8 min de leitura

A pandemia de coronavírus colocou o Ensino à Distância no centro do debate educacional. Ao mesmo tempo em que medidas de contenção do vírus eram tomadas pelo poder público, como o isolamento social e suspensão das aulas – gestores de escolas precisaram dar conta dos últimos acontecimentos e ainda elaborar a toque de caixa ações para manter os vínculos da comunidade escolar.

Professores e alunos de todo o mundo estão se adaptando às aulas virtuais, estabelecendo comunicação em plataformas, redes sociais e aplicativos de comunicação escolar para continuar a promoção da educação e minimizar os impactos da suspensão das aulas.

As práticas educacionais à distância, que antes eram complementares, viraram “regra” de uma hora para outra em algumas escolas, em outras, esse mundo precisou ser desvendado e colocado em prática de alguma forma, mesmo que de maneira adaptada.

 

Leia também: o desafio de mudar do ensino presencial para o ensino à distância

 

Base legal para atividades à distância

O ensino à distância é uma realidade que será cada vez mais presente no cotidiano das escolas públicas e privadas, durante e após a pandemia. O ensino em formato híbrido (presencial e a distância) é uma tendência ancorada em base legal através da Lei 13.145 de 2017 que regulamentou a reforma do Ensino Médio e do Decreto nº 9.057 de 2017 que autoriza a oferta online.

Atualmente a legislação permite que 20% da carga horária obrigatória do ensino médio diurno possa ser cumprida à distância. No período noturno é permitido 30% e na Educação de Jovens e Adultos 80% das aulas podem ser remotas.  Já para o ensino fundamental a modalidade à distância é permitida apenas como complementação em situações emergenciais.

No entanto, as diretrizes são estabelecidas pelas secretarias estaduais. “É essencial consultar as orientações de cada conselho estadual. Após essa consulta e a opção pelas atividades à distância, o próximo passo é formalizar a decisão junto ao órgão de supervisão de ensino”, orienta a Diretora Pedagógica da Geekie, Camila Karino, psicóloga com doutorado pela Universidade de Brasília. Ela também estudou o tema “Igualdade, equidade e eficácia do sistema educacional brasileiro” na Universidade de New Brunswick, no Canadá.

 

Veja aqui como está a legislação de cada Estado

 

Práticas pedagógicas no EaD

É importante lembrar os parâmetros que definem a educação à distância (segundo a lei 9.057): educação mediada por um meio tecnológico com o uso de uma plataforma para a aplicação de recursos didáticos e para fazer acompanhamento e avaliação.

Diferente de cursos ou escolas que iniciam suas atividades com o desenho da grade curricular pensada para modalidades à distância, a maioria das escolas precisou adaptar sua rotina para a nova realidade.

“Escolas com familiaridade com o EaD precisaram de adaptações apenas para usufruir melhor dos benefícios de suas plataformas, na situação oposta, o uso de recursos de videoconferência como o Hangout, Meet e Zoom, entre outros, viraram importantes ferramentas para atravessar a crise”, afirma Camila.

 

Síncronos e assíncronos

Momentos síncronos são aqueles em que todos estão juntos, tanto no presencial quanto no online. A webconferência ou qualquer outra maneira de estabelecer uma atividade coletiva e simultânea,  a interação instantânea tem a vantagem de permitir a sensação de presença.

Logo, no assíncrono, a interação não é em tempo real e os participantes não estão conectados ao mesmo tempo. “Eles não estão trabalhando juntos naquele momento, cada um está direcionando suas atividades de uma maneira mais autônoma e independente”, explica Camila.

O desafio de ter autonomia, foco e disciplina para levar adiante as atividades assíncronas, pode ser uma janela de oportunidades para que todos avancem no desenvolvimento destas competências, e ainda, gerar valor para os momentos de encontros – presenciais ou não.

“Em escolas onde a EaD já era uma realidade, as atividades assíncronas e síncronas no módulo online já eram contabilizadas como horas de aprendizado, considerando as atividades realizadas pelo aluno”, comenta Camila.

