Views: 281

Written by:

Usar vídeos em aula pode ser eficaz no processo educativo

Dentre as inúmeras formas didáticas para transmitir conhecimento no ambiente escolar, a mais tradicional é composta por aulas expositivas, nas quais os professores apresentam o conteúdo em quadros ou em materiais impressos. Há também os artifícios utilizados com o intuito de tornar as aulas mais dinâmicas e, assim, despertar a atenção da sala.

Atividades lúdicas que exploram os sentidos das crianças e adolescentes tendem a atraí-los ainda mais. As produções audiovisuais vêm sendo incluídas nos projetos pedagógicos durante o ano letivo. Mas essa seria uma prática realmente eficaz ou trata-se apenas de entretenimento?

As atividades incluídas no dia a dia escolar devem ser pensadas minuciosamente, pois não devem ser aplicadas aleatoriamente, sem que haja de fato algum propósito educativo. É de ciência das escolas tal pré-requisito, pois as instituições de ensino possuem relevante papel no processo de desenvolvimento cognitivo, social e emocional dos alunos.

Os recursos não devem apenas preencher aulas, ou desconectar o andamento, mas ao contrário, dar continuidade e servir de parâmetro mais dinâmico.

 

Linguagem e Expressão

Muitos educadores se valem dos recursos tecnológicos para tal objetivo e os vídeos estão incluídos nos programas.

A Pedagoga Joelma Betetto, da Universidade Estadual de Londrina, defende em sua tese “O uso do vídeo como recurso pedagógico” que a escola necessita passar de simples transmissora de informação e se transformar em um ambiente para análises críticas e a própria produção de informação, em que o conhecimento viabiliza a atribuição de significado à informação.

Na escola, os alunos podem apreender por meio das aulas, livros didáticos, bem como nas mídias, tais como televisão, jornal impresso e rádio, além do ambiente virtual e por meio dos vídeos.

Nessa trajetória, os educandos podem identificar as possibilidades de desenvolvimento, ao analisar criticamente tais peças, por meio de elementos cognitivos. Isso só é possível, de acordo com a pedagoga, quando existem professores conscientes de tal demanda.

“Os alunos receberão diferentes estímulos para melhor aprender. Desta forma é evidente que o papel do professor não é substituído por essas tecnologias. Na verdade, essas devem ser entendidas como um suporte a mais”, afirma Joelma. Para ela, entre as consequências, os educadores serão provocados a novas posturas profissionais mediante esse processo.

A pedagoga salienta que a incorporação da produção da arte e da mídia na educação é oferecer potencial para tornar o aprendizado ainda mais criativo, com mais expressão, resultando em mais interesse por parte dos alunos.

Em seu estudo, Joelma argumenta que “os meios audiovisuais levam às imagens, aos fatos reais, à consciência”, sendo importantes aliados no trabalho do professor, pois facilita e potencializa a aprendizagem dos alunos.

“É importante destacar que os sentidos, estimulados com o auxílio de um recurso audiovisual, também contribuem, significativamente, no processo ensino aprendizagem”, ressalta Joelma.

 

Quais as melhores formas de aprendizagem?

Não é à toa que as produções audiovisuais costumam surtir efeitos positivos dentro e fora da sala de aula. De acordo com estudo feito por Oscar Ferreira e Plínio Silva Júnior, em Recursos Audiovisuais para o Ensino, analisado pela pedagoga em sua tese, existem impactos diferentes nas formas como são expostos os conteúdos.

Utilizando-se dos cinco sentidos,  a pesquisa trata sobre a Retenção Mnemônica, que aborda a eficácia da aprendizagem: quando  por meio apenas da visão chega a 83%, enquanto que somente pela audição esse percentual é próximo a 11%, e nos outros três sentidos esse número chega a 6%, quando somados.

Além disso, a taxa de retenção da informação mostra que os métodos de ensino devem ser diversificados, para que depois de horas, ou mesmo dias, as informações não sejam perdidas. Para compreender melhor, após 3 horas de aula somente oral, apenas 70% dos dados ficam retidos na memória, e após 3 dias esses dados não passam dos 10%.

No método de ensino apenas visual, essa proporção é timidamente maior, sendo 72% após 3 horas, e 20% após 3 dias. No entanto, ao apresentar temas com recursos oral e visual, os dados retidos após 3 horas podem chegar a 85%, e após os 3 dias a memorização é bem mais eficiente, com a taxa chegando a 65%.

Até mesmo nesse post, os dados que apresentamos de forma visual no quadro acima podem ser mais eficazes que a descrição deles. Se com alguns parágrafos explicamos diversos dados importantes, com duas imagens essas informações talvez tenham ficado muito mais claras, concorda? 

No caso da didática em que se utiliza recursos orais e visuais, a gama de possibilidades de disciplinas e temas que podem ser trabalhos é bem diversa. Os recursos não se restringem a apenas uma forma de abordagem, pois deve considerar a particularidade do que se vai apresentar, levando-se em conta o público que se quer atingir.

A linguagem dos vídeos deve ser adequada a cada grupo: animações costumam despertar mais atenção dos que são mais novos, enquanto que documentários e filmes são mais apropriados para adolescentes e jovens. O resultado que se quer alcançar pode até ser semelhante, mas a abordagem deve ser adaptada.

 

Senso crítico e formação cidadã

“Cada tecnologia possui uma forma de expressão e, para que o uso desses recursos não fique à margem do reducionismo, deve-se haver conhecimento para um bom aproveitamento e uma adequada utilização específica sobre cada um deles”, argumenta a pedagoga.

Ela discorre o fato de ser preciso, ainda, que os alunos se sintam parte do processo, pois de nada vale ter bons conteúdos e formas dinâmicas de apresentá-los, se não houver a interação com o grupo . É preciso que o professor seja o mediador da atividade, como motivador de discussões construtivas.

Imagine que durante uma aula de Ciências o professor decida passar uma animação sobre o funcionamento do sistema respiratório. A intenção não é apenas “gastar” horas ou ocupar aulas com filmes, mas que seja um instrumento didático para envolver melhor os alunos, por meio de algo que seja do gosto daquele público.

“Um trabalho de comunicação audiovisual sem uma linguagem em síntese, com uma falta de interação entre os elementos caracteriza-se como de difícil compreensão”, ressalta.

 

O filme como forma de reflexão

Conheça o premiado curta-metragem que retrata o privilégio da educação. Essa pode ser a oportunidade para colocar em discussão, nas escolas e grupos de jovens, as realidades comuns a diversas nações. Premiado em 12 festivais internacionais, o curta-metragem conta uma história de luta, sacrifício e superação, dentro de uma escola no Malawi, na África.

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *