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Para qual escola retornaram alunos, professores, dirigentes e demais profissionais? Muito da instituição de ensino que foi fechada no início de 2020, por conta da pandemia, não voltou para o ambiente escolar que está sendo vivenciado neste primeiro semestre de 2022. Práticas e valores estranhos àquele período agora estão absorvidos, dentre eles o ensino remoto.

Ressignificar o futuro da escola com atitudes fundamentais na educação pós-pandemia parte dessa premissa, de acordo com Rodrigo Pimentel, head do Google for Education na América Latina, além de founder e mentor de startups.

“O nosso mercado faz uma força danada para voltar para o zero, de onde ele parou. É muito conservador. Tem muita escola com quem a gente tem conversado que está querendo pensar que não aconteceu pandemia, que quer ‘voltar a 2018’, voltar aos mesmos ciclos. Não vai acontecer”, alerta o profissional, formado em Engenharia Elétrica na Unifei com MBA na USP e extensões em Harvard e George Washington University. “O aprendizado online ou híbrido segue firme”.

A argumentação de Pimentel, além da experiência prática e da identificação de tendências no contato direto com profissionais de educação, parte também de dados de uma pesquisa global feita pelo Google, junto do Ipsos – empresa de pesquisa e inteligência de mercado, que “reflete muito o Brasil”, de acordo com ele.

O que dizem os dados 

No segundo semestre de 2021, já com a disponibilidade de acesso à vacinação e retorno à sala de aula, 58% dos pesquisados indicaram a flexibilidade de programa, integrando vida pessoal e profissional, como principal valor de escolha em termos de educação considerando os aprendizados da pandemia e a decisão de seguir estudando no futuro. 

Outros 55% indicaram a opção de cursos oferecidos on-line e 46% apontaram para programas desenhados para serem feitos online. A questão financeira foi apenas a penúltima opção considerada, com 28%. “A tradução disso é que cada vez mais e mais a possibilidade de fazer parte da própria história, em casa ou onde você quiser, vai ser importante”, explica Pimentel.

Esse conjunto de entendimentos levou o head do Google for Education na América Latina a elaborar uma apresentação sobre “3 novas realidades permanentes”:

1. Flexibilidade & Acesso

“Isso não é óbvio para o mercado de educação. Existe uma demanda gigante, cada vez maior, do que está se chamando de microlearning, que são os micro credenciamentos, micro diplomas. Estão crescendo três vezes mais que os programas tradicionais. Aqui está uma história da qual não dá para desviar.”

Pimentel também reforça a importância de preparar o estudante – ou aprendiz, como ele se refere – para a vida, “não apenas para o Enem”. Nesse tema, ele ainda aponta para a ampliação da relevância de currículos e de entrevistas, quando aborda o que será da vida profissional de alunos que estão hoje no ensino básico. Isso leva à ideia de um sistema flexível que possa prover para cada um dos aprendizes o que ele precisa, no momento em que ele precisa. “Eu não preciso ser uma fábrica de diplomas. É entender a demanda e mudar”.

Ele ainda traz o exemplo de financiamento do ensino superior dos Estados Unidos, que forma uma massa de endividados depois que deixam as cadeiras das universidades, já que a remuneração no mercado de trabalho e os custos de vida não acompanham a expectativa traçada no início do curso. “Começa a ficar óbvio que, se eu posso escolher, eu vou olhar a opção que seja mais barata, que me dê a possibilidade de já sair ganhando, daqui a três ou quatro meses, do que fazer um curso de quatro ou cinco anos. Isso já era realidade antes, mas agora está gritando na nossa cara”

2. Aprendizagem com resultados

“É o retorno do investimento. Uma hora essa conta chega. Mais do que nunca, o aprendiz está mais criterioso. Ele quer saber o que vai ganhar com aquilo. Se ele for entrar na sua escola, vai existir essa preocupação: ‘Vale a pena eu estar aqui durante meu tempo integral?’ Não vale a pena, de repente, eu usar meu tempo em outra coisa?’.”

É nessa aba que também surge o termo upskilling. A conexão, nesse caso, é com o mercado de trabalho, e nada impede que seja aproveitada na curadoria profissional das escolas, como é feito por 83% de líderes de negócios. Nada mais é do que investir na formação do colaborador. “É muito mais fácil melhorar o seu colaborador enquanto ele está com você do que sair para contratar fora.”

3. Personalização

“A educação à distância é difícil, mas foi possível fazer. A gente aprendeu demais com essa história. O aluno e a escola deveriam ter uma espécie de prontuário educacional, um histórico de fácil acesso, para saberem potenciais e fraquezas, onde o estudante consegue aprender melhor. Essas coisas estão disponíveis em termos de tecnologia. Em que pese toda a questão de privacidade, existem formas de trazer esse tema à mesa agora. A gente tem que buscar integrar os canais de acesso e atendimento com o que foi aprendido durante a pandemia. O aprendiz espera que essa experiência personalizada continue acontecendo, e a personalização é onde está realmente a diferença entre o sucesso e o fracasso dele.”

Uma dica deixada pelo especialista para turbinar a personalização é mapear as habilidades e mesclar isso com os modos de aprendizagem para que seja mais eficiente para o estudante. “Não necessariamente vai ser mais rápido, mas vai ser mais competente”, justifica. Um recurso que, em breve, pode colaborar com essa proposta no Brasil, segundo Pimentel, é o Pratice Sets, uma ferramenta dentro do Google Classroom. Com ela o professor poderá criar lições e exercícios nesse ambiente, e contar com a leitura da tecnologia para entregar um retorno mais preciso sobre o desempenho de cada estudante diante do conteúdo que foi curado.

Não deixe de perguntar

A volta ao presencial também amplia a possibilidade de contato e troca de experiências entre educadores. Na dúvida sobre como lidar com o volume de informações sobre esses novos tempos, Rodrigo Pimentel reforça a importância de se conectar com a audiência do jeito certo. “Escute a demanda. A resposta está ali”. E faça isso com dados e insights, independentemente de qual seja a ferramenta escolhida para isso. Além disso, esteja aberto a parcerias para contar com a expertise de quem procura ir para o mesmo lugar.

Para saber mais, confira o artigo:

Gestão de equipe na escola: processos remotos podem permanecer pós-pandemia

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