Gestão pedagógica: experiências práticas para aplicar na sua escola
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Gestão pedagógica: experiências práticas para aplicar na sua escola

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Uma boa gestão escolar vai muito além do gerenciamento de recursos financeiros e físicos. De acordo com Cecília Resende, mestre em educação e assessora pedagógica do Bernoulli Sistema de Ensino, o modelo de gestão 4.0 segue uma perspectiva de gestão compartilhada, onde o diálogo com a comunidade escolar – estudantes, famílias e demais lideranças – prevalece e a participação de todos é considerada nas decisões. 

Ainda segundo ela, tornar o conselho de classe protagonista dos produtos e processos gera um sentimento de pertencimento. Nesse sentido, a horizontalidade de diálogo é uma bandeira forte e que propicia uma boa gestão escolar dentro do contexto de pós-pandemia. 

Algumas experiências práticas, trazidas por Cecília, indicam caminhos para se instaurar uma gestão baseada por dados, que permite gerar uma visão clara do escola e auxiliar nas decisões mais estratégias: 

  • Efeito escola;
  • Clima escolar;
  • Lesson study e análise da performance docente;
  • Análise de resultados: qualitativa e quantitativa.

Logo abaixo, conceituamos cada uma dessas estratégias e indicamos fontes de informação, inclusive acadêmicas, para aprofundar o seu conhecimento como gestor 4.0. Continue a leitura!

Efeito e clima escolar

A pandemia ressignificou o processo de ensino-aprendizado e forçou a criação de novas rotinas. Assim, com professores, estudantes e famílias em suas casas, situações rotineiras, como desconexão ou lentidão da internet, passaram a impedir a fluidez das aulas e, em alguns casos, até comprometer o aprendizado do estudante. Você, como gestor, está atento a isso?

Diante desse contexto, a mensuração do efeito escola e do clima escolar se faz necessária para que o gestor possa identificar quais são as situações, dentro da família ou até mesmo dentro da escola, que estão influenciando no trabalho dos professores e no desempenho dos estudantes. 

“O efeito escola diz muito sobre as relações interpessoais, dentro da família, dentro da própria escola, e que criam condições favoráveis ou desfavoráveis, para melhorar o desempenho dos nossos estudantes”, reforça Cecília.

Onde buscar informações: a revista contextual do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (CAEd/UFJF) é uma das principais publicações brasileiras que abordam os temas. 

Lesson study e análises de performance docente

Dentro da perspectiva de colaboração profissional,  o Lesson Study (estudo de aula) é mais uma prática indicada por Cecília. De forma resumida, é o processo no qual os professores se reúnem, em pares, para refletirem e planejarem aulas juntos, sempre com foco na aprendizagem do estudante. 

Uma das vantagens do Lesson Study é permitir que os professores assistam às aulas dos seus pares e, de forma muito horizontal, indicar os pontos fortes e os pontos de melhoria do colega. Essa troca gera insights valiosos entre os profissionais e amplia a condição de aprendizagem dos estudantes. 

“É preciso que essa escola 4.0 traga a premissa do diálogo entre os docentes, quem vai promover esse diálogo entre docentes é uma gestão pedagógica que convide esse docente a estar junto do outro, que não instaure um ambiente de competitividade entre os professores, mas um ambiente de partilha, de solidariedade, de criação colaborativa e de construção dialógica”, pontua a assessora do Bernoulli. 

Onde buscar informações: Yuriko Yamamoto Baldin, doutora em matemática e professora da Universidade de São Carlos, possui pesquisas relacionadas ao tema. Uma de suas principais publicações bibliográficas se chama “Teaching Energy Efficiency: A Cross Border Public Class and Lesson Study in STEM”, realizada em parceria com outros pesquisadores.

Análise de resultados: qualitativa e quantitativa

Os dados coletados precisam ser analisados com cautela para então gerar informações relevantes e auxiliar na tomada de decisões. Segundo Cecília, essa análise deve ser feita “a partir de um olhar de até onde nós chegamos e para onde nós vamos caminhar”, considerando o desempenho e não somente a média final.

