9 min de leitura

O protagonismo do professor no processo de ensino-aprendizagem é indiscutível. Afinal, ele é quem faz a interface entre o conhecimento e o aluno, atuando como agente ativo na formação de cidadãos. Porém, para que ele esteja à frente da sala de aula cumprindo com excelência sua missão existem outros profissionais atuando nos bastidores.

Uma das peças mais fundamentais da “engrenagem escolar” é o coordenador pedagógico. Mas o que esperar da atuação deste profissional frente ao cenário contemporâneo? Como tornar o coordenador pedagógico um parceiro presente na gestão da sua escola?

 

Atribuições do coordenador pedagógico

Quando falamos das atribuições do coordenador pedagógico é preciso pontuar que, sobretudo, a partir da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), de 1996, seu papel deixou de ser fiscalizador para ser formador. Desta forma, ele é o grande articulador do projeto pedagógico e atua “costurando” e intermediando a relação e o trabalho do corpo docente entre as famílias dos alunos, entre os próprios estudantes, a legislação educacional e o Projeto Político Pedagógico da escola. Assim, podemos dizer que esse profissional é quem oferece o suporte necessário para que o estudante aprenda da melhor maneira possível, passando, assim, a ser corresponsável pelo sucesso da escola.

“O papel do coordenador pedagógico na escola é o de promover uma educação continuada aos professores, acompanhar as atividades curriculares, selecionar materiais didáticos e estabelecer a organização das atividades com os objetivos da escola. O coordenador acompanha, controla e avalia o desenvolvimento das atividades curriculares e também colabora com o orientador educacional mantendo o elo entre aluno, professor e pais”, resume Elaine Lopes Gregório, coordenadora pedagógica do Colégio Santa Marina, de São Paulo.

 

Veja como o orientador educacional pode trabalhar em parceria com o coordenador pedagógico

 

Na interlocução pais e professores, o coordenador pedagógico atua na discussão de aspectos relativos ao rendimento escolar dos alunos, propondo soluções para as questões ligadas à aprendizagem ou aos conflitos disciplinares. Na outra ponta, atua também dando suporte aos docentes em situações específicas que interfiram no processo de formação ou aprendizado dos alunos.

“Não gosto de falar em dificuldade de aprendizagem, porque acho que aprendemos de maneiras diferentes, mas aqueles alunos que precisam de recursos diferenciados, o coordenador pode auxiliar nas saídas para que eles possam inteirar-se dos conteúdos de forma suficiente para o ano que está sendo trabalhado”, explicou Dora Megid, coordenadora do programa de Pós-Graduação e Educação da PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica de Campinas).

 

Características de um bom coordenador pedagógico

Amplo conhecimento da sua área, aliado à capacidade de liderança, são os pré-requisitos básicos de um bom coordenador pedagógico, na visão de Dora Megid.

“Além do conhecimento de conteúdo, tem de ter um bom conhecimento pedagógico, ou seja, das experiência de como ensinar nas diferentes faixas etárias, conhecendo as especificidades das crianças nas séries iniciais, e, nos anos finais, sendo a referência de professores que lidam com adolescentes. Além disso, tem de ter boa capacidade de interlocução com a equipe de direção, sendo um elemento-chave nessa relação”, define.

Tendo em vista que é muito comum que, no início da sua atuação, o coordenador pedagógico receba uma equipe já configurada em vez de constituí-la, é preciso, especialmente, que esse profissional seja capaz de agregar e de criar condições de diálogo entre todos os atores que compõem o ambiente escolar.

Para isso, é necessário que o coordenador pedagógico não apenas acredite e conheça profundamente o projeto da escola, como saiba promovê-lo de forma a motivar seu time a empregar seus esforços e talentos no sucesso dele.

Nessa função de articulador, é essencial também que esse profissional tenha sensibilidade para perceber os pontos fortes da equipe que coordena e, assim, poder somar as potencialidades de cada um dos integrantes em torno de um projeto comum. 

E, claro, também é preciso perceber as vulnerabilidades do time para, assim, estabelecer estratégias e planos que as minimizem e que sejam superadas ao longo do tempo.

“Se for uma pessoa austera, que não seja agregadora, que não saiba ouvir sua equipe e quiser sobrepor seu pensamento aos demais, com certeza atrapalha de maneira decisiva toda a estrutura de uma escola”, alerta Dora.

 

Desafios do coordenador hoje

Um dos desafios mais contundentes no cotidiano desse profissional é uma certa confusão no escopo do seu trabalho. Confidente, psicólogo, conselheiro. É muito comum que sejam essas as expectativas de atuação do coordenador pedagógico.

Esse equívoco no entendimento da sua função acontece normalmente por dois motivos: ou não há clareza por parte da comunidade escolar (direção, corpo docente, pais e alunos) quanto às verdadeiras competências do coordenador pedagógico ou existem lacunas no quadro de profissionais da instituição – o que obriga o coordenador a realizar tarefas que não estão em suas responsabilidades.

Outro desafio muito comum dos coordenadores é trabalhar “apagando incêndios”. Ou seja, acaba “sobrando na mão” deles a resolução de problemas pontuais com bastante frequência e, assim, eles se vêem obrigados a atuarem de forma mais reativa do que preventiva.

