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Como fazer uma avaliação socioemocional confiável nesse momento em que as escolas e alunos estão se recuperando das perdas da pandemia? Por mais desafiador que isso possa parecer, é sim possível montar um plano de ação para lidar com os obstáculos que surgiram.

“A escola, a educação de um modo geral, pela primeira vez tem um desafio que foi e está sendo, simplesmente, superar um apagão na educação. Pela primeira vez na história, o sistema educacional do mundo caiu com a pandemia, e aqui no Brasil, a coisa está se arrastando até um pouco mais; os nossos desafios são maiores” 

A afirmação é de Celso Lopes, médico psiquiatra, professor e fundador do Programa Semente – um programa de aprendizagem socioemocional. Entretanto, o especialista também deixa claro que “a escola é peça-chave para preparar os nossos alunos, nossos filhos e nos prepararmos para enfrentar os desafios que vem pela frente”.

O que são competências socioemocionais

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em seu relatório sobre o papel das competências socioemocionais, diz: “Competências socioemocionais – também chamadas competências não cognitivas – são o tipo de habilidade envolvida na obtenção de objetivos, no trabalho em grupo e no controle emocional. Assim, manifestam-se em várias situações do dia a dia”. 

A literatura científica mais recente reconhece a existência de 17 competências socioemocionais, agrupadas em cinco famílias. Explicaremos cada uma delas.

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Conhecendo as competências socioemocionais

O relatório da OCDE também faz apresenta o modelo taxonômico das Cinco Famílias, que é o mais utilizado no Brasil e base para a metodologia do Programa Semente:

  • Família 1 – Autogestão: foco, organização, determinação, persistência e responsabilidade;
  • Família 2 – Abertura ao novo: curiosidade, imaginação criativa e interesse artístico;
  • Família 3 – Modulação emocional: modulação da raiva, modulação do medo e modulação da tristeza;
  • Família 4 – Engajamento com os outros: iniciativa social, assertividade e entusiasmo;
  • Família 5 – Amabilidade: empatia, respeito e confiança.

A primeira família de competências (autogestão) está relacionada ao nosso lado executivo “são as competências que colocam nossos sonhos de pé”, define o fundador do Programa Semente. De forma complementar, a segunda família (abertura para o novo) agrupa as competências responsáveis por dar forma a esses sonhos.

Mas como não construímos nada sozinhos, existem duas famílias de competências ligadas às relações interpessoais: engajamento com os outros e amabilidade, respectivamente a quarta e quinta família. Juntas, elas são responsáveis pelo desenvolvimento do senso de comunidade e colaboração, influenciando diretamente na qualidade dos relacionamentos.

Como seres emocionais, em algum momento das nossas vidas, iremos passar por situações que despertam emoções como raiva, medo e tristeza. Contudo, também somos capazes de gerenciá-las a partir do desenvolvimento de algumas competências. 

“À medida que sonhamos, tentamos colocar de pé os nossos sonhos, interagimos com as pessoas, nós vamos vivenciar muita incerteza, injustiças, teremos perdas e é exatamente para essa frente que existem as competências da família da modulação emocional”, explica Dr. Celso.

Para a realização de uma avaliação socioemocional confiável também é essencial entender as características dessas competências:

Podem ser aprendidas

Não importa a idade, seja criança, adolescente ou adulto; as competências socioemocionais podem ser aprendidas e desenvolvidas. O aprendizado pode ocorrer de duas formas principais: no contexto formal, a exemplo da escola, onde essas competências podem ser ensinadas com intencionalidade ou, ainda, no contexto informal, por meio de vivências no dia a dia.

Causam grande impacto

Quando não desenvolvidas, as competências socioemocionais podem impactar fortemente a vida de um indivíduo. Hoje sabe-se, por exemplo, que pessoas que têm as competências da família de autogestão bem desenvolvidas, se cuidam mais e são menos propensas ao uso de substâncias ilícitas, logo possuem maior expectativa de vida.