“O João, que acaba de chegar e se matricular com a sua família, e agora vai fazer parte dessa comunidade escolar, o que ele trouxe? E para onde ele vai? Assim, você tem condições de ter uma plataforma, de ter um sistema de ensino, de se organizar de tal forma que suas parcerias e assessorias pedagógicas possam consolidar essa mensuração desse efeito escola, de te dizer como seu estudante está, que habilidade ele já tem, para onde ele vai, o que ele ainda não tem”, exemplifica.

5 práticas de gestão compartilhada para adotar na sua escola

O Lesson Study é uma prática de gestão compartilhada, mas, para além disso, Cecilia traz como dica os colaboratórios, que funcionam como um espaços de dúvida, de debate e de diálogo para construção de novos produtos e novos processos. No dia a dia do Bernoulli, esses espaços se traduzem em grupos de trabalho (GTs) e criativos de formação.

“Aqui no Bernoulli, todas as decisões são tomadas em coletivos, que na verdade são construções em GT dos nossos processos, assim vamos ampliando a nossa capacidade de assessorar nossas escolas, nos fortalecendo para apoiar os nossos parceiros e construindo soluções educacionais que dialogam com os interesses de cada escola, no seu território, em todos os estados do Brasil”. 

Os GTs podem ser construídos para gerar acolhimento; em época de pandemia, se faz necessário reforçar os cuidados com a saúde física e mental da equipe. Eles ainda podem ser criados para auxiliar na implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) na escola, repensar o Projeto Político Pedagógico (PPP) e até mesmo para em estratégias que tornem a escola uma academia de formação para todos os envolvidos, desde os profissionais da zeladoria até as famílias.

Outras possibilidades de instâncias de colaboratórios são:

  • Iniciação científica e grupos de pesquisa com professores e estudantes de séries diferentes;
  • Práticas de educomunicação, como uma rádio escola para gerar comunicabilidade e engajamento;
  • Parcerias que gerem múltiplas experiências para a comunidade escolar;
  • Educação integral, especialmente com ampliação da jornada.

Escada de participação: o que é e a sua importância

Por fim, para gerar reflexão sobre a importância da escola no desenvolvimento do protagonismo, tanto dos alunos quanto dos professores, a assessora do Bernoulli traz a Escada de Participação, de  Arnstein. De forma análoga, cada degrau – do total de oito – corresponde à amplitude do poder da população em decidir sobre os projetos da sociedade.

Trazendo para o contexto escolar, a população envolvida se limita aos adultos (gestores, professores e famílias) e estudantes. Além disso, os oito degraus se subdividem em três níveis de participação dos estudantes – 1º e 2º degrau = sem participação, 3º e 4º degrau = participação mínima e 5º ou 8º degrau = participação e influência. 

Veja na prática:

  • 1º degrau – Manipulação: adultos usam os estudantes para apoiarem seu próprio projeto e “fingem” que eles são resultado de inspiração dos estudantes;
  • 2º degrau – Decoração: estudantes ajudam na implementação de iniciativas dos adultos;
  • 3º degrau – Aparecimento: estudantes tem pouca ou nenhuma influência nas atividades;
  • 4º degrau – Tarefeiros informados: estudantes realizam tarefas e são informados sobre como e porque estão envolvidos;
  • 5º degrau – Consultados e informados: adultos tomam as decisões após consultarem e informarem os estudantes;
  • 6º degra – Iniciativa do adulto: a iniciativa é do adulto, que divide decisões com os estudantes;
  • 7º degrau – Iniciativa do estudante: estudantes tem a iniciativa e realizam as atividades;
  • 8º degrau – Iniciativa compartilhada: decisões são tomadas em parceria com os adultos.

 

Assista a palestra completa:

Gestão pedagógica: Experiências práticas para aplicar na sua escola

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