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Se você mora em uma grande cidade no Brasil, provavelmente já viu alguma academia do grupo Smart Fit,  líder no segmento de empresas low cost (“baixo custo”) no país. A primeira academia da rede foi aberta em 2009 e hoje já são mais de 450 unidades no país. As empresas low cost fazem parte de um fenômeno mundial que se baseia na escalabilidade para conquistar o mercado: baixo custo com alta qualidade de serviços.

No segmento da educação também existe uma onda de abertura de escolas low cost com alta qualidade de ensino. São escolas privadas com mensalidades baratas para os padrões do país e ensino metodológico de vanguarda, nos mesmos moldes das escolas privadas para famílias de alta renda. Nas escolas low cost, as mensalidades giram entre 500 e 800 reais.

As escolas privadas com preço mais acessível no Brasil geralmente são escolas de bairro, com preços que giram em torno de R$1.000,00, mas muitas vezes com qualidade de ensino que deixa a desejar. Enfrentam, por exemplo, dificuldades para levantar um projeto pedagógico consistente.

“O custo das escolas tem basicamente a ver com dois fatores: salário de professores e localização. Por isso em São Paulo a escola é sempre mais cara. O preço da mensalidade de uma escola de Pinheiros não tem nada a ver com o preço de uma escola na Penha. Na mesma cidade o panorama muda drasticamente de bairro para bairro”, explica Gunther Mittermayer, fundador da Escola Mais, um dos grupos que vem se destacando no segmento de escolas de baixo custo no Brasil.

 

A demanda

As escolas low cost foram criadas para satisfazer, majoritariamente, a demanda do público classe C que tem filhos em escolas públicas. Pessoas que aumentaram seu poder aquisitivo e fazem questão de destacar parte desse incremento de renda em educação, matriculando seus filhos em escolas particulares boas e baratas. 

Mas as escolas low cost miram também, ainda que em menor escala, famílias com crianças e adolescentes que sempre estudaram em escolas privadas, mas que precisam reduzir custos por causa da queda do poder aquisitivo nos últimos cinco anos.

Segundo o Censo Escolar realizado em 2018 pelo Inep (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais), o Brasil tem 48,5 milhões de alunos na educação básica, que abrange educação infantil (para crianças até 5 anos), ensino fundamental (para alunos de 6 a 14 anos) e ensino médio (para alunos de 15 a 17 anos).

Desse total de alunos na educação básica, 39,5 milhões estudam em escolas públicas, ou seja 81,4%. Mas o número de alunos em escolas públicas vem diminuindo. Uma pesquisa feita pela empresa de consultoria EY Parthenon aponta que o número de alunos de escolas públicas (educação básica) caiu cerca de 8% entre 2013 e 2017, enquanto as matrículas na rede privada aumentaram em 7%. Os números mostram prioridade dos pais com investimento em educação, apesar dos recentes momentos de crise vividos pelo país.

As pesquisas indicam ainda que até um milhão de estudantes de escolas públicas podem migrar para escolas privadas com mensalidades baratas até 2023. Isso se houver, de fato, a esperada recuperação da economia e o aumento do poder aquisitivo das famílias brasileiras.

Fatores como crise econômica e um esforço cada vez maior de famílias de oferecer educação de qualidade provocaram esse aumento da demanda por escolas privadas e incentivaram o investimento em escolas low cost.

 

Mas como é exatamente o conceito Low Cost com alta qualidade de ensino?

A proposta das escolas low cost de alta qualidade de ensino é oferecer uma educação de vanguarda com preço reduzido. As mensalidades do período básico não passam de R$ 750,00 e os alunos têm acesso diariamente a aulas de inglês e a laboratórios maker – para aprender com a mão na massa. Essas escolas têm forte base tecnológica/digital em todas as disciplinas, desenvolvem as habilidades sócio-emocionais e estão localizadas em imóveis que contam com ótima infraestrutura, com espaços especificamente projetados para atender os alunos. Exatamente como nas escolas privadas de primeira linha.

 

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Para pais e alunos, o grande diferencial dessas escolas de baixo custo é pagar uma mensalidade mais barata por uma educação de mais qualidade, escapando das inconstâncias e das inseguranças de muitas escolas da rede pública,  sobretudo por temas relacionados à violência em áreas de alta vulnerabilidade social.

Para as escolas de baixo custo, a principal diferença é trabalhar com uma gestão mais eficiente – o que possibilita cobrar dos alunos mensalidades mais enxutas e ganhar na economia de escala. Ao contrário das escolas para famílias de alta renda, essas instituições precisam ter uma forma diferente de operar, focando no volume de matrículas para que as contas fechem. Isto quer dizer que as escolas low cost operam, geralmente, em espaços físicos proporcionalmente mais reduzidos para facilitar a manutenção; organizam seus espaços no estilo coworking, ou seja, funcionários trabalham em mesas comunitárias (nada de salas individuais); alunos fazendo rodízio de salas e espaços abertos e com funcionários multitarefas, ou seja, desempenhando mais de uma função.

 

As Escolas Low Cost pioneiras no Brasil

Um dos grandes grupos que aposta nesse novo segmento é o SEB – Sistema Educacional Brasileiro. Tido como um dos maiores conglomerados educacionais do país, e líder em educação básica, o grupo SEB lançou recentemente a Escola Luminova – a primeira rede de escolas acessíveis do Brasil. A aposta é, justamente, oferecer uma educação inovadora e de qualidade por baixo custo.

Outro grupo que decidiu apostar no segmento de educação low cost no Brasil é o Bahema Educação – um dos maiores investidores do grupo Escola Mais. O Bahema investe em educação desde 2017 em grandes capitais como Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.

Um terceiro nome com destaque no segmento é a Escola Vereda, também fundada em 2017, com a unidade de Santo André, no ABC paulista.

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