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“Estruturar os processos pedagógicos de alfabetização, nos anos iniciais do ensino fundamental, articulando-os com as estratégias desenvolvidas na pré-escola”. Essa é das estratégias para atingir a 5º meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que é alfabetizar todas as crianças, no máximo, até o final do 3º ano do ensino fundamental.

Contudo, esse tem sido um grande desafio, visto que o Brasil deveria ter atingido a marca de 6,5% de analfabetos entre a população de 15 anos ou mais em 2015, o que não aconteceu. A pandemia não só nos deixou mais longe dessa marca, como também impactou o processo de alfabetização e letramento das crianças. 

Como explica Denise Guilherme, mestre em educação e diretora do clube de livros infantis Taba, o fechamento das escolas e adoção emergencial do ensino a distância trouxe muitos desafios, fazendo com que muitas famílias se questionassem: “Meu filho não vai ser alfabetizado esse ano, e agora? Isso vai prejudicar o futuro dele?”.

As incertezas são muitas, mas o fato é que o sujeito da aprendizagem não mudou, somente a forma de ensino que precisou ser adaptada. “Ele continua aprendendo pela reflexão, pela interação com o outro, com materiais, pela interação com as intervenções que estão sendo feitas”, comenta a diretora.

Já Luana Marra, coordenadora de série do infantil da Escola Santi, em São Paulo, defende que é necessário entender que esse é um ano complexo, mas que não pode ser considerado perdido. Como exemplo disso, ela afirma que as crianças que já estavam inseridas em uma cultura da escrita vão conseguir atingir seu processo de alfabetização, se não neste ano, no próximo, desde que haja um estímulo.

Assim, para que as práticas de escrita e/ou leitura se mantenham presente na rotina dessas crianças é necessário um esforço conjunto entre a escola e as famílias. No contexto da pandemia, em especial, essa parceria é fundamental para dar continuidade ao processo de ensino-aprendizado agora híbrido.

 

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Como reforçar a parceria entre escola e família

Para crianças em idade pré-escolar, a escola é um ambiente de aprendizado e também de convivência e interação social. Mas nesse momento, esses encontros passaram a ocorrer em outro formato, mediado pela tecnologia, e com auxílio dos pais.

A proposta da Taba é, justamente, proporcionar experiências de leituras que coloquem a escola e a família juntas na formação dos pequenos leitores. Os kit de livros infantis contam com opções individuais e coletivas, permitindo montar uma verdadeira mini biblioteca.

Como mãe, Denise afirma que percebeu certa angústia de alguns pais por seus filhos não conseguirem fazer algumas tarefas em função da dificuldade na leitura. Por outro lado, aquelas famílias que aderiram à prática através da Taba, desenvolveram uma nova perspectiva sobre a leitura, que passou a ser enxergada como parte integrante da alfabetização.

“A gente teve muitos relatos na pandemia de famílias que disseram que quando o livro chegou e eles sentaram para ler juntos, foi como um momento de pausa, de “olha, a gente está junto em torno dessa experiência”, comenta.

O exemplo começa de casa. Então, as escolas, sempre que possível, devem forçar essa importância de ter os pais ou responsáveis como exemplo de leitor. Outras formas de envolver a família nesse processo incluem:

  • Definir um momento para contação de história;
  • Transformar as crianças em personagens na história;
  • Criação de um cantinho da leitura;
  • Fazer da tecnologia um aliado, usando livros digitais.

Os principais ganhos, claro, são para as crianças. “Pelos textos literários, as crianças entram no universo da linguagem escrita e aprendem sobre ela. Além disso, tem a possibilidade das crianças irem construindo uma reserva simbólica, uma imunidade simbólica para conseguir compreender um pouco mais o que se vive”, comenta Bia Gouveia, diretora de educação infantil do Colégio Santa Cruz, em São Paulo.

A diretora do Colégio Santa Cruz Ela evoca o papel da escola como instituição social, fazendo um alerta para os demais líderes escolares: “é necessário pensar na escola que eu quero”. Ela ainda relembra que “um sistema democrático só funciona com a presença de leitores e escritores. Então, formar leitores e escritores é uma responsabilidade da escola, se vai demorar um pouquinho, tudo bem, mas é nossa responsabilidade”.

 

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