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Vivemos uma época de muitos desafios. Cada um de nós teve que se adaptar a uma nova forma de viver durante a pandemia – e muitos tiveram que dar um giro de 180 graus em suas rotinas, incluindo os profissionais da educação. Acostumados a passar o dia fora de casa trabalhando presencialmente nas escolas, os educadores tiveram que aprender, de uma hora para a outra, a fazer home-office, com a pressão de migrar o ensino presencial para o ensino a distância.

Mudanças não são fáceis e manter a motivação neste momento é essencial. Por isso, faz-se necessário cuidar do bem estar físico e psicológico do seu time. Vale dizer também que, a crise financeira provocada pela diminuição do ritmo da economia e pelo isolamento social exige, mais do que nunca, excelência dos profissionais para que os desdobramentos desta crise causem o menor impacto possível na instituição. 

 

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Convidamos Juliana Salles, diretora de pessoas e cultura da escola Avenues, em São Paulo, para contar o que o colégio tem feito para manter seus professores motivados. A Avenues é uma escola internacional referência em inovação e foi a primeira escola a implementar o ensino a distância em São Paulo.

Listamos algumas dicas que podem ajudar a manter sua equipe engajada e motivada neste período:

 

Escuta Ativa

Não é o distanciamento físico que vai diminuir a comunicação entre o staff da escola. Pelo contrário. É hora de estreitar laços entre profissionais, para garantir uma gestão de excelência.

Uma escuta ativa dos professores sempre foi uma das principais políticas da Avenues para enfrentar o esquema de quarentena da escola. Segundo Juliana Salles, uma das primeiras decisões da escola, alguns dias depois de migrar o estudo presencial para o EAD, foi fazer uma pesquisa para entender logo o que estava funcionando e o que não estava.

A preocupação dos gestores era saber o quão pesado estava sendo o trabalho em home office, se a carga horária era sustentável até o fim das aulas, previstas para o dia 12 de junho. Diante das respostas, a escola decidiu fazer uma pausa de uma semana a cada 4 semanas de aulas dadas. Com isso, foi necessário adiar o início das férias para o dia 26.6.

“Eu acho que dar essa perspectiva de respiro, de uma pausa para os professores (e também para os alunos), ajudou-os a ter energia para encarar o que eles tinham que fazer. Nós percebemos que eles se acalmaram e se sentiram cuidados pela escola… No começo eu acho que nós fomos muito ambiciosos, querendo que o professor interagisse dando feedback de cada trabalho, para cada aluno rapidamente… Isso se tornou inviável: são muitos alunos e inúmeros trabalhos diários, então os professores falaram: olha, está impossível olhar de um dia para o outro”.

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A construção de uma política clara de home office

Reorganizar toda a rotina de ensino de uma escola não é simples. O ideal para garantir o sucesso do home office dos professores é deixar bem claras as orientações de como deve ser a rotina em casa. Uma espécie de cartilha. Existem muitas dúvidas em relação à melhor maneira de fazer esse trabalho. São dúvidas técnicas sobre a gravação de vídeos, realização de lives, até que tipo de roupa vestir, que cenário usar para o “estúdio” improvisado dentro de casa, como organizar os horários…

A escola optou por flexibilizar a grade horária de trabalho do professor nos momentos em que ele não precisa estar online com os alunos, nem em reuniões pedagógicas com gestores e pais. Essa foi uma das maneiras encontradas pela escola para facilitar a nova rotina dos professores junto à suas famílias, também em quarentena. 

“Eles precisavam organizar o dia deles, para poder dar conta das atividades da casa também, como dar comida aos filhos, etc.”