Podem ser medidas

As competências socioemocionais, assim como as cognitivas, podem ser medidas por meio de um arcabouço matemático, estruturado pela psicometria. Para tal, utiliza-se métodos de autorrelato, hetero-relato e observação de execução de tarefas.

Qual o melhor método para a avaliação socioemocional confiável: Autorrelato, hetero-relato ou observação?

A resposta é: depende! Cada um desses métodos possui seus pontos positivos e negativos e enquadram-se em diferentes situações. Segundo o Dr. Celso, o autorrelato é o método mais utilizado e corresponde a 99.9% da literatura e dos estudos sobre as competências socioemocionais.

Autorrelato: o método mais utilizado na avaliação socioemocional

“Autorrelato são afirmações. Por exemplo, “costumo terminar aquilo que inicio”, essa é uma afirmação de uma escala chamada de Likert, que tem cinco intensidades de concordância, como “totalmente parecido comigo” e “mais ou menos parecido comigo”. Em cinco escalas você coloca o quanto você acha que você é parecido com aquela afirmação”.

Esse método de avaliação destaca-se dos demais por sua facilidade de aplicação. Por outro lado, o autorrelato só pode ser utilizado com crianças a partir de 10 anos de idade, mas, ainda assim, o Dr. Celso atesta a sua confiabilidade. “Todo autorrelato é uma autopercepção, entretanto, a confiabilidade desses resultados é muito alta”.

Hetero-relato: método pouco indicado para escola 

Já o hetero-relato consiste na mensuração da competência a partir do olhar de terceiros, ou seja, alguém responde a respeito de outra pessoa. No contexto da escola, essa metodologia pode ser extremamente cansativa para o professor, pois ele precisa responder com atenção a questionários com 60 a 70 itens a respeito de 20 ou mais alunos.

“Isso é muito ruim, porque começa a entrar em fadiga e a fadiga interfere no resultado. O outro ponto é que existe um viés, cujo nome é esse mesmo, chifre auréola, quando nós temos uma predileção por algumas pessoas, tendemos a subir a barra, e o oposto também”.

Observação: realizado apenas por profissionais especializados

E por último, a observação de execução de tarefas, o método que mais apresenta limitações, segundo Dr. Celso.“Você precisa de um profissional especializado em analisar tarefas para verificar o desenvolvimento da criatividade, o teste demora quatro horas mais ou menos com um profissional presente e a avaliação disso precisa de mais um juiz para poder ter desempate, ela praticamente não é escalável”.

Assista a palestra com o Dr. Celso:

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Uma plataforma que ajuda a realização da avaliação socioemocional

O Programa Semente oferece soluções focadas no desenvolvimento das competências socioemocionais, contemplando todos aqueles que fazem parte da comunidade escolar – professores, alunos e famílias. Uma dessas soluções é a Plataforma S, uma ferramenta totalmente digital que serve para mensurar as competências socioemocionais. 

Como funciona?

O seu fundador, Dr. Celso, explica a dinâmica de funcionamento da plataforma:

Ela é totalmente self learning […] são 8 aulas, a pessoa entra e vai fazer as aulas que tem 20 minutos. Pedimos para que seja feita a avaliação e uma ou duas aulas dessas por dia, no máximo, porque não queremos que entre em fadiga”.

Essa avaliação também gera um feedback personalizado, um tipo de espelho psicométrico, que faz com que a pessoa (criança, adolescente ou adulto) perceba se realmente foi sincero em suas respostas. Também são fornecidos caminhos para que ela aprimore ou desenvolva as 17 competências. 

A Plataforma S ainda possibilita que as escolas tomem decisões pedagógicas baseadas em evidências científicas, por meio da identificação das competências que precisam ser desenvolvidas. É possível, por exemplo, obter as estatísticas das avaliações de todos os alunos, permitindo identificar quais competências se sobressaem ou precisam de atenção.

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