O ideal, segundo a Diretora Pedagógica da Geekie, é intercalar os dois momentos no caso das escolas que estão mantendo o esquema e horários da grade curricular, mesmo assim, é possível fazer pequenas adaptações como começar um pouco mais tarde e terminar mais cedo, evitando o cansaço dos alunos. Camila sugere cinco dicas para organizar as atividades de EaD, são elas:

 

1. Combine

Estabelecer “combinados” de boas práticas com a turma e orientar como se comportar na aula à distância, regras de etiqueta na internet, o que se espera de cada parte envolvida, inclusive das famílias, são boas formas de começar bem as aulas remotas. 

Esse combinado pode ser feito coletivamente como uma primeira atividade antes do início das aulas. Alguns exemplos:

  • Usar apenas um dispositivo para a aula (computador, tablet ou celular), de modo que o aluno não divida atenção com outra tela.
  • Reforçar a honestidade em momentos assíncronos: comprometimento e foco em atividades do contraturno.
  • Usar fones de ouvido: para as aulas online a utilização dos fones evita ruídos de microfonia e ainda isola sons externos, contribuindo para o foco do aluno no conteúdo da aula.
  • Deixar o microfone mudo: quando alguém está falando, os demais devem deixar o microfone no modo silencioso para evitar interferência.
  • Manter a câmera ligada para que todos possam se ver. Em tempos de distanciamento, poder ver os demais colegas reforça a sensação de pertencimento e engajamento.
  • Ambiente organizado: oriente para que todos procurem locais silenciosos e bem iluminados para aula, avisando o horário de início e fim das atividades aos demais moradores da casa, de modo a evitar interrupções.

 

2. Use o chat e compartilhamento de tela

Os aplicativos de videoconferência disponibilizam recursos como sala de bate-papo (chat), onde todos podem contribuir com comentários, perguntas ou sugestões durante a videochamada. Pedir feedback aos alunos após explicação é uma maneira de reforçar a atenção no conteúdo. Para facilitar a apresentação, avise que olhará as interações no chat a cada 20 minutos, por exemplo, assim fica mais fácil gerenciar os recursos da aula sem perder a atenção com muitas informações ao mesmo tempo.

Outro recurso é o compartilhamento de tela onde é possível mostrar a tela inteira ou uma janela específica, facilitando a visualização de imagens, apresentações, planilhas e gráficos.

 

3. Diversifique a prática pedagógica

Adote práticas ativas e evite usar apenas a aula expositiva onde só o professor fala, com pouco tempo para colaboração e interação dos alunos. “O aprendizado acontece quando estimulamos o pensamento do estudante para que eles, de fato, façam conexões e gerem compreensão”, ressalta. Diferentes práticas ajudam aumentar a autonomia e o engajamento, portanto, experimente aliar exposição, explicação direta, indireta e discussões em grupo.

 

Assista aqui a conferência online completa com a Diretora pedagógica da Geekie, Camila Karino

 

4. Momento síncrono com foco

Evite expor todo o conteúdo em uma única intervenção. Divida a apresentação em intervalos menores e intercale com espaço para tira-dúvidas. Assim, é possível analisar no momento da aula quais os pontos da explicação que ficaram frágeis e que precisam de reforço.

 

5. Sala de aula invertida e aprendizagem ativa

Com a metodologia da sala de aula invertida a autonomia dos alunos é estimulada. Com a orientação do professor, os alunos estudam o conteúdo previamente para a próxima aula. A ideia é que eles tenham repertório para discutir o tema proposto que será aprofundado com a mediação do professor e discussão com os colegas.

 

Geekie

A Geekie é uma plataforma de soluções educacionais como recursos de aplicação de avaliações externas para gerar informações sobre o desenvolvimento cognitivo de cada aluno e assim direcionar decisões pedagógicas; aplicativo de preparação para o Enem e vestibulares – responsável pelo primeiro simulado on-line em escala nacional, além de uma plataforma de apoio ao corpo docente, pioneiro na elaboração de trilhas de aprendizagem personalizadas para cada aluno, entre outras soluções.

 

A Geekie também preparou um guia completo com dicas e orientações sobre dinâmicas de aulas virtuais, planejamento de atividades e conteúdos pedagógicas para garantir que os alunos do seu colégio continuem a aprender durante esse período de combate ao  COVID-19. Acesse o material aqui!

Comentários