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Com a quarentena prorrogada em todo o estado de São Paulo até o dia 10 de maio, as escolas de educação infantil continuam enfrentando o desafio de dar continuidade ao ano letivo, porém, de maneira remota. O lúdico, as brincadeiras, as atividades de exploração e toda a convivência escolar, agora precisam passar por adaptações. 

“É um momento delicado, especialmente para a educação infantil. Escola é presença, nada substitui o momento de estarmos com as crianças, de vivermos as experiências reais, mas agora a experiência é na casa. A gente rompe com tudo com que até hoje foi discutido, de quanto as crianças pequenas não têm que ficar muito na tela e tem que ter experiências reais”, reflete Mônica Padroni, diretora do Colégio Projeto Vida, de São Paulo.

Entretanto, Mônica afirma que, no momento, o mais importante é cuidar da saúde mental dos alunos. “Estar em contato com as pessoas que são referências na escola, com a professora e outros colegas, é cuidar da saúde emocional. Temos apostado nisso, na continuidade e na aproximação que é possível pelos meios virtuais”, explica.

Para isso, a profissional explica que a escola tem adotado estratégias diferentes a cada semana. Na primeira semana em que ocorreu a suspensão das aulas, a aposta foi o envio de atividades para serem feitas com o auxílio da família. No momento, o Colégio Projeto Vida tem utilizado mais a ferramenta online. “Temos buscado bastante isso, instruir as crianças para a atividade, buscado bastante a interação”, conta. Então, se antes as professoras gravavam uma história e enviavam aos pais, agora as educadoras fazem a leitura ao vivo. 

 

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Mantendo Vínculo

De acordo com Vivian Mozas, que é diretora pedagógica e co-fundadora da Senses Montessori School, também localizada na capital paulista, manter o vínculo com os alunos também foi um dos cuidados da escola, que estabeleceu uma agenda diária de aulas ao vivo. “A ideia dos encontros ao vivo, além de ser a ferramenta escolhida para passar às crianças e aos pais as atividades propostas, foi a forma que encontramos para manter a rotina e o vínculo entre as crianças, as educadoras e os colegas”, ressalta. 

E os encontros virtuais proporcionaram uma ampla variedade de atividades para serem feitas pelos alunos e alunas da educação infantil. “Cada educadora usou o seu potencial, suas maiores habilidades, e transformou em conteúdo para as crianças. Tivemos aulas diárias de música e yoga, tutoriais em vídeo de artes, vida prática, origami, histórias contadas e guias de atividades. Tudo isso foi usado como apoio na proposta pedagógica e disponibilizado aos pais em documentos e vídeos no nosso youtube”, completa.

A Escola Bosque das Letras, situada em Jandira (SP), também apostou em manter proximidade relacional com as crianças. Para isso, a escola tem promovido a interação com os pais e mães e a troca de informações com a direção, estimulando a relação de pais e filhos por meio de propostas diárias. Entre as atividades sugeridas, a instituição tem valorizado o explorar, investigar, interagir, criar, questionar e, claro, brincar!

“Temos ouvido muito a respeito do homescholing, porém cremos que neste momento, a leveza, a brincadeira e a interação pais e filhos para crianças da primeira infância é primordial, além de considerar que segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), crianças de até 4 anos devem passar, no máximo, uma hora em frente a telas de forma sedentária e quem tem até 1 ano, não é recomendado ter contato com telas”, traz a nota publicada no site da escola.

 

Aposta na rotina

Para manter a interação com os alunos e as famílias, além de reforçar os vínculos, Karine Carvalho Gamboggi Segreto, que é sócia-mantenedora da escola Blue Sky e diretora da unidade Brooklin, em São Paulo, ressalta que a instituição tem enviado diariamente conteúdos pedagógicos e orientações para as famílias com textos, links com contação de histórias, músicas, e sugestões de atividades lúdicas e de fácil aplicação.

Karine relata que uma das preocupações com os alunos era a manutenção de uma rotina e propostas de atividades, com o objetivo de amenizar a falta que a escola faz no cotidiano das crianças. “Então, tivemos a ideia de não aderir ao recesso ou às férias e, sim, manter, mesmo que a distância, nosso trabalho, reforçando nossos vínculos e todos os objetivos que já tinham sido alcançados”, afirma.

Segundo Karine, a escola criou uma plataforma para armazenar videoaulas, que possuem uma sequência que espelha o dia a dia dos alunos na Blue Sky. “Tem ‘o bom dia/boa tarde’; chamadinha com os nomes das crianças em placas sendo mostradas no vídeo pela professora; calendário com o dia da semana, dia, mês e ano da vídeoaula, parlenda ou trava língua a depender da faixa etária, a música do dia e a