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A retomada das aulas presenciais obrigatórias em São Paulo, Rio de Janeiro e outros estados não encontra consenso entre especialistas em educação. As divergências sobre o fim do ensino híbrido ou remoto enquanto o país ainda enfrenta um cenário pandêmico foram expostas nesta segunda-feira (25), em audiência pública da Subcomissão Temporária para Acompanhamento da Educação na Pandemia. Senadores e especialistas concordaram, no entanto, que é preciso agir para recuperar o déficit educacional provocado pela pandemia.

Apesar da queda no número de mortes com o avanço da vacinação, a coordenadora-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Andressa Pellanda, considera que “não é admissível” que todos os estudantes e profissionais de educação sejam obrigados a comparecer às escolas. 

“Essa questão da obrigatoriedade não é admissível neste momento porque ainda temos o desafio da vacinação de crianças e adolescentes e de completar o ciclo de vacinação das pessoas adultas. A gente ainda está em um estado de precaução e de alarme em relação aos casos e óbitos. Não podemos pensar que a pandemia acabou”, afirmou.

Já o líder de Relações Governamentais do Todos pela Educação, Lucas Fernandes Hoogerbrugge, considera oportuno o retorno às aulas presenciais, desde que respeitados os protocolos sanitários. Hoogerbrugge destacou que o Brasil foi um dos países que fechou mais tempo suas escolas durante a pandemia, e os estudantes de famílias mais pobres foram os mais prejudicados com aulas remotas.

Levantamento do Data Favela apontou que mais da metade (55%) dos estudantes de favelas do Brasil estão sem estudar durante a crise sanitária, relatou. Parte (34%) não consegue participar por falta de acesso à internet, e outra parcela (21%) não está recebendo as atividades da escola ou faculdade na qual está matriculada.

“A não obrigatoriedade tende a excluir os mais vulneráveis. Precisamos cobrar das autoridades as condições adequadas das escolas. Os gestores públicos estão tendo que tomar decisões muito difíceis”, argumentou.

Atraso educacional

Se o momento do retorno integral às aulas presenciais divide opiniões, os debatedores convergem na avaliação de que é possível resgatar o atraso educacional ocasionado pela pandemia. Em abril, o Unicef, braço da Organização das Nações Unidas (ONU) para a infância, alertou que o Brasil pode retroceder duas décadas no acesso à educação.

O presidente da subcomissão, Flávio Arns, afirmou que, 20 meses depois do início da pandemia, as dificuldades para os estudantes continuam as mesmas, especialmente para os de renda mais baixa.

Para tentar reverter o problema, Hoogerbrugge defende que no curto prazo os gestores fortaleçam as redes de proteção social, acolhimento e promoção da saúde mental, além de medidas que incentivem a permanência de estudantes nas escolas. Investimento em infraestrutura, inclusão digital e ampliação do tempo de qualidade no processo de ensino-aprendizagem são outras respostas para recuperar o tempo perdido, segundo o representante do Todos pela Educação. 

Impacto da pandemia

Este foi o primeiro debate promovido pela subcomissão, instalada pelo Senado neste mês para avaliar os impactos da pandemia na educação básica e propor caminhos para a recuperação.

A subcomissão terá ainda mais uma audiência na próxima semana para analisar o cenário da educação no Brasil durante as crises econômica e sanitária causada pelo novo coronavírus.

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