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A pandemia trouxe à tona a necessidade de adaptação a um “novo normal”. No âmbito escolar, isso inclui a adoção do ensino híbrido, a convivência com a crise e a adaptação aos protocolos de saúde. Em resumo, são várias mudanças que exigem o desenvolvimento de habilidades e competências, tanto por parte dos gestores, professores e estudantes.

Os pais também devem ser enxergados e inseridos nessas mudanças. Isso porque, com a suspensão das aulas presenciais e adoção do ensino remoto, eles assumiram um papel de mediadores e corresponsáveis pela educação dos filhos. Então, muito deles estão vivenciando algo novo e completamente diferente do que estavam habituados.

Luizinho Magalhães, especialista em formação de professores, com MBA em gestão escolar e inovação na educação e diretor acadêmico da rede Luminova, acredita que os pais perderam a referência no formato de educação. Afinal, eles passaram por um processo educacional diferente, com metodologias tradicionais e pouco, ou quase nada, inovadoras.

“Sempre se propagou que uma das maiores resistências eram os professores, mas não são os professores, são as famílias, porque elas não receberam uma educação inovadora, e sempre colocam uma resistência quando a gente faz um processo de ensino-aprendizagem inovador”.

Ele ainda traz sua experiência na Luminova que adota metodologias 100% inovadoras nas aulas, alicerçadas em cinco pilares: inglês todos os dias, professores influenciadores, tecnologia aplicada, estrutura e segurança. Mas, ainda assim, muitos pais exigem um modelo de ensino tradicional. “Temos a cobrança do pai para que a gente volte para a caixinha”, descreveu gestor. 

Então, nesse sentido, a perda de referência não é ruim, muito pelo contrário, é uma oportunidade de inovar e colocar em prática novas experiências da educação 4.0 para as crianças 4.0. “Em um modelo mais tradicional, você fica quieto e escuta, como é difícil, e os pais estão reconhecendo isso agora, como é complexo o trabalho em sala de aula.”, exemplifica. 

 

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Heutagogia e Andragogia como estratégias para o desenvolvimento de competências

A pandemia obrigou muitas escolas a inovarem e adaptarem seus métodos de ensino para uma nova realidade. Nesse sentido, abriu-se também espaço para se pensar em outras metodologias de ensino-aprendizagem.

O diretor acadêmico da Luminova afirma que dois conceitos da pedagogia, heutagogia e andragogia, podem trazer boas oportunidades para o desenvolvimento de competências do século XXI.

O termo heutagogia refere-se ao processo educacional que coloca os estudantes como responsáveis por sua aprendizagem. Enquanto a andragogia, por sua vez, está relacionada à arte ou ciência de orientar os adultos a aprender.

Você, gestor, consegue visualizar novas oportunidades para sua escola a partir dessas práticas? Para te auxiliar nessa reflexão, trouxemos abaixo algumas das principais competências para o século:

  • Competências cognitivas:
    • Pensamento crítico;
    • Tomada de decisão;
    • Tecnologia de comunicação;
    • Inovação;
    • Criatividade;

 

  • Competências intrapessoais:
    • Aprendizado contínuo;
    • Autonomia;
    • Cidadania;
    • Autodidatismo;
    • Autocuidado;

 

  • Competência interpessoais:
    • Comunicação;
    • Trabalho em equipe;
    • Liderança;
    • Empatia;
    • Influência social.

 

Luizinho enxerga que os conceitos da andragogia e da heutagogia podem ser adaptados para o novo normal, principalmente para o desenvolvimento da autonomia em jovens – princípio básico da heutagogia.

“Nunca esses jovens e essas crianças tiveram tanta oportunidade de desenvolver a sua autonomia, a busca do conhecimento por eles mesmos, porque saiu do controle, das mãos dos professores, essa vigilância o tempo todo na aquisição do conhecimento, ou essa entrega, vamos dizer assim, de mão beijada do conteúdo, do conhecimento para os alunos”.

De acordo com especialista, o desenvolvimento da autonomia estimula, também, a refletir sobre a arquitetura de conteúdo e suas divisões básicas: virtual e ao vivo.

Ele traz como exemplo, o modelo pedagógico da Luminova, que utiliza a tecnologia a serviço do processo de ensino-aprendizagem, e foi crucial para implantação do ensino a distância na pandemia.

“No dia seguinte da paralisação todos os alunos tinham acesso à plataforma LMS (Learning Management System), todo o nosso, vamos dizer assim, dever de casa, todo o nosso conteúdo, todos os nossos comunicados para os pais, sempre foi digital, nós utilizamos uma plataforma LMS, então todos os alunos já tinham acesso, já tinham a senha, os pais já tinham o acesso e a senha”.

Apesar de conseguirem minimizar os prejuízos da ausência das aulas presenciais. A Luminova, segundo o diretor, ainda esbarrava na questão do online síncrono, definido por ele como o momento do “ao vivo”. 

Aqui no Escolas Exponenciais, já falamos em outras oportunidades sobre a importância de mesclar aulas ao vivo com gravadas. Essa é uma necessidade, principalmente, do ensino infantil e fundamental I, pois apesar das crianças terem competência para digital, elas possuem especificidades, como tempo de atenção às telas reduzido e maior dependência dos pais.

 

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Nesse sentido, prender atenção do pai e da criança em uma tela, por 40 minutos a uma hora, é mais difícil. Para o especialista, o ideal é fazer vídeos com o momento assíncrono, combinado com momentos de ao vivo, utilizar intervalos e promover momentos separados para interagir com pequenos grupos de alunos.

 

Equilíbrio entre o online assíncrono e síncrono é fundamental

Em mais um relato profissional e que serve de inspiração, o diretor da Luminova explica que para equilibrar o online assíncrono e o síncrono, a coordenação e a direção se uniram para realizar testes com planos de aprendizagem.

Os planos construídos para as aulas presenciais foram adaptados para o ensino a distância e, consequentemente, os professores serão capacitados para pôr em prática esse modelo inovador e adaptado para o novo normal. 

“Nós antecipamos as férias de julho para junho, então, os nossos professores estão em férias, e nós estamos agora, nesse período, em formação com os nossos coordenadores, e quando os nossos professores voltarem, nós vamos fazer a formação com os professores”

Por fim, o gestor ainda ressalta a importância do professor para utilizar metodologias ativas e inovadoras em um cenário diferente e desafiador.

“Hoje o professor está com a sala de aula escancarada, está com o pai dentro da sala de aula, a coordenação está na sala de aula […] É preciso muito cuidado, muito acompanhamento, muita formação”, finaliza.

 

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A Luminova é uma rede de franquias de escolas que oferece uma nova forma de aprendizagem com uma linguagem contemporânea, baseada em metodologias ativas apoiadas em tecnologia aplicada, para transformar a educação. Fazem parte do grupo SEB (Sistema Educacional Brasileiro), o maior grupo de educação básica do Brasil, e oferecem um modelo de sucesso testado e comprovado, de baixo custo para os pais e alto nível de qualidade de ensino.

 

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