Práticas multilingues e multiculturais: o que dá para ser aplicado na sua escola?
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Práticas multilingues e multiculturais: o que dá para ser aplicado na sua escola?

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O que esperar da educação nos próximos anos? Responder a essa pergunta já não é tão simples quanto há dois anos. Isso porque a pandemia gerou impactos econômicos, sociais e emocionais em países de todo o mundo, ao mesmo tempo em que reconfigurou o modo de ensinar e aprender nas escolas. 

O fato é que hoje vivemos em um mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo). Em meio a esse cenário de futuro incerto, mais do que nunca, fica claro a necessidade de desenvolver nos alunos habilidades para lidar com a complexidade do mundo atual. 

Formar alunos preparados para essa realidade global e com consciência intercultural também é um dos objetivos das escolas internacionais. De acordo com Susan Clemesha, especialista em educação bilíngue e diretora acadêmica da Sphere International School, a educação brasileira, como um todo, está passando por um momento desafiante e detém uma responsabilidade ainda maior em relação à formação dos alunos. 

Para mostrar que uma escola internacional vai muito além do ensino de línguas, Susan conversou com a equipe do Escolas Exponenciais e trouxe exemplos de práticas multiculturais e multilingues que podem ser incluídas no currículo para desenvolver essa consciência intercultural. 

Continue a leitura e descubra quais práticas podem ser aplicadas na sua escola!

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Como a interculturalidade é abordada na Sphere

Fundada em 2004, em São José dos Campos, São Paulo, a Sphere surgiu com um projeto pedagógico diferenciado e com um forte compromisso com a formação docente. A partir de 2018, consolidou-se como uma rede de escolas inovadoras, bilíngues e internacionais, sendo a primeira brasileira a obter a certificação do IB (International Baccalaureate).

A Sphere ainda possui duas outras certificações internacionais, nos programas PYP (Primary Years Programme) e MYP (Middle Years Programme), e caminha para a conquista do DP (Diploma Programme). Como seu projeto pedagógico também é pautado em referências nacionais, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é seguida.

Mas é uma certificação em especial, a do ISA (International Schools Association), que possibilita aos alunos desenvolverem uma consciência intercultural, onde há o estímulo do pensamento crítico, resolução de problemas e, principalmente, encorajamento para a construção de novos saberes a partir da diversidade.

“ISA parte de um princípio de que essas escolas devem ser laicas, atendendo a diversas crenças e religiões, elas devem atender a um público multicultural e que elas devem ter práticas também multiculturais, desenvolvendo assim, diferentes perspectivas e não um único modo de abordar o conhecimento”, explica Susan.

Com isso, espera-se que o aluno da Sphere tenha um perfil com as seguinte características: 

  1. Dotado de princípios; 
  2. Solidário;
  3. Pensador;
  4. Indagador;
  5. Mentalidade aberta;
  6. Conhecedor;
  7. Audaz;
  8. Reflexivo;
  9. Bom comunicador;
  10. Equilibrado.

Integração curricular na prática

Nas escolas internacionais existe uma premissa de se trabalhar com instrução em pelo menos duas línguas. Na Sphere, a integração curricular entre o português, o inglês e espanhol a partir do 6º ano contempla, paralelamente, o ensino de múltiplas áreas. 

“Quando falamos de integração curricular, as disciplinas que são ministradas em português e em inglês devem ser complementares e integradas. Nós fazemos essa integração de modo que, em língua inglesa, não exista apenas o aumento da carga horária em inglês, mas de fato, em língua adicional, existe o ensino de ciências, estudos sociais, matemática, de diversas áreas”, explica a diretora acadêmica da rede.

De acordo com Susan, a integração curricular acontece por meio de práticas multilingues e multiculturais que visam, por exemplo, engajar os alunos a interagirem uns com os outros, potencializar a construção de significado e explicitar como a língua funciona nas disciplinas.

Dentre os vários projetos realizados nas escolas da rede, a diretora acadêmica considera dois muito importantes. Um deles foi um corredor ecológico, onde os alunos fizeram o reflorestamento da mata atlântica no espaço de uma ONG e, ao mesmo tempo, tiveram a oportunidade de compreender objetivos das áreas de ciências, humanidades e linguagens.

E o segundo projeto memorável foi o de investigação das fakes news, baseado na meta 16 da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), cuja ideia central foi: ”para fazermos decisões bem informadas, dependemos de múltiplas e confiáveis fontes de informação”.

“Eles acessaram diferentes pontes, vídeos, artigos, fizeram entrevistas, entrevistaram um jornalista, a entrevista com ele foi em português. Entrevistaram um juiz que iria falar sobre as questões legais relacionadas à fake news, essa entrevista em português e eles fizeram um vídeo encenando uma fake news e depois estimulando o público a investigar antes de assumir como certa aquela notícia”, relembra.

Por fim, Susan reforça o papel da escola para educação do futuro, em meio a tantos desafios. “O que está na nossa missão e nosso propósito é o desenvolvimento de uma cultura de paz, olhar para a sustentabilidade, para a ação responsável no mundo em que vivemos […] essas crianças vem com sonhos e nesse momento desejamos dar esperança de que esse sonho é possível de uma maneira responsável, articulando pessoas e talentos”.

Assista à palestra completa:

Interações bilíngues na escola internacional

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