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Muitas escolas ainda estão se adaptando à nova realidade de ensinar à distância como medida para conter a propagação do coronavírus. De uma hora para a outra, as aulas presenciais precisaram ser substituídas para a modalidade de ensino à distância (EAD) e os desafios dessa transição temporária são imensos. 

Para os alunos com acesso à internet, o grande desafio é aprender a gerenciar o tempo dentro de casa e ter disciplina para estudar no modelo EaD. Tudo isso no contexto de stress por estarem confinados em casa, longe dos amigos e professores e vivendo no contexto de uma pandemia internacional. 

Para os professores, aprender a adaptar as costumeiras aulas presenciais para aulas virtuais também não é nada fácil, ainda mais sem prévio treinamento pedagógico e tecnológico, como acontece em muitas escolas.

Para as instituições de ensino, existe a dificuldade da falta de estrutura em tecnologia da informação (TI) e a resistência ao uso de ferramentas virtuais para ensino por parte de uma parcela considerável de professores e de alunos.

Embora estejamos vivendo esse momento desafiador, há, por outro lado, um grande leque de opções de soluções para contornar a crise.

 

Uma dessas soluções é o Curso “Passo a passo: da implantação até a consolidação de um EAD de sucesso na sua escola” que preparamos especialmente para vocês. Saiba mais aqui!

 

EAD não significa somente tecnologia

“O grande equívoco é pensar no ensino a distância e relacionar diretamente à tecnologia. Claro que o que vem à mente quando a gente fala sobre educação a distância é tecnologia, mas EAD é estar à distância, não necessariamente por meios  tecnológicos. Existem várias outras possibilidades.” Quem diz isso é Lana Paula Crivelaro, diretora da Associação Brasileira de Ensino a Distância, ABED

A ABED é uma sociedade científica sem fins lucrativos, criada para estimular a prática e o desenvolvimento de projetos de educação a distância. Lana também é pós-doutora em Educação e Saúde Coletiva pela Unifor, Doutora e Mestre em Educação, Inovação e Tecnologia pela UNICAMP, Especialista em EaD, Formação de Professores e Metodologias Ativas e Diretora da RL Consultoria Educacional.

Para Lana, as escolas precisam ter disponibilidade de seu corpo docente e vontade de contribuir neste momento de crise, disponibilizando material de ensino mesmo que em papel, por meio de livros, cartilhas…

“É claro que a tecnologia facilita muito, mas isso não exclui outras classes que não tenham as ferramentas tecnológicas disponíveis e acessíveis neste momento.“ 

Aplicativos de mensagens como aliados

Não é preciso ter acesso a sistemas especiais de ensino e a computadores de última geração para poder estudar sem ser presencialmente. O celular se apresenta como uma importante ferramenta na hora de compartilhar informação e educação. Para Lana, mesmo as crianças e adolescentes sem celular próprio podem ter acesso à educação por meio dos aplicativos de mensagem. 

“Eles podem ser usados para educação, como por exemplo para o compartilhamento de orientações sobre atividades educativas que devem ser feitas, vídeos gravados por professores… Existem muitas opções para que todas as crianças, independentemente da faixa etária, tenham educação à distância. Basta criatividade, boa vontade, organização e colaboração neste momento de crise.”

Entre essas ferramentas estão os aplicativos de comunicação escolar, como o ClassAppusado por quase meio milhão de pessoas em escolas do Brasil e fora. Os aplicativos possibilitam manter a comunidade escolar conectada em um só canal e, dessa forma, tornar a comunicação entre gestores, coordenadores, professores, pais e alunos mais dinâmica e eficiente. 

“As escolas que estão conseguindo lidar melhor com este momento são as que se preocuparam em fortalecer o relacionamento com os pais, por meio de uma comunicação eficiente. Mais do que nunca, as instituições de ensino precisam estreitar os laços de confiança com os pais e isso não pode esperar”, diz Carolina Ayvazian, gerente de Crescimento da ClassApp.

Especialistas em tecnologias de comunicação afirmam que os aplicativos de comunicação escolar têm uma resposta muito melhor do que grupos de Whatsapp e e-mails. Um dos motivos é que o sistema envia alertas automáticos de que as mensagens não foram lidas, além de centralizar em um lugar só, de maneira oficial e profissional toda a comunicação da escola, garantindo maior eficiência. 