 

A fadiga física

Um dos problemas apresentados pelos professores logo nas primeiras semanas foi o cansaço por ficar tanto tempo diante da tela do computador e sem se movimentar. Diante da pesquisa realizada pela escola, os gestores sentiram o mal estar físico dos professores, que passaram a apresentar dor na coluna, nos ombros, nos olhos, ganho de peso…

“Nossos professores de educação física rapidamente se mobilizaram e começaram a dar aulas online para os outros professores, aulas de alongamento, de yoga, vários dias na semana, incentivando para que eles não ficassem parados e fossem aliviando o estresse. Começamos também um trabalho de aconselhamento ergonômico que está sendo bem interessante.”

 

Apoio psicológico

A escola também oferece horários com psicólogos que estão realizando consultas online, para ajudar a manter a saúde mental dos professores e colaboradores.

“Outra iniciativa foi a criação dos grupos de afinidade, uma iniciativa dos próprios funcionários, que criaram grupos de apoio via Zoom. Pessoas que estão vivendo situações similares se apoiam mutuamente.”

 

Manter o bom humor

Para Juliana, humanizar o momento é fundamental diante de tantas dificuldades e a escola acredita que manter o bom humor faz diferença:

“O humor tem nos ajudado muito, não é todo dia que você consegue e isso tem que ser respeitado. Tem dia que você esta mais introspectivo, ou talvez haja assuntos em que não caiba o humor, mas na nossa experiência, eu diria que faz muita diferença e ajuda. A escola já tinha um tipo de comunicação informal, com coordenadores muito próximos dos professores, então a comunicação flui muito bem.”

 

Segurança em relação à manutenção dos empregos

A Avenues, como escola de alto padrão que é, pode tomar a decisão estratégica de não realizar cortes no quadro de pessoas e nem redução de salários, tanto para quadro próprio, quanto para os terceirizados.

“Isso foi algo que nos deu muita alegria de poder fazer e teve impacto muito positivo na nossa comunidade de funcionários e professores, toda a nossa equipe de limpeza, segurança, manutenção, cozinha, são contratos terceirizados e evidentemente que não estão lá todos no campus trabalhando, nesse período a operação diminuiu, mas, ainda assim, a decisão da escola foi: “a gente vai manter o contrato exatamente como ele está, ainda que grande parte dessas pessoas esteja em casa”.

 

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Pequenos gestos, grandes impactos

Outra ideia da Avenues para mostrar todo seu agradecimento ao esforço que os professores estão fazendo foi enviar uma caixa de brigadeiros para a casa de cada professor, levando um pouco de conforto físico a eles.

“Foi uma coisa tão singela e eu me surpreendi com a quantidade de mensagens de gratidão que a gente recebeu de volta… Foi como se a gente estivesse junto fisicamente naquele momento. Acho que, se possível, vale a pena tentar fazer alguma coisa desse tipo, de vez em quando, dentro da possibilidade”.

 

Reuniões semanais

Juliana conta que a reunião semanal que já existia presencialmente também migrou para o online

“Toda semana a gente se reúne em uma sala, com toda a equipe administrativa para celebrações, agradecimentos, atualizações…  Agora, uma vez por semana, a gente faz o mesmo, conectando cerca de 60 pessoas pela plataforma Zoom.  É um prazer você poder ver a carinha das pessoas ali e trocar esse calor humano.” 

 

Lives entre a comunidade escolar

Outra iniciativa que vem apresentando ótimos resultados são as lives envolvendo toda a comunidade da Avenues de São Paulo, Estados Unidos e China.

“Uma das lives foi com o Abílio Diniz, pai de um aluno da escola. Outra foi com um especialista em mindfulness… É como se fosse um clube inspiracional. A nossa professora de música e de canto, por exemplo, migrou o nosso coral presencial para o online e as pessoas vêm tendo também encontros musicais, nos quais tocam e cantam juntas virtualmente.”

 

E como funciona na sua escola?

Compartilhe com a gente o que a sua escola tem feito para motivar seus professores. É uma excelente maneira de nos ajudarmos a enfrentar essa crise com soluções criativas e eficazes de gestão educacional. 

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