6 min de leitura

A empatia é um conceito precioso, principalmente dentro de um mundo cada vez mais volátil. Trata-se de um processo de imersão na perspectiva do outro, fundamental para vivermos em uma sociedade coletivamente. É colocar-se no lugar do outro, sem julgamentos, para compreender diferentes situações e visões de mundo.

O ser humano tem como essência ser social, então reconhecer o outro é essencial para o processo de comunicação. Para além disso, entender o próximo nos faz crescer como indivíduos, sendo um importante passo para a formação da identidade.

Não só no dia a dia, mas dentro da sala de aula o conceito de empatia é extremamente importante de ser aplicado. Isso porque ele facilita que o aluno entenda que o mundo é composto pela diversidade e entender a diferença o torna mais solidário.

A empatia na escola ajuda na formação do indivíduo. Trabalhando a empatia dentro da sala de aula, o professor consegue trabalhar outras competências socioemocionais, como a solidariedade, fazer com que o estudante esteja aberto ao novo, seja cooperativo. Ou seja, competências que são importantes para uma vida plena e produtiva desses alunos – e, futuramente, para quando essas crianças e adolescentes ocuparem posições no mercado de trabalho.

Confira também:

Movimento Empatia Por Quem Educa: Participe!

Trazendo a empatia para a escola

Na visão de Gilber Machado, CEO da Kuau – empresa que cria metodologias educacionais focadas em valores éticos e socioemocionais, o trabalho da empatia dentro da sala de aula é extremamente importante pois fornece a capacidade do aluno em lidar com a crise e pode prepará-lo para solucionar conflitos. 

“Através da empatia consigo melhorar meu relacionamento, consigo cultivar estratégias para reduzir conflitos e buscar cooperação. Consigo enxergar e fazer leitura dos problemas que existem para atender demandas que não necessariamente me afetem, mas que afetam os outros”.

 

Machado vê o trabalho da empatia na sala de aula como importante capacitador para que o aluno consiga ser um inovador quando ocupar uma vaga no mercado de trabalho, uma vez que se colocar no lugar do outro fará com que ele enxergue onde as empresas podem oferecer soluções que melhor atenda as necessidades do consumidor.

Como gestora do Centro Educacional Educare, em Venâncio Aires (RS), a pedagoga Stefana Weiss aponta para a importância de acolher os alunos, com empatia, como forma de amenizar situações. “Preciso ser exemplo e inspirar tanto as educadoras, as crianças e as famílias. Então quanto mais eu me torno empática no meio ambiente escolar, mais eu recebo empatia”, explicou.

Stefana explica que para incentivar os professores a utilizarem a empatia na sala de aula, é importante que o gestor também coloque isso em prática com eles. 

“Como educadores, estamos aqui para ensinar e é muito mais significativo ensinar através do nosso exemplo. Antes de cobrar que os professores planejem uma atividade sendo empático com a situação de pandemia que estamos vivendo, levando em consideração a criança que vai receber essa atividade e a família que vai ter que ajudar, eu, como gestora, também tenho que ter ações simpáticas com eles”.

Para a gestora, que também dá workshops dentro do método Escola de Sucesso, essa forma de cobrar o outro e de esperar do outro se torna mais fácil quando nós sempre nos tornamos o exemplo. “No caso dos professores: se eles desejam que as crianças se tornem empáticas, eles precisam ser empáticos com as crianças. A gente ensina através das nossas próprias ações e principalmente para as crianças porque elas aprendem muito rápido”.

Empatia em momentos de crise

Em momentos de crise como o que estamos vivendo há mais de um ano em função da pandemia, ser empático facilita entender a dor do outro.

“Temos indivíduos que não estão sofrendo ou não estão sendo afetados diretamente pela Covid-19. Mas quando o aluno entende que outras pessoas, diferentes dele, vivem diferentes circunstâncias, o aluno consegue compreender a realidade do outro. De maneira empática, isso faz com que o aluno enriqueça sua percepção do que é a vida”, segue o CEO da Kuau.

Stefana lembra também como é essencial ter empatia com as crianças, que não compreendem as questões de uma forma adulta – principalmente diante dos assuntos relacionados à pandemia. “Nós não estamos entendendo muito bem o que está acontecendo, então imagina como está sendo para as crianças?”,se questiona. 

“Nesse momento que nós estamos passando, é preciso utilizar da empatia para pensar que as crianças talvez estão se sentindo desafiadas. Tudo mudou, elas estão sentindo falta do ambiente escolar, da interação, socialização e tudo aquilo que faz ainda mais sentido para infância”, sugeriu.

Para além da crise pandêmica, Gilber Machado também ressalta a crise da adolescência. Segundo ele, trabalhar a empatia com os adolescentes é ainda mais fundamental para que eles possam solucionar o processo de crise de identidade, comum nessa idade. 

“O aluno adolescente enxerga nos outros e constrói, através dos outros, o repertório de vida. Isso acontece quando ele entende a riqueza da diversidade que existe nas outras pessoas”, explica. A crise de identidade é um processo natural da adolescência porque o aluno começa a buscar novos referenciais. Nesse momento, os amigos e o mundo externo ganham um valor muito importante que antes estava delimitado aos pais e ao ambiente familiar.

Boas práticas do uso de empatia

Dentre os serviços oferecidos pela Kuau está o desenvolvimento de uma metodologia chamada “Projeto de Vida”, que desenvolve junto com o aluno um processo de autoconhecimento baseado em três questões: quem eu sou? quem eu quero ser? qual o meu papel no mundo?

Diante disso, a empatia é um dos pilares fundamentais para isso, uma vez que ela ajuda a desenvolver a capacidade do aluno aprender a se comunicar, a definir estratégias para reduzir conflitos, aumentar a cooperação, dentre outros.

“A empatia é a capacidade de você olhar na sua comunidade e conseguir identificar demandas e necessidades que podem gerar a oportunidade de você colaborar, de uma maneira solidária, e construir projetos de bem coletivo.”

 

Gilber Machado entende que a escola deve desenvolver isso de uma maneira organizada com um programa que atende a necessidade de cada série e considerando o nível de maturidade das classes. “O aluno não precisa teorizar sobre o que é a empatia. Ele precisa exercitar e ter uma prática intencional e estruturada para exercer essa empatia”, explicou. 

Ele conta que neste momento de pandemia, colégios usaram a metodologia da Kuau e incentivaram os alunos a criarem vídeos falando sobre suas histórias e aprendizados. “São histórias que inspiram outros alunos e até mesmo a família. Tem histórias muito bacanas de escolas, em momentos tão difíceis como esse que a gente está vivendo, de criar um ambiente de entusiasmo, inspiração e engajamento com mensagens de otimismo em relação ao futuro”, exemplifica.

Confira também:

Alunos com necessidades especiais no ensino a distância: quais as melhores práticas?

Comentários