Como fazer um diagnóstico socioemocional confiável?
Desafios Contemporâneos

Como fazer um diagnóstico socioemocional confiável?

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“A escola, a educação de um modo geral, pela primeira vez tem um desafio que foi e está sendo, simplesmente, superar um apagão na educação. Pela primeira vez na história, o sistema educacional do mundo caiu com a pandemia, e aqui no Brasil, a coisa está se arrastando até um pouco mais; os nossos desafios são maiores” 

A fala de Dr. Celso Lopes, médico psiquiatra, professor e fundador do Programa Semente – um programa de aprendizagem socioemocional – ilustra o novo cenário adverso que as escolas vivem. E por mais que seja necessário montar um plano de ação para lidar com esses desafios, na prática não é tão simples, afinal, a pandemia reduziu nossas perspectivas de futuro. 

Mas uma coisa é certa: “a escola é peça-chave para preparar os nossos alunos, nossos filhos e nos prepararmos para enfrentar os desafios que vem pela frente”, declara Dr. Celso. Uma das formas de nos preparamos é através do aprendizado e/ou fortalecimento de competências que vão além das cognitivas.

A curiosidade de aprender e a tolerância à frustração, por exemplo, são competências socioemocionais importantes para superar os atuais desafios e os futuros. A literatura científica mais recente reconhece a existência de 17 competências socioemocionais, agrupadas em cinco famílias. Explicaremos cada uma delas. Continue a leitura! 

 

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As competências do século XXI

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em seu relatório sobre o papel das competências socioemocionais, diz: “Competências socioemocionais – também chamadas competências não cognitivas – são o tipo de habilidade envolvida na obtenção de objetivos, no trabalho em grupo e no controle emocional. Assim, manifestam-se em várias situações do dia a dia”. 

Essas competências se organizam da seguinte forma:

  1. Atingir objetivos: perseverança, autocontrole e paixão pelos objetivos;
  2. Trabalhar em grupo: sociabilidade, respeito e atenção;
  3. Lidar com as emoções: autoestima, otimismo e confiança.

O relatório da OCDE também faz menção ao modelo taxonômico das Cinco Famílias, que é o mais utilizado no Brasil e base para a metodologia do Programa Semente:

  • Família 1 – Autogestão: foco, organização, determinação, persistência e responsabilidade;
  • Família 2 – Abertura ao novo: curiosidade, imaginação criativa e interesse artístico;
  • Família 3 – Modulação emocional: modulação da raiva, modulação do medo e modulação da tristeza;
  • Família 4 – Engajamento com os outros: iniciativa social, assertividade e entusiasmo;
  • Família 5 – Amabilidade: empatia, respeito e confiança.

A primeira família de competências (autogestão) está relacionada ao nosso lado executivo “são as competências que colocam nossos sonhos de pé”, define o fundador do Programa Semente. De forma complementar, a segunda família (abertura para o novo) agrupa as competências responsáveis por dar forma a esses sonhos.

Mas como não construímos nada sozinhos, existem duas famílias de competências ligadas às relações interpessoais: engajamento com os outros e amabilidade, respectivamente a quarta e quinta família. Juntas, elas são responsáveis pelo desenvolvimento do senso de comunidade e colaboração, influenciando diretamente na qualidade dos relacionamentos.

Como seres emocionais, em algum momento das nossas vidas, iremos passar por situações que despertam emoções como raiva, medo e tristeza. Contudo, também somos capazes de gerenciá-las a partir do desenvolvimento de algumas competências. 

“À medida que sonhamos, tentamos colocar de pé os nossos sonhos, interagimos com as pessoas, nós vamos vivenciar muita incerteza, injustiças, teremos perdas e é exatamente para essa frente que existem as competências da família da modulação emocional”, explica Dr. Celso.

Agora que você conhece a definição e as principais classificações das competências socioemocionais, está de hora saber quais são suas três condições caracterizantes: 

1. Podem ser aprendidas

Não importa a idade, seja criança, adolescente ou adulto; as competências socioemocionais podem ser aprendidas e desenvolvidas. O aprendizado pode ocorrer de duas formas principais: no contexto formal, a exemplo da escola, onde essas competências podem ser ensinadas com intencionalidade ou, ainda, no contexto informal, por meio de vivências no dia a dia.