O Colégio Eliezer Max, no Rio de Janeiro, faz uso do aplicativo desde o início do ano letivo, em fevereiro. Com cerca de 500 alunos, da Educação Infantil ao Ensino Médio, a gestão da escola diz que vem obtendo excelentes resultados com o aplicativo:

”A gente usava até então o e-mail, que era o nosso canal institucional, mas nós queríamos melhorar a comunicação com as famílias e percebemos que o e-mail está entrando cada vez mais em um lugar de obsolescência, muitas pessoas já migraram para mídias mais ágeis que o e-mail, que está perdendo relevância. O ClassApp tem funcionalidades dedicadas à comunicação da escola com as famílias e com funcionários, muito próprias da rotina escolar, e a gente está bem satisfeito com o uso do aplicativo, ainda mais durante o isolamento social. É neste momento em que a gente mais precisa estar próximo das famílias, quando elas mais precisam do nosso apoio, do nosso carinho e da nossa presença. E o aplicativo está permitindo isso com muita eficácia e qualidade. Foi realmente um upgrade para a escola atravessar este momento de afastamento social com o aplicativo”, diz o diretor administrativo e financeiro da escola, Bruno Gottlieb.

E para apoiar as escolas nesse momento de incertezas, o ClassApp está disponibilizando o aplicativo gratuitamente, em um projeto chamado ClassApp de Portas Abertas. Comece a utilizar agora!

 

Como driblar a falta de atenção e disciplina de alunos em casa

“Não dá para pensar no EAD como se fosse a aula presencial. A transposição de um modelo para o outro é inadmissível. Muitas pessoas, por falta de preparo,  estão transpondo suas aulas em vídeo. No EAD, os professores não podem dar aulas expositivas de uma hora, por exemplo. Existem motivações ativas para atrair a atenção dos alunos, propondo questionamentos, desafios, trabalhos em grupo, fazendo as crianças se organizarem por projeto …  O aluno presencial já não aguenta mais esse modelo expositivo, imagina à distância. O aluno de hoje quer construir seu conhecimento. E os professores precisam ensinar com criatividade, inovação, bom senso, precisam se comportar como mediadores e não como expositores de conhecimento“, afirma Lana, que aproveitou para dar algumas dicas práticas para ajudar as escolas neste momento de EAD. Para ela, a primeira delas é ter muita criatividade.

“As escolas devem aproveitar este momento de crise para fazer diferente, para unir disciplinas tirando cada uma delas da sua caixinha, propondo questões interdisciplinares. Por que não juntar História com a Matemática, Geografia com o Português e assim por diante? A partir do momento em que a escola enxergar que não vivemos em um mundo de caixinhas individuais, ele não vai precisar mandar 5 folhas e 5 aulas diferentes. Mas para isso o professor precisa ser criativo e trabalhar em conjunto com colegas a fim de conseguir um ensino realmente significativo junto às crianças. E a modalidade EAD tem um potencial imenso para isso.”

 

Enquanto isso, na Itália

Na Itália, um dos países mais afetados pela pandemia do coronavírus, escolas particulares fizeram a distribuição de livros e estão usando aplicativos para coordenar as atividades com seus alunos, assim como muitas instituições privadas brasileiras. A jornalista brasileira Fernanda Bellucci, que mora em Florença, conta que está há duas semanas em isolamento com o filho Matteo, de 10 anos, em casa. 

“Eu fui à escola, peguei todos os livros que eles nos deram, e os professores, por meio do aplicativo, orientam o que as crianças precisam fazer a cada dia. Eles mandam informações do que estudar, do que pesquisar, mas não é uma aula online. Algumas escolas até se organizaram para fazer aulas por meio do Skype, mas a Itália ainda é um país atrasado em termos de tecnologia.”

Fernanda conta que leva pelo menos uma hora para fazer o dever de casa diário com o filho, driblando as distrações externas. Mas diz que ainda assim é muito pouco tempo, comparado à carga horária do período letivo, de 8h20 às 16h00. 

“Não sei como as escolas vão recuperar isso, talvez diminuindo as férias, que na Itália duram três meses e meio, de começo de junho a meados de setembro“, completa.

 

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