Xadrez na escola: jogo desenvolve competências e habilidades da BNCC
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Xadrez na escola: jogo desenvolve competências e habilidades da BNCC

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Já pensou em trabalhar a concentração, a atenção e capacidade de raciocínio dos alunos por meio de uma vivência esportiva? É possível utilizar o xadrez na escola como mais uma tática para desenvolver as competências e habilidades propostas pela BNCC (Base Nacional Comum Curricular).

Para o professor de xadrez David Ycaroh da Silva, que também é fundador do @Tabuleiro.Digital no Instagram, o jogo trabalha estímulos que ampliam o conhecimento e a cultura. “O xadrez é um jogo que ao mesmo tempo é esporte, arte e ciência, sendo um grande impulsionador da imaginação, trabalhando na capacidade de empatia, cooperação, responsabilidade, no pensamento crítico e criativo”, afirma.

Competências desenvolvidas com o xadrez

Com o ensino do xadrez nas escolas, é possível desenvolver diversas habilidades nos alunos, como paciência, memória, melhora nas tomadas de decisões e aumento na capacidade de dedução. “Esses já seriam os maiores benefícios de poder ensiná-las, mas, além disso, o jogo pode trabalhar outros aspectos que seria na questão da socialização, ética e cidadania”, pontua.

Ycaroh ressalta ainda que o jogo favorece até mesmo a integração social, já que não importa a idade e o idioma do jogador, podendo ser praticado por todos.

“Ele também ajuda na formação do caráter fomentando a organização do equilíbrio racional e emocional das crianças em qualquer ambiente, seja ele escolar, em casa ou no ambiente competitivo. É um jogo que também ensina questões éticas no esporte e de cidadania, como respeito às regras, respeito com os seus adversários e ajuda a lidar melhor com as derrotas não só no jogo, mas levando isso para sua vida”, explica.

Segundo o professor universitário Frederico Gazel, criador da página @xadrezescolar no instagram e campeão do estado de Minas Gerais, para além dos benefícios cognitivos, o xadrez estimula habilidades e trabalha com competências que são importantes até mesmo na vida adulta do aluno. “Ensinar xadrez para as crianças é gerar valor inerente a estes aspectos no desenvolvimento do cognitivo. O xadrez ensina o desafio, a resiliência e a responsabilidade de seus atos, fatores estes que levarão para a vida”, completa.

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Xadrez pode ser abordado no processo pedagógico de forma interdisciplinar

Ao planejar inserir o xadrez na escola, é possível incluí-lo na proposta pedagógica da instituição, abordando o jogo de forma interdisciplinar. Na disciplina de história, por exemplo, o professor universitário Frederico Gazel afirma que é possível utilizá-lo como ferramenta de apoio ao contar a evolução das peças, dos períodos e personagens de o praticavam. 

“Na geografia, revelando culturas de nações que contribuíram e receberam forte influência do jogo; através da matemática que faz uso do cálculo de movimentos e avaliação posicional e a geometria presente no tabuleiro; dentro da educação física onde estão os professores que a lecionam como um esporte já reconhecido; também na filosofia que coloca o constante ceticismo e questionamento permanente sobre as 64 casas; recentemente na psicologia e psiquiatria como ferramenta para compreensão da psique, bem como traços de genialidade ou mesmo patologias e em seu mais belo estado”, exemplifica Gazel.

O professor de xadrez David Ycaroh da Silva lembra ainda que é possível utilizar o jogo xadrez até mesmo na disciplina de artes. “Apresentando em quadros de pinturas, fotos, livros, filmes, na parte artesanal de criação das peças e do tabuleiro”, pontua.

Como apresentar o xadrez na escola?

Professora em uma escola municipal de Ponta Grossa (PR), a educadora física Letícia Caparroz utiliza o xadrez em suas aulas. Por meio da ludicidade, ela apresenta o jogo para as crianças utilizando várias estratégias. Confira as dicas compartilhadas pela professora:

  • Apresentar apenas uma peça por vez, utilizando massinha de modelar para desenvolver a peça;
  • Pintar os quadradinhos na tabuleiro;
  • Brincadeiras lúdicas: disputa do rei, dominó xadrez, jogo da memória do xadrez, batalha naval do xadrez, jogo da velha do xadrez, queimada do xadrez, bingo do xadrez, sudoku do xadrez, troca dos cavalos, xadrez humano, etc. 

É possível utilizar o xadrez nas aulas remotas?

De acordo com o professor universitário Frederico Gazel, embora o xadrez seja um jogo de tabuleiro físico, é um dos raros esportes que já era 100% adaptado para o digital antes mesmo da pandemia.

Há sites, softwares para computador e, mais recentemente, aplicativos para celular, que permitem jogos simultâneos. “É possível estudar via youtube, jogando com outra pessoa do outro lado online, ou mesmo desafiar o computador. Ainda assim, existe uma gama de livros em PDF de xadrez”, afirma Gazel.

Para o professor universitário, as escolas que estão com aulas remotas podem utilizar o Meeting, Zoom, Skype ou qualquer outro recurso que permita ao educador abrir um tabuleiro de xadrez digital, compartilhar sua tela e ensinar aos alunos. “Além disso, o professor pode fazer desafios e exercícios dos mais variados, interagindo com os alunos”, propõe Gazel.

Atualmente, o professor de xadrez David Ycaroh da Silva também utiliza a tecnologia para dar aulas de xadrez.

“Eu dou aulas de xadrez através de uma plataforma de videoconferência chamado google meet. Para se ter interação com meus alunos, mostrando a tela do computador para a reprodução do tabuleiro e dos lances no jogo, uso um site chamado lichess.org, uma plataforma que oferece tudo de forma gratuita, tanto para se jogar online ou para montar suas bases de aula. É o que eu indico para os professores que querem dar aulas de xadrez de forma online”, recomenda.

Escola conta sobre a vivência do xadrez na sala de aula

imagem de alunos praticando xadrez na escola

Imagem: CEMA

Sérgio Almeida é professor de educação física no CEMA (Centro Educacional Magia do Aprender), localizado no município de Palhoça (SC). O educador conta que em 2019, quando começou a trabalhar na escola, percebeu que havia o interesse em inserir o xadrez na escola. Mas foi somente no início deste ano que foi possível colocá-lo em prática. 

“O estímulo inicial foi com a aquisição de um jogo de xadrez gigante, o que despertou a curiosidade e vontade dos alunos e agora estou realizando os jogos em dias de chuva, iniciamos com a apresentação das peças e respectivos movimentos e de uma forma pedagógica e para fixar os movimentos específicos de cada peça  iniciei com o jogo da ‘Batalha dos Peões’”, explica.

De acordo com Almeida, ao adotar o xadrez como uma ferramenta pedagógica, a instituição tem o objetivo de desenvolver a concentração e tomada de decisões, além de exercitar a atenção, a paciência e o raciocínio lógico e, consequentemente, melhorar o desempenho escolar dos alunos.

“O jogo de xadrez na escola não é citado especificamente no BNCC, mas serve como uma ferramenta no desenvolvimento do aprendizado das crianças, entra nas questões do ‘saber’ e do ‘fazer’. Através do jogo de xadrez trabalhamos o emocional, social e cognitivo das crianças”, pondera.

 

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