClassApp é só clicar aqui.

Com mais de 30 anos de experiência no ensino de línguas e autora de metodologias inovadoras, a Seven Idiomas também desenvolveu ações para auxiliar aos professores e gestores escolares durante a quarentena, como webinários e aulas grátis de idiomas. 

 

Assista à palestra completa sobre o assunto:
Desafios e caminhos práticos para lidar com a educação infantil pelo digital

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