Como realizar o planejamento do segundo semestre em meio a um cenário de incertezas?
Desafios Contemporâneos

Como realizar o planejamento do segundo semestre em meio a um cenário de incertezas?

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O tempo voa e o segundo semestre já está batendo à nossa porta. E aí surge a grande pergunta: como realizar o planejamento do segundo semestre em meio a tantas incertezas?

Calma, vamos dar uma ajuda!

“O ponto de partida são algumas certezas que já temos”, diz o Mestre em Estratégia Mekler Nunes, co-founder da Visar, empresa de projetos para o mercado educacional, fundada em 2015, em São Paulo. Segundo Mekler, com 15 anos de experiência no setor educacional, as primeiras certezas são: 

  1. A vacinação avança e, com isso, a presencialidade aumentará progressivamente.
  2. As famílias e os estudantes precisaram – e precisarão de acolhimento e suporte extra, tanto em questões curriculares como em assuntos socioemocionais e financeiros.
  3. A experiência remota e híbrida deixou alguns saldos positivos de aprendizagem em temas tecnológicos e de metodologias que merecerão permanecer.
  4. A gestão precisará estar bem próxima da operação, do dia a dia, da sala de aula, das reuniões com as famílias, da comunicação.

Um pouco mais sobre o que é planejamento escolar

Planejamento escolar é uma organização periódica das atividades de uma escola. Gestores educacionais precisam ter visão estratégica durante o ano todo, mas em alguns momentos a tomada de decisões é ainda mais importante, como no início do ano e na transição de semestres. Com o segundo semestre se aproximando, é hora de determinar ações necessárias para alcançar os objetivos do Projeto Político Pedagógico na reta final do ano letivo.

Começar o planejamento por um bom diagnóstico 

Fazer uma boa avaliação de como foi o primeiro semestre de 2021 é fundamental. Aprender com tudo o que foi feito, para poder fazer ainda melhor nos próximos meses, revendo metodologias, adequando estratégias, vistoriando e melhorando a infraestrutura… Na hora de fazer o diagnóstico, existem 3 perguntas simples e provocadoras: 

  • O que precisamos parar de fazer? 
  • O que precisamos começar a fazer? 
  • O que precisamos continuar fazendo?

Mekler Nunes, que também é Country Manager da AMCO, empresa que leva inovação via um sistema de aprendizagem bilíngue a mais de 1400 escolas em 14 países, entre eles o Brasil, afirma que os gestores precisam encontrar respostas para essas três perguntas interdependentes, embora o principal diagnóstico na educação seja: a aprendizagem está sendo efetiva e sendo feita de forma saudável e motivadora? Para ele, uma transição de semestre é um importante momento para se demonstrar (e convencer) o que foi feito, os resultados obtidos e o que será realizado daqui em diante.

Foco na cooperação 

Para tomar as decisões certas, é fundamental dar papel ativo aos professores na criação e na implantação do planejamento escolar. Mas não só a professores! É preciso dar espaço a todas as pessoas que fazem parte do dia a dia da escola e que têm diferentes pontos de vista, com capacidade de dar feedbacks importantes. Envolver toda a comunidade escolar nesse processo aumenta a produtividade, engaja, motiva e fideliza. 

Vale lembrar que a experiência da aprendizagem durante a pandemia foi muito distinta entre os alunos e suas famílias. Se uma parte se deu muito bem com o estilo on-line, outra teve muitas dificuldades. O mesmo acontece em relação à volta total das aulas presenciais. Existem famílias que não veem a hora de isso acontecer, enquanto muitas têm medo por diversos motivos.

“A colaboração é essencial, para entender esses diversos modelos mentais, para endereçá-los de maneira apropriada. Lembrando também que essas informações nem sempre são viáveis de serem obtidas em formulários de pesquisa ou em reuniões estruturadas, mas podem ser capturadas na informalidade cotidiana.” Mekler lembra que muitas instituições têm grande regularidade para interagir em questões administrativas, como boletos e normas, mas uma atuação pequena sobre questões qualitativas e emocionais. 

Comunicação: chave no planejamento do segundo semestre

É aí que entra a experiência! Estamos numa época em que a experiência conta muito e a comunicação é fator crítico de sucesso.

“Esse contexto do online criou uma oportunidade nova e poderosa de proporcionar experiência para novas famílias serem envolvidas na cultura da instituição. O procedimento histórico era agendar uma visita, ter um tour guiado e fazer uma reunião pedagógica… Neste momento, podemos convidar estudantes e famílias a viverem a experiência última da instituição: as aulas”, diz Mekler.

As aulas, segundo o especialista, servem agora também para fins de prospecção e de engajamento. E tudo isso a distância de um link de uma sala virtual. “Essa talvez seja uma das fronteiras mais promissoras de captação de alunos e, por efeito colateral, de retenção também, que poderá ser incluída no planejamento do 2º semestre de qualquer instituição de ensino.”

Duas dicas simples e desafiadoras para um bom planejamento para o segundo semestre

“A primeira é, sempre que possível, buscar criar espaços e reservas de caixa, para emergências ou oportunidades de investimentos preventivos e corretivos, que ainda podem surgir no 2º semestre. A segunda é semelhante: sempre que possível criar espaço e folga de agenda para todos os colaboradores, inclusive professores, para lidar com demandas extras, situações adversas ou novas demandas, eventuais burnouts e mais horas de investimento em relacionamento e aproximação individual entre colaboradores e com as famílias. Uma outra forma de dizer isso é: avaliar que despesas podem ser evitadas e que atividades podem ser eliminadas.”

O meio do ano é mesmo hora de fazer mudanças?

“Talvez este tenha sido o maior ensinamento da pandemia para as instituições de ensino:  as mudanças precisam ser feitas a todo tempo e sempre que forem necessárias”, afirma Mekler. 

“Naturalmente, as mudanças emergenciais realizadas em 2020 não precisam nos impor um padrão de correria ou de desordem, mas as oportunidades, os desafios, as tecnologias, as inovações, as novas demandas, não obedecem o calendário letivo e surgem a todo o momento.

A nova visão de gestão educacional tende a ser mais dinâmica, proativa, ininterrupta. Obviamente, mudanças que afetam ou impactam questões financeiras das famílias ou das instituições ficam mais estruturadas e viáveis nos ciclos anuais, mas nem tudo em educação tem a ver com dinheiro e fluxos de caixa e muitas mudanças de processos, projetos e pessoas podem ser conduzidas ao longo do ano, sem impor novos custos.”

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