6 min de leitura

“Infelizmente, a gente não vai poder mais contar com o reajuste do valor das mensalidades como uma fonte de recurso ou de alívio para o orçamento escolar em curto e médio prazo”

Impactante à primeira vista, a fala de Danilo Costa, sócio-fundador da fintech Educbank, é um alerta aos mantenedores da educação básica, mas também um convite para explorarem novas formas de lidar com a inadimplência escolar e sobreviver à crise causada pela pandemia.

Apesar de intensificar-se nos últimos meses, a inadimplência escolar não é um problema recente. Ela alimenta um ciclo vicioso – que logo falaremos mais a frente-, e compromete toda a gestão financeira da instituição, fazendo com que o aumento das mensalidades seja visualizado como o único canal de financiamento das escolas.

Contudo, como explica Danilo, essa já não é uma solução saudável. Ao fazer uma análise do segmento da educação na última década, ele constatou que os reajustes das mensalidades da creche, educação infantil, fundamental e ensino médio obedecem uma tendência de crescimento em linha, uma mais que outras, mas sempre muito acima do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Financiamento, mensalidades e o impacto no orçamento familiar

Imagem: Educbank

Hoje, segundo estimativas, uma família de classe C compromete 25% da renda com a educação das crianças, enquanto uma família de classe A consome 15%. Com o agravamento da crise em função da pandemia, as famílias já não conseguem absorver novos reajustes.

Eis o desafio: como os gestores podem melhorar a gestão financeira da escola, sem sobrecarregar as famílias e comprometer o próprio negócio? É sobre isso que vamos falar nos próximos parágrafos. Continue a leitura! 

Como funciona o ciclo vicioso da inadimplência escolar

“A inadimplência gera um ciclo vicioso na gestão de toda escola particular. O fato de existir inadimplência faz com que a gente fique com déficit de capital de giro, criando um buraco no caixa que ao longo do ano dói muito. Só quem já foi ou é dono de escola, ou trabalha na gestão, sabe o quanto dói ficar noites sem dormir em função da inadimplência”, desabafa Danilo.

Ainda segundo ele, as alternativas para financiar o capital de giro, especificamente na educação básica, são raras para não se dizer nulas. Assim, muitos mantenedores optam por aumentar o preço das mensalidades para obter esse capital, o que acaba gerando um ciclo vicioso.

“Isso faz com que a inadimplência piore ainda mais no ano letivo seguinte, porque tivemos que aumentar o valor da mensalidade como fonte de recurso. Além disso, […] estudos indicam que até 30% da agenda da gestão escolar e mais de 50% da gestão escolar acaba sendo direcionada para assuntos financeiros e/ou administrativo”, completa.

Recapitulando, o ciclo vicioso da inadimplência funciona da seguinte forma:

Fluxo de inadimplência escolar

 

Confira também:

Pais reclamando de preço? Descubra a melhor estratégia

Disrupção tecnológica: ameaça ou oportunidade? 

Diante de toda a situação da pandemia e o ciclo vicioso da inadimplência, muitas escolas seguem de maneira resiliente. Mas essa é uma posição que não as permite iniciar projetos ousados e realizar investimentos para mudarem sua estrutura e realidade.

Por outro lado, esse cenário adverso acelerou a transformação digital na educação. Mas olhando o setor por uma perspetiva em nichos, o sócio-fundador do Educbank identificou algumas ameaças e oportunidades:

“A gente vê nichos que estão em uma combinação de impacto, tanto dos efeitos da COVID, quanto dos efeitos das disrupções tecnológicas. Esses são os nichos que devem ser mais impactados”. Ex.: publicações editoriais e treinamentos corporativos.

“Há nichos que não estão sendo afetados pelas disrupções tecnológicas, não estão sendo afetados pela agenda digital, mas sim pelos efeitos do Coronavírus […] A gente tá vendo o aumento da inadimplência e um nível de evasão maior ”. Ex.: creches e educação infantil.

“A gente tem uma coisa muito interessante que esse último ano mostrou. O quanto ensino fundamental e médio se mostraram um nicho extremamente resiliente e o quanto eles estão bem preparados e posicionados para conseguir enfrentar os desafios, se reinventar e pensar em soluções, mesmo frente aos efeitos do Coronavírus e das disrupçõs”. 

Ainda falando sobre o setor de educação básica, no que tange a novas soluções e opções financeiras para o setor, Danilo enxerga desafios e, ao mesmo tempo, boas oportunidades:

“Quando a gente olha para as linhas de crédito e para os bancos tradicionais, a gente, infelizmente, não os vê bem posicionados para conseguir servir o setor com as condições específicas que ele precisa […]  Ao mesmo tempo, a gente percebe que um movimento de fintechs, novas startups e novas soluções especificamente dedicadas à educação básica, que realmente levam muito a sério o nosso setor estão surgindo”. 

A proposta de inadimplência ZERO do Educbank

O Educbank é uma dessas fintechs que chegou para revolucionar a gestão financeira das escolas, com foco no fim da inadimplência escolar. Atualmente, a empresa apoia as escolas brasileiras para que possam ter todas as condições e oportunidades de focar sua energia no projeto pedagógico, nas atividades e em todas as atividades estratégicas.

O sistema de pagamento das mensalidades do Educbank, de forma pioneira, garante seu  recebimento pela escola mesmo em casos de atraso por parte dos responsáveis financeiros. Esse modelo garante à escola benefícios como inadimplência zero, aumento da rentabilidade e tempo extra.

Para garantir acesso aos serviços do Educbank, a escola interessada passa por uma avaliação que envolve a análise de diversos critérios. O sócio-fundador da fintech explica:

“A gente desenvolveu algoritmos que analisam o histórico pedagógico, acadêmico, operacional das escolas. O Educbank olha a rotatividade dos professores, a evasão de alunos, o resultado da escola nos principais índices acadêmicos […]  Então, isso permite ver se as escolas, embora não sejam financeiramente maduras, realmente têm uma percepção de qualidade por parte das famílias e conseguem entregar um bom serviço”.

Mesmo que não seja aprovada na análise, a escola recebe um diagnóstico do negócio que mostra onde estão os gargalos e quais são os processos de recebimento e cobrança que podem ser melhorados. 

Assista à palestra completa:

Inadimplência escolar: novas soluções para um velho problema

Comentários