2. Causam grande impacto

Quando não desenvolvidas, as competências socioemocionais podem impactar fortemente a vida de um indivíduo. Hoje sabe-se, por exemplo, que pessoas que têm as competências da família de autogestão bem desenvolvidas, se cuidam mais e são menos propensas ao uso de substâncias ilícitas, logo possuem maior expectativa de vida.

3. Podem ser medidas

As competências socioemocionais, assim como as cognitivas, podem ser medidas por meio de um arcabouço matemático, estruturado pela psicometria. Para tal, utiliza-se métodos de autorrelato, hetero-relato e observação de execução de tarefas.

Autorrelato, hetero-relato e observação: qual o melhor?

A resposta é: depende! Cada um desses métodos possui seus pontos positivos e negativos e enquadram-se em diferentes situações. Entretanto, segundo o Dr. Celso, o autorrelato corresponde a 99.9% da literatura e dos estudos sobre as competências socioemocionais e há uma explicação para isso, mostra ele:

“Autorrelato são afirmações. Por exemplo, “costumo terminar aquilo que inicio”, essa é uma afirmação de uma escala chamada de Likert, que tem cinco intensidades de concordância, como “totalmente parecido comigo” e “mais ou menos parecido comigo”. Em cinco escalas você coloca o quanto você acha que você é parecido com aquela afirmação”.

Esse método de avaliação destaca-se dos demais por sua facilidade de aplicação. Por outro lado, o autorrelato só pode ser utilizado com crianças a partir de 10 anos de idade, mas, ainda assim, o Dr. Celso atesta a sua confiabilidade. “Todo autorrelato é uma autopercepção, entretanto, a confiabilidade desses resultados é muito alta”.

Já o hetero-relato consiste na mensuração da competência a partir do olhar de terceiros, ou seja, alguém responde a respeito de outra pessoa. No contexto da escola, essa metodologia pode ser extremamente cansativa para o professor, pois ele precisa responder com atenção a questionários com 60 a 70 itens a respeito de 20 ou mais alunos.

“Isso é muito ruim, porque começa a entrar em fadiga e a fadiga interfere no resultado. O outro ponto é que existe um viés, cujo nome é esse mesmo, chifre auréola, quando nós temos uma predileção por algumas pessoas, tendemos a subir a barra, e o oposto também”.

E por último, a observação de execução de tarefas, o método que mais apresenta limitações, segundo Dr. Celso.“Você precisa de um profissional especializado em analisar tarefas para verificar o desenvolvimento da criatividade, o teste demora quatro horas mais ou menos com um profissional presente e a avaliação disso precisa de mais um juiz para poder ter desempate, ela praticamente não é escalável”.

Conheça a plataforma que mensura as competências e gera insights 

O Programa Semente oferece soluções focadas no desenvolvimento das competências socioemocionais, contemplando todos aqueles que fazem parte da comunidade escolar – professores, alunos e famílias. Uma dessas soluções é a Plataforma S, uma ferramenta totalmente digital que serve para mensurar as competências socioemocionais. 

O seu fundador, Dr. Celso, explica a dinâmica de funcionamento da plataforma: “Ela é totalmente self learning […] são 8 aulas, a pessoa entra e vai fazer as aulas que tem 20 minutos. Pedimos para que seja feita a avaliação e uma ou duas aulas dessas por dia, no máximo, porque não queremos que entre em fadiga”.

Essa avaliação também gera um feedback personalizado, um tipo de espelho psicométrico, que faz com que a pessoa (criança, adolescente ou adulto) perceba se realmente foi sincero em suas respostas. Também são fornecidos caminhos para que ela aprimore ou desenvolva as 17 competências. 

A Plataforma S ainda possibilita que as escolas tomem decisões pedagógicas baseadas em evidências científicas, por meio da identificação das competências que precisam ser desenvolvidas. É possível, por exemplo, obter as estatísticas das avaliações de todos os alunos, permitindo identificar quais competências se sobressaem ou precisam de atenção.

Assista a palestra completa:

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