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Você sabe a diferença entre Aprendizagem Baseada em Problemas (PBL) e Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP)? Embora os nomes sejam semelhantes, essas metodologias possuem abordagens distintas e impactam o processo de ensino-aprendizagem de maneiras diferentes.

Principais diferenças

A Aprendizagem Baseada em Problemas (PBL) tem como foco a investigação e resolução de um problema específico. Nessa abordagem, os estudantes são desafiados a analisar uma situação real ou hipotética, levantar hipóteses, pesquisar informações e propor soluções embasadas. 

Além disso, o processo é exploratório e normalmente ocorre em curtos períodos de tempo, desenvolvendo habilidades essenciais como pensamento crítico e tomada de decisões.

Já a Aprendizagem Baseada em Projetos envolve um processo mais longo e estruturado, no qual os alunos trabalham de forma colaborativa para desenvolver um produto final ou uma solução aplicável ao longo de semanas ou meses. 

A ABP estimula a integração de diferentes áreas do conhecimento e demanda planejamento, execução e apresentação dos resultados, permitindo uma imersão mais profunda no tema estudado.

O que é a Aprendizagem Baseada em Problemas?

A abordagem configura-se como uma Metodologia Ativa ao passo que busca posicionar o estudante no centro do processo de ensino-aprendizagem. Nesse sentido, a PBL incentiva a investigação e resolução de problemas baseando-se no mundo real. 

Com o dinamismo essencial para lidar com as novas demandas da transformação digital, a Aprendizagem Baseada em Problemas conecta o aprendizado teórico ao prático, facilitando – em muito – a absorção e compreensão do conteúdo aplicado. 

Nesse sentido, o professor atua como facilitador do processo de aprendizagem. A partir de questões complexas, que exigem pesquisa, análise crítica e colaboração, o papel docente concentra-se em fornecer orientação aos estudantes sem nunca entregar as respostas prontas.

Qual a origem da PBL?

O método surgiu pela primeira vez na área médica, no final da década de 1960, na Faculdade de Medicina de McMaster, Canadá. À época, os currículos médicos eram altamente teóricos, sobrecarregando os alunos com conteúdos desconectados da prática profissional.

Para equilibrar teoria e aplicação, a metodologia foi adotada como uma forma de tornar o aprendizado mais dinâmico e eficaz.

Através de um impacto positivo e eficiente, a abordagem vem se expandindo para as mais diversas áreas do conhecimento e níveis de ensino. Atualmente, escolas, universidades e programas de formação profissional adotam a PBL como uma estratégia eficiente para desenvolver habilidades como autonomia, trabalho em equipe e tomadas de decisão. 

Etapas para a PBL na prática

A aplicação da Aprendizagem Baseada em Problemas pode variar conforme a instituição e a disciplina, mas geralmente segue algumas etapas fundamentais:

1. Definição do problema 

O professor deve apresentar uma situação desafiadora, instigante e, mais importante, conectada à realidade dos alunos. Esse problema deve ser abrangente o suficiente para permitir diferentes caminhos de investigação e solução.

2. Compreensão 

Os estudantes, organizados em pequenos grupos, devem analisar o problema, compartilhar conhecimentos prévios e levantar hipóteses sobre possíveis soluções.

3. Pesquisa e investigação

Com base nas hipóteses, é importante que os alunos realizem pesquisas, consultem diferentes fontes de informação e discutam suas descobertas. Neste momento, o professor deve facilitar o processo, orientando e incentivando a análise crítica.

4. Desenvolvimento de soluções

Após reunidas as informações necessárias, os alunos devem estruturar e apresentar suas soluções, justificando suas escolhas com base nos dados e conhecimentos adquiridos.

5. Reflexão 

Por fim, o processo é concluído com uma análise dos resultados. Isso permite que os estudantes reflitam sobre o que aprenderam, quais desafios enfrentaram e de quais modos poderiam melhorar sua abordagem.

Veja um exemplo de aplicação: 


Durante uma aula de educação financeira, os alunos podem ser desafiados a resolver um problema prático: Uma família enfrenta dificuldades para equilibrar suas finanças mensais e precisa reduzir gastos sem comprometer suas necessidades essenciais. Como ajudá-los?

Seguindo as etapas da PBL, os estudantes analisam os principais fatores que influenciam o orçamento familiar, levantam hipóteses sobre gastos prioritários e supérfluos, realizam pesquisas sobre planejamento financeiro e estratégias de economia. 

Por fim, devem apresentar um plano detalhado com soluções realistas, como criação de um orçamento mensal e estratégias para aumentar a renda.

A PBL é para a minha instituição? 

A Aprendizagem Baseada em Problemas pode ser aplicada em diferentes níveis de ensino, desde a educação básica até o ensino superior e a formação profissional. No entanto, sua implementação exige planejamento pedagógico, capacitação docente e um ambiente que favoreça a colaboração e a pesquisa ativa dos alunos.

Confira os benefícios: 

  • Engajamento e motivação: A abordagem centrada no aluno torna o aprendizado mais dinâmico e envolvente, incentivando a participação ativa.
  • Competências socioemocionais: O trabalho em grupo e a necessidade de argumentação fortalecem habilidades como empatia, comunicação e cooperação.
  • Conexão com o mundo real: A metodologia aproxima os conteúdos escolares da realidade dos alunos, tornando-os mais significativos e aplicáveis no dia a dia.
  • Autonomia e protagonismo: Ao serem desafiados a buscar soluções, os estudantes aprendem a tomar decisões e gerenciar seu próprio processo de aprendizagem.

Adotar a PBL enquanto metodologia ativa significa estar comprometido com a qualidade do ensino entregue na instituição escolar, inovando e preparando os alunos para os desafios do mundo moderno. Além disso, a implementação dessa abordagem pode se tornar um diferencial competitivo, posicionando a escola como referência em inovação educacional. 

Escolas que investem em metodologias ativas como a PBL não apenas melhoram o engajamento e a aprendizagem dos alunos, mas também fortalecem sua marca no mercado educacional, atraindo e retendo famílias que buscam uma formação mais significativa. 

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