Como consequência, fica praticamente impossível que o coordenador desenvolva e aplique ações de longo prazo que poderiam ser determinantes para solucionar a raiz dos problemas vivenciados na escola.

“O universo escolar está repleto de urgências diárias. As dificuldades socioemocionais/comportamentais têm ocupado parte do nosso tempo, dessa forma, estamos precisando de um rigoroso planejamento e rotina de trabalho para não gastarmos nosso tempo resolvendo problemas do dia a dia, sem construir um trabalho pedagógico de qualidade”, observa Rose Lourenço, coordenadora pedagógica do Anglo Bauru (SP).

Para ajudar a solucionar essa questão, uma das saídas é o gestor investir na formação de equipes que apoiem o coordenador em sala de aula na resolução de situações emergenciais. Desenvolver nos professores competências de gestão de conflitos, por exemplo, pode ser altamente benéfico para que o coordenador possa aplicar seu tempo no que realmente se espera do seu trabalho, garantindo, assim, reflexos positivos para todo o ambiente escolar.

 

Autonomia

Outro ponto onde, por vezes, o coordenador se sente desafiado é na falta de autonomia para a realizar seu trabalho. O ideal é que os diretores vejam na figura do coordenador pedagógico um ponto de apoio fundamental para a gestão da sua instituição de ensino e oferecerem a ele a liberdade necessária para agir e para transitar entre toda comunidade escolar.

Somente com autonomia de ação é que os coordenadores podem contribuir para um ambiente de aprendizagem que seja funcional e favorável a todos. E isso inclui também apoio, por parte da gestão, nas iniciativas do coordenador em introduzir novas práticas pedagógicas ou ferramentas que beneficiem o trabalho de toda equipe nos processos de aprendizagem e de avaliação dos estudantes.

 

Relacionamento com diferentes públicos

Tendo em vista que é o coordenador pedagógico quem tem a responsabilidade de articular as demandas de toda comunidade escolar, ele precisa estar apto a se comunicar com públicos diferentes – professor, gestor, alunos, famílias – tarefa que, por si só, já é também mais um dos seus grandes desafios. Afinal, uma vez que cada um desses agentes pode esperar algo diferente da escola, a ansiedade e as cobranças acabam sendo, muitas vezes, direcionadas ao coordenador.

“Em tempos de grande interferência externa no âmbito da escola, o coordenador precisa ter uma convicção do que é a educação nesse mundo contemporâneo. Os pais e a sociedade têm de ter certa interferência sobre o que acontece na escola, mas respeitando os limites cabíveis. Quem sabe de educação? São os educadores, aqueles que se formaram para isso. O coordenador tem de ter uma segurança muito grande, passar essa segurança para o corpo docente e fazer com que a direção da escola tenha confiança para a manutenção de seu projeto”, pontua Dora.

Ainda neste contexto, mostrar aos pais quais as suas responsabilidades na vida acadêmica dos filhos e chamá-los a participar desse processo também acaba, por vezes, ficando no escopo do coordenador pedagógico.

 

Entenda mais sobre a importância da participação dos pais na escola

 

“Os pais precisam participar da vida de seus filhos. Nada pode compensar a ausência da família, seja qual for a sua composição, pois o núcleo familiar é insubstituível e não acho que a escola deva compensar essa ausência. Assim, é essencial as famílias compreenderem que a escola é parceira do processo de desenvolvimento do aluno e que a participação dos responsáveis em encontros, reuniões e palestras é fundamental para que essa relação seja cada vez mais estreita e com um único objetivo: o crescimento cognitivo e emocional do aluno”, reforça Elaine.

Facilitar o acesso das famílias ao coordenador pedagógico é uma das medidas que a gestão pode tomar para construir uma relação saudável entre escola e família que beneficie diretamente os alunos.

Isso pode ser feito de forma presencial, por meio das reuniões do calendário regular da escola, por exemplo – onde pode existir um espaço para apresentação dos coordenadores e de suas responsabilidades -, ou em encontros individuais com alunos e familiares para feedbacks pontuais ou rotineiros. Ou também de forma remota, através dos meios de comunicação que a escola dispõe.

Neste cenário, é possível construir um relacionamento constante entre o coordenador e as famílias, especialmente quando a escola usa ferramentas digitais, tendo em vista a praticidade oferecida por esses meios.

“Digo sempre aos pais: contem comigo para o que precisar. Os pais precisam confiar na escola. Quando eles se sentem apoiados, eles se sentem mais à vontade de estarem aqui”, opina Patrícia Serra de Zoppi, coordenadora pedagógica do Colégio Nahim Ahmad, de Guarulhos (SP), que usa o ClassApp como meio oficial de comunicação entre a escola e as famílias.

 

Saiba como a troca da agenda por um aplicativo pode aumentar a eficiência da comunicação na sua escola

 

E na sua escola, como é o trabalho do coordenador pedagógico? Como esse profissional colabora para o crescimento e consolidação da sua instituição de ensino? Conte sua experiência para nós!

Comentários