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De acordo com dados do Censo Escolar 2022, as escolas privadas registraram um aumento de 10,6% no número de matrículas no fim do ano passado, como já contamos por aqui. Mas, afinal, qual a expectativa para este ano?

Antes de tudo, é importante lembrar que o aumento do número de matrículas coincide com o controle da pandemia no país e aproxima o número aos mesmos observados antes de 2019.

“Primeiramente nós temos que traçar um quadro do que acontecia no país antes da pandemia. Até 2020, nós tínhamos um crescimento constante do número de alunos na Educação Básica na rede privada, e consequentemente uma queda do número na rede pública, mesmo com a diminuição do número de nascimentos, por questões demográficas do país”, diz Bruno Eizerik, presidente da Fenep, Federação Nacional das Escolas Particulares do país e está presente em 15 estados brasileiros e no Distrito Federal, ou seja, 60% do território nacional.

Segundo Eizerik, isso se deve à qualidade do ensino, em contrapartida ao que se encontra na rede pública.

“Com o desenvolvimento da pandemia e com a consequente crise financeira, houve uma forte queda no número de alunos da rede privada, principalmente na Educação Infantil. Essa redução foi muito menor no Ensino Fundamental e no Ensino Médio. Isso porque as famílias, sempre que conseguem, priorizam a educação dos seus filhos”, explica o presidente da Fenep.

De acordo com o Censo Escolar de 2022, o que aconteceu foi o regresso dos alunos para as escolas privadas; alunos que tinham deixado a escola por causa da pandemia ou mesmo migrado para escolas públicas. 

“Agora, a expectativa é que, em 2023, nós tenhamos a rede privada de ensino em um patamar maior do que antes da pandemia. Nós vamos voltar provavelmente a ter um crescimento de alunos na rede privada”, completa.

 

Qualidade de ensino: maior motivo do crescimento das escolas privadas

Bruno Eizerik argumenta que o aumento dos números se dá muito em função da qualidade de ensino nas escolas da rede privada, superior à qualidade da rede pública, em geral. 

“Uma vez que surgiram escolas particulares a um custo mais baixo do que no passado, as famílias de baixa renda que conseguem pagar por educação vão optar por uma escola privada em vez de uma escola pública. Isso também influencia o aumento de percentual e por isso os números devem continuar crescendo.

Para ele, o que os pais buscam, acima de tudo, é qualidade de ensino, e eles conseguem ver esse diferencial nas escolas privadas.

“O elemento fundamental para uma boa campanha de matrículas é o serviço que a escola oferece durante o ano todo. Nada traz mais alunos a uma escola do que a satisfação dos seus estudantes e seus responsáveis. Uma escola pode investir em mídias digitais, em tecnologia, e isso é muito importante, mas o que traz aluno é o “boca a boca”. O fundamental é que o serviço seja de qualidade. Isso é o que faz com que uma escola ganhe alunos e continue crescendo”, pontua.

Para saber mais os principais dados das escolas privadas do Brasil, acesse o Panorama Escolas Exponenciais.

 

Sobre o Censo Escolar

O Censo Escolar é o principal instrumento de coleta de informações da Educação Básica, e a mais importante pesquisa estatística da educação brasileira. O Censo serve para compreender a situação educacional no país por meio de um conjunto de indicadores que permitem monitorar o desenvolvimento da educação. 

A coordenação dessa pesquisa é feita pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), o levantamento é realizado com a colaboração das secretarias estaduais e municipais de educação e conta também com a participação das escolas privadas do país. A primeira etapa da pesquisa é justamente sobre a matrícula inicial nas escolas. 

Os dados do Censo escolar de 2022 começaram a ser coletados em maio, justamente com a pesquisa referente à matrícula inicial nos estabelecimentos de ensino. Segundo o que foi coletado, foram registradas 47,4 milhões de matrículas nas 178,3 mil escolas de Educação Básica no Brasil, cerca de 714 mil matrículas a mais do que em 2021. Isso mostra a expansão da rede privada, que passou de 8,1 milhões de alunos em 2021 para 9 milhões em 2022, o que representa um aumento de 25,3% no último ano (29,9% no segmento creche e 20% no segmento pré-escola).

Segundo Carlos Moreno, diretor de estatísticas educacionais do Inep, em 2019, os colégios privados registraram 9,1 milhões de matrículas, chegando perto dos patamares de antes da pandemia.

 

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