Educação inclusiva: o que é, por onde começar e como transformar a sua escola
Inovação e Gestão

Educação inclusiva: o que é, por onde começar e como transformar a sua escola

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Estima-se que 15% da população mundial – cerca de um bilhão de pessoas – tem algum tipo de deficiência. O dado extraído do Relatório Mundial sobre a Deficiência, produzido pela Organização das Nações Unidas (ONU), também indica que a falta de acessibilidade em ambientes construídos, sistemas de transporte e comunicação é uma das principais barreiras enfrentadas pelas pessoas com deficiência (PcD).

Políticas e padrões inadequados, atitudes negativas e problemas na prestação de serviços também se configuram como barreiras incapacitantes e que geram diversas desvantagens para este público. Quando o assunto é o acesso à educação, por exemplo, a situação é mais grave; o relatório mostra que crianças com deficiências são menos propensas a iniciar a vida escolar e apresentam taxas mais baixas de permanência e aprovação nas escolas. 

Em seu relatório, a agência também traz recomendações para enfrentar as barreiras incapacitantes. No que diz respeito ao acesso à educação, as principais urgências para um ambiente educacional inclusivo são:

  • Criação de sistemas educacionais centradas no estudante com deficiência;
  • Mudanças nos currículos, nos métodos e materiais de ensino;
  • Mudanças nos sistemas de avaliação e exame.

Para Guilherme Camargo, Apple Professional Learning e fundador da Sejunta, empresa de tecnologia focada na implantação e gestão de tecnologias Apple, a educação inclusiva não é mais uma discussão opcional. “Nós realmente precisamos considerar a inclusão dentro do processo, principalmente, de ensino-aprendizagem”, alerta.

Justamente com objetivo de fazer com que todos alunos possam criar, aprender e se desenvolver, sem exceções, a Sejunta atua na implementação de projetos inovadores nas escolas. Do iPad ou Mac, todos os dispositivos Apple possuem recursos de acessibilidade para garantir uma experiência de aprendizagem efetiva. 

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Educação inclusiva x educação especial: há diferença?

Vejamos abaixo duas definições extraídas das principais políticas educacionais inclusivas brasileiras:

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação – (LDB) ou Lei Nº 9.394 de 20/12/1996, define a educação especial como:

“Modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação”.

Já a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008), constitui a educação inclusiva, como:

“Um paradigma educacional fundamentado na concepção de direitos humanos, que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis, e que avança em relação à ideia de equidade formal ao contextualizar as circunstâncias históricas da produção da exclusão dentro e fora da escola”.

Em síntese, a educação inclusiva tem como princípio uma educação que valoriza a igualdade e a diferença. Por esse motivo, ela abarca também a educação especial que, por sua vez, visa o atendimento a alunos com necessidades especiais (deficiências, transtornos globais e superdotação).

“A escola inclusiva não se trata somente de educação especial, se trata também disso, mas o seu principal objetivo é o rompimento da exclusão de minorias de uma maneira geral, e criar espaço para o debate é fundamental”, completa o fundador da Sejunta. 

Principais desafios da educação inclusiva no Brasil

A exclusão de minorias, mencionada pelo fundador da Sejunta, diz respeito essencialmente à separação dos alunos com deficiência dos demais no contexto formal de aprendizagem, sob a justificativa que para serem melhor cuidados, tais alunos precisavam ser educados em um ambiente diferente. 

“Tínhamos uma educação especial que considerava pessoas com deficiência como alheias a essa estrutura de sala de aula que costumamos ver na sociedade de maneira geral, e o ruim desse processo é que há segregação, uma exclusão”, explica. 

Essa barreira é rompida justamente com a concepção da educação inclusiva, que inclui as crianças com necessidades especiais na educação formal, junto com os demais. Porém, a adoção de projeto pedagógico inclusivo ainda é um desafio para a maioria das escolas brasileiras, a começar pela estrutura.  

“Quando pensamos nos três pilares da comunidade, que seriam a escola, os alunos e os professores, já começa pela questão da estrutura da escola. É preciso pensar como pode ter um ambiente de sala de aula acolhedor para todas as diferenças, pensar também como preparar o professor para ter um atendimento melhor e saber como trabalhar essas diferenças dentro de sala de aula, e claro, trazer esse assunto sempre para a discussão com os alunos para ver como eles estão se sentindo”, pontua Yuri Ribeiro, coordenador de educação da Sejunta.

Como montar uma escola inclusiva?

Nas perspectivas de Guilherme e Yuri, a educação inclusiva se trata de justiça, equidade racial e diversidade. Assim, o primeiro passo para se construir uma escolas nesses moldes, é rompendo com a exclusão de minorias e fomentando o debate sobre o tema. 

1º passo: crie espaços de debate

“Quando criamos espaço para esse debate, automaticamente temos envolvimento e engajamento da comunidade, estudantes, educadores, comunidade, como os responsáveis, pais, família de maneira geral, e esse envolvimento gera discussão”, sugere Guilherme.

A Apple criou o “Iniciativas para equidade e justiça raciais”, um guia de discussões e livro de exercícios, com várias sugestões de como criar um espaço de debate dentro da escola. O documento é baseado em uma estrutura de Aprendizagem Baseada em Desafios para ajudar gestores e professores a fazerem perguntas e delinear soluções. 

O fundador da Sejunta também acredita que a criatividade pode ser utilizada para estimular debates. Alguns dispositivos da Apple, como o iPad, possuem funcionalidades que podem ser utilizados de forma criativa e interativa, através de vídeo, fotografia, música e desenho.

2º passo: utilize tecnologias assistivas e acessibilidade

De acordo com Guilherme, as tecnologias assistivas e acessíveis podem vir em formato de dispositivos, como um iPad ou um aparelho auditivo, mas também podem ser qualquer outra tecnologia. Já os serviços são os mais diversos possíveis, sejam digitais ou não,  e contemplam, por exemplo, publicações em braile e serviço de VoIP (voice over IP). 

A Apple tem uma série de tecnologias assertivas e recursos de acessibilidade que podem ser utilizados dentro da sala de aula. Para melhor entendimento, a equipe do Sejunta os divide em quatro campos:

  • Visão: Voiceover (leitor de tela) + Braille, lupa, audiodescrição, etc.;
  • Audição: FaceTime, adaptações de fone de ouvido, aparelhos auditivos Made for iPhone,etc.;
  • Mobilidade: AssistiveTouch, controle por voz,  App Atividade, etc.;
  • Cognição: Siri, leitor do Safari, acesso guiado, etc.

3º passo: adote uma implementação facilitada

“Quando se trata da adoção de tecnologias e recursos assistivos, por exemplo, precisamos considerar que cada um tem uma maneira única de aprender, e quando respeitamos essa individualidade, começamos a fazer uma inclusão efetiva”, destaca Guilherme.

Essa implementação facilitada consiste, por exemplo, em entregar um dispositivo para um estudante ou educador já com os recursos assistivos instalados e até mesmo personalizar ao máximo possível o recurso disponibilizado. 

Por fim, todo esse passo a passo pode ser enxergado dentro de uma equação, que é a chamada equação da escola inclusiva: 

“Eu gosto muito de pensar que a inclusão começa quando de fato escutamos quem precisa ser incluído. Então, quando criamos estratégias de colaboração, vem os métodos ativos, vem as tecnologias, vem o educador que está habilitado para fazer esse processo de inclusão efetiva […] a partir da orientação dele adotamos estratégias, métodos e tecnologias que vão facilitar a inclusão dele de fato”, conclui Guilherme. 

 

Assista a palestra completa:

Como montar uma escola inclusiva?

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