inovação na sua escola

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Como estimular a inovação na sua escola?7 min de leitura

Com a presença crescente da tecnologia dentro das instituições e organizações, o conceito de inovação parece ter se tornado seu sinônimo imediato. Mas o simples investimento em ferramentas resolverá os desafios das escolas em inovar para crescer?

Compreendendo inovação como resultado da capacidade de criar soluções para problemas previamente identificados e como algo que vem de dentro para fora, a aquisição em si de uma tecnologia não é suficiente para garantir que sua escola seja inovadora – ao passo que as ações que promovam a geração de uma cultura empreendedora e de inovação em toda equipe, podem sim ser determinantes.

Mas como desenvolver essa postura inovadora dentro dos colégios?

Para Vahid Sherafat, CEO da ClassApp, o primeiro passo é criar condições para que todos desenvolvam a habilidade de fazer uma leitura dos problemas que cercam a instituição, com objetivo de identificar o que os impede de seguir em frente.

Também importante desde o ponto de partida, é ter em mente que a capacidade de inovar é inerente a todo ser humano e não deve ficar centralizada nos cargos de decisão. “É responsabilidade de todo mundo inovar dentro da sua esfera”, defende Sherafat. Ou seja, para ser consistente, ela precisa ser cultivada pelos gestores e estimulada em toda a equipe, evitando repetir processos que já se provaram ineficientes e arraigados.

“Inovar é algo que nasce de uma cultura empreendedora que precisa ser estimulada, cultivada e nutrida pelos líderes das organizações”.

 

Pensar fora da caixa

Estimular a capacidade de “pensar fora da caixa” e de criar ambientes que instiguem a busca por alternativas, sem pressões para respostas imediatas, também pode contribuir para alcançar esse objetivo. “Inovar é usar o espírito da investigação. Por isso, não há problemas em deixar perguntas em aberto quando se dedica energia e criatividade para trazer à luz a solução”, define Sherafat.

Ele aponta que a cultura inovadora não se fixa na dicotomia entre conseguir ou não fazer algo, e sim, na constante busca por respostas, por meio da criação de espaços que incentivem a reflexão, a troca de ideias e que permitam que o time prossiga para a etapa de criação.

Para Flávio Pripas, CEO do Cubo Itaú – espaço de coworking que estimula empresas a desenvolverem uma cultura empreendedora – a chamada “etapa incremental” pode ser determinante para trazer resultados positivos ao processo. Utilizado pelas startups, que hoje são referências em inovação e em crescimento escalável e eficiente, este modelo consiste em manter os projetos ou ideias sempre abertos a “novas versões”, ou seja, recebendo constantes incrementos para chegar na concepção “ideal”.

“Neste processo, a empresa identifica aonde quer chegar, o futuro que deseja construir e passa a aplicá-lo com iniciativas de inovação, de forma incremental. Observamos que as pessoas estão mais abertas a participar quando atuam neste formato”, observa Pripas, que afirma que essa postura pode ser aplicável a todos tipos de negócios.

 

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Resolução de Problemas como ponto de partida

No universo das escolas particulares, onde é cada vez mais necessário desenvolver atividades com menos recursos, ter um olhar inovador pode ser um diferencial não apenas de mercado, mas também, ter reflexos diretos na qualidade da formação dos alunos.

O NEI (Núcleo de Educação Integrada) da Fundação Romi, de Santa Bárbara d’Oeste, por exemplo, encontrou uma forma de integrar os conteúdos abstratos do currículo escolar à vida prática dos alunos, inovando na sua metodologia. A escola trabalha com alunos do ensino fundamental, através de uma proposta pedagógica que estimula os estudantes ao protagonismo. Com objetivo de despertar um know-how semelhante ao das startups do Vale do Silício, o aprendizado é baseado em problemas (Problem-Based Learning – PBL) que são usados como contexto para desenvolver os conteúdos.

“Nossa proposta pedagógica é considerada mais eficiente porque ela leva os alunos a serem agentes do seu próprio aprendizado. As pesquisas indicam que quanto mais estiverem à frente do processo, mais eles agem e desenvolvem habilidades importantes, principalmente no mundo atual onde vivemos”, explica a diretora Ericka Vitta.

O conteúdo das aulas é fundamentado em um tema central – em 2018, por exemplo, o tema é “Homem: a medida de todas as coisas” – e a partir dele são planejadas atividades sob diferentes óticas, como direitos humanos, ética, saúde, família, valores, e também vivenciadas nas disciplinas “tradicionais”, como português, gramática e matemática. Nesse modelo, os professores atuam como tutores (ou facilitadores).

Os resultados positivos, segundo Ericka, vão além dos altos índices que a escola tem na aprovação dos seus estudantes nos cursos técnicos (cerca de 95%) e refletem na formação conjunta dos jovens que tende a se tornar futuros profissionais com visão mais holística, cosmopolita, e, claro, inovadora. “Se pensarmos em mundo que necessita de resolução de problemas, esses jovens farão a diferença”, aponta.

 

Tempo de aula estendido

No Centro Educacional Espaço Integrado, do Rio de Janeiro, o desafio era tornar os alunos mais participativos no processo de aprendizado. Depois de refletirem sobre a questão, os professores do colégio conseguiram identificar o cerne do problema: o tempo de duração das aulas era insuficiente para permitir a interação dos estudantes. A partir daí, os docentes passaram a clamar por aulas mais extensas e hoje, as aulas na instituição possuem 75 minutos de duração, diferente dos tradicionais 50 minutos. “Romper com o modelo expositivo foi a melhor estratégia”, conforme narra a diretora Luciana Paschoal Soares.

O resultado foram aulas mais dinâmicas, que permitem apresentações de vídeos, trabalhos em grupo e atividades externas melhor desenvolvidas. “Os professores gostam muito de trabalhar com esse tempo estendido. Eles podem planejar atividades de maior qualidade e de interação com os alunos, que se tornam mais atuantes no processo de aprendizagem”, apontou a diretora.

Além da duração das aulas, o colégio também precisou buscar saídas criativas para outro desafio, que era reestabelecer o foco dos estudantes nas aulas que sucediam o intervalo. Apelidado de “quintal”, o período de volta às salas de aula inclui agora um tempo de relaxamento, antes de dar continuidade ao aprendizado. Para isso, a escola capacitou seus docentes em cursos de yoga e terapia corporal, que agora são aplicados para retomar o foco dos alunos.

 

Inovar é correr riscos?

Se inovar é sair do lugar comum e criar soluções até então não identificadas, é preciso ter prudência para evitar riscos financeiros e ideológicos ao negócio? Sherafat defende que é possível desenvolver uma cultura inovadora, sem criar ameaças ao desenvolvimento da empresa. Para isso, ele aponta que é imprescindível ter um plano B.

“Consigo inovar sem arriscar, mas preciso saber que não consigo inovar sem errar, porque estou falando de coisas desconhecidas. Então, preciso ser estimulado a entender os riscos, de forma cautelosa, traçando sempre um plano B”, explica.

Flávio Pripas compartilha da opinião. Para ele, é importante que as escolas sejam espaços de constantes “erros e acertos”, já que esse é, para ele, o legítimo caminho da inovação.

“A escola precisa ensinar a errar, a fracassar. Os professores devem apresentar projetos que possam dar errado para que depois os alunos sejam levados a entender as razões do erro e a criar soluções”, avalia.

Que soluções e metodologias inovadoras você têm aplicado na sua escola? Quais foram seus erros e acertos? Não deixe de compartilhar tudo isso conosco nos comentários!

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