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Apenas ter formação na área e em uma faculdade respeitada já não são mais os únicos aspectos avaliados pelas instituições de ensino na hora de planejar ampliar a equipe. Atualmente, os gestores têm buscado identificar outras habilidades profissionais. Mas, então, quais competências as escolas buscam na hora da contratação de professor?

De certo, a graduação é um aspecto importante, mas é apenas o primeiro aspecto avaliado. Diretores e gestores de escolas particulares dizem que o diferencial para a contratação tem sido identificar professores com ao menos alguma experiência prática em sala de aula e com habilidades socioemocionais que querem desenvolver nos alunos.

“Para nós, o ensino acontece pelo exemplo. Por isso, se queremos desenvolver alunos autônomos, com boa comunicação e resilientes, precisamos de profissionais que saibam ser assim em sala de aula”, conta Mariângela Lima, diretora da escola Caminho do Sol, em São Paulo.

Colaboração e consciência 

Cristina Nogueira, coordenadora do curso de Pedagogia do instituto Singularidades, diz que as escolas já buscavam professores com atitude colaborativa e consciente sobre os dilemas contemporâneos, mas que a pandemia aprofundou ainda mais a necessidade de profissionais com essas habilidades.

“Os desafios dentro da sala de aula vão muito além da parte pedagógica. Se já havia grandes desafios antes, a pandemia trouxe muitos outros e o profissional precisa se mostrar aberto a lidar com eles”, diz Nogueira.

“O professor não necessariamente precisa saber como lidar com todas essas dificuldades, mas ter uma atitude respeitosa diante da diversidade que vai encontrar em sala de aula”, completa.

Empatia e boa comunicação

Como os estudantes acumularam problemas emocionais e pessoais durante a pandemia, Lima diz que tem buscado a contratação de professor que saiba motivar e apoiar a sala de aula.

“Os alunos estão diferentes do que estávamos acostumados. Eles passaram por muitos traumas e situações difíceis. Não adianta ter um excelente professor que domine o conteúdo, se ele não conseguir cativar e acessar os estudantes”, conta a diretora.

Dinamismo e proatividade

Ainda que o profissional tenha uma boa formação acadêmica e esteja preparado para trabalhar em sala de aula com os conteúdos exigidos pela BNCC (Base Nacional Comum Curricular), o documento norteador dos currículos, é preciso que ele tenha repertório para trabalhar em sala de aula.

“As escolas querem um professor com boa formação, mas que saiba adaptar seus conhecimentos para a necessidade de cada turma e aluno. Ou seja, ele tem que ter autonomia e dinamismo para saber que tipo de atividades desenvolver de acordo com cada situação”, diz Nogueira.

Lima lembra que, desde o retorno para as aulas presenciais, os professores têm encontrado salas muito heterogêneas em termos de aprendizado. Por isso, os docentes precisam estar dispostos a buscar novas formas de ensinar.

“Mais do que nunca o cenário atual tem exigido que os professores sejam criativos e propositivos para poder ensinar. Mas a escola também precisa estar disposta a dar essa autonomia ao docente, afirma.

Alinhado ao projeto escolar

Por fim, as duas educadoras resumem que as competências que as escolas buscam na hora da contratação de professor são as que estão alinhadas ao projeto pedagógico da unidade. Ou seja, são as competências que os colégios se propõem a desenvolver nos estudantes. 

“Somos uma escola que defende o ensino livre, curioso, autônomo. Buscamos professores que acreditem e estejam de acordo com essa proposta. Um profissional que defende um ensino mais tradicional, baseado na disciplina e obediência, não vai se adequar bem ao nosso propósito”, diz Lima. 

Para aprofundar mais sobre esse assunto, confira o artigo:

Professor do futuro: entenda como capacitar seu corpo docente

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