Como adotar uma política de desconto na mensalidade escolar?
Desafios Contemporâneos

Como adotar uma política de desconto na mensalidade escolar?

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Apesar de as instituições de ensino particulares terem autonomia para negociar com as próprias famílias o desconto na mensalidade escolar, nem sempre é uma tarefa fácil estipular as políticas que serão adotadas pelos colégios. Em muitos casos, é a partir da própria vivência de gestão que surge um modelo ideal para atender a realidade de uma determinada escola.

Como determinar o desconto na mensalidade escolar?

E foi exatamente assim que aconteceu com a Lou Cocozza, mantenedora do Colégio da Villa e da Villa Bambini; e consultora do Villa Formare,  instituições de ensino localizadas em Jaguariúna (SP). Após oito anos trabalhando na direção escolar, a profissional conseguiu estipular os valores que considera justo partindo do princípio que os descontos devem ser analisados individualmente, de acordo com a situação vivenciada por cada família.

Entre os tipos de descontos oferecidos pelas suas instituições, Lou pontuou que estão estabelecidas regras para diversas situações, como alunos que têm um ou mais irmãos, estudantes que são atletas federados, filhos de colaborador, matriculados em meio período, além de casos específicos que envolvem a perda de emprego do responsável financeiro e crianças de baixa renda. Provas de bolsa são aplicadas para alunos a partir do 4º ano e podem chegar a até 30% de desconto.

Em São Paulo, o Instituto Renovo/Centro Renovo de Educação adota um sistema de descontos atrelado ao faturamento. “10% do faturamento total é destinado a descontos e forma um valor em reais em uma espécie de conta corrente. Os descontos são distribuídos em percentuais desde que não ultrapassem o valor definido”, exemplifica Mario Barbosa, administrador da instituição.

 

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Segundo Barbosa, para conseguir colocar tudo isso em prática, é criada uma planilha com especificações. “De um lado temos todas as despesas, de outro as receitas e a compilação delas. Esse formato nos dão não só os valores absolutos disponíveis para descontos mas também outras informações úteis, como custo/sala, custo/aluno, projeção de faturamento, metas de alunos para viabilizar determinada sala e por aí vai”, conta Barbosa. 

O que deve ser levado em consideração na hora de estipular os descontos? 

Para Mario Barbosa, administrador Instituto Renovo/Centro Renovo de Educação, primeiramente é preciso compreender que a questão dos descontos nas mensalidades escolares é cultural.

“As pessoas se acostumaram a pedir e a receber descontos. Percebemos mudando isso em nossas escolas, determinando que o desconto máximo (dentro do saldo determinado na planilha) por aluno de 20% do valor da matrícula e, mesmo assim, seguindo a vários critérios como: avaliação de real necessidade, histórico de pagamentos (alunos já estabelecidos na escola), procura por determinada sala, etc”, ressalta.

Situações diferentes exigem olhar diferenciado

A gestora Lou Cocozza acredita na escola de equidade e, sendo assim, propõe que os descontos devam ser analisados individualmente, de acordo com a situação vivenciada por cada família. Por isso, Lou mantém algumas políticas de desconto específicas para determinadas situações.

Uma delas é para filhos e filhas de colaboradores, que têm bolsa 100% de desconto, estabelecido por convenção da categoria. Porém, ao ser interrompido o contrato de trabalho, esta obrigatoriedade não mais existe. O diferencial vem da ratificação da proposta humanista e meritocrática em relação à criança.

Quando ocorre a demissão de um funcionário, Lou autoriza que a criança permaneça por mais um ano na instituição com o desconto integral, sendo reduzido à 50% de desconto no ano letivo seguinte, cujo valor se estende até a conclusão do ensino médio se assim a família desejar.

Outro diferencial é quando o (a) responsável financeiro é demitido e o seguro não está disponível. Nessa situação, Lou conta que não libera a transferência e também oferece 100% de desconto para esse aluno por um período de um ano, proporcionando tempo para que a família consiga se estabilizar e retornar ao mercado de trabalho. “Eu também me sinto responsável pela formação dessa criança”, destaca Lou. 

Escola contrata advogado para tratar inadimplência

De acordo com a gestora escolar Lou Cocozza, o Colégio da Villa e Villa Bambini, em Jaguariúna (SP), contam com os serviços prestados por um advogado, que é responsável por gerir os casos de inadimplência.

Segundo Lou, “o cotidiano da escola e o processo de desenvolvimento que tem que ser construído coletivamente, entre família e escola, não tem espaço para discussões que não contribuem para o processo ensino/aprendizagem. Assim, um profissional para mediar estas questões, protegem a relação entre a família e escola.”, afirma.

Essa medida, segundo a profissional, possibilitou que a redução da inadimplência ano a ano e que, a inadimplência registrada no começo de 2021 fosse menor de 5%. 

“O que eu ouvi, até em lives que o próprio Escolas Exponenciais fez, uma inadimplência dessas é porque a família vê valor na escola. Valor em tudo que você oferece”, afirma. 

Nas escolas administradas por Lou, não existe política de desconto na mensalidade escolar por pagamento antecipado de boleto. “Fizemos um preço, um preço justo. Não oferecemos desconto por pagar com antecipação. Pagar as contas na data estipulada é atitude cidadã e de responsabilidade social. Se não pagar, o ônus dos juros e correção, é devido”, explica.

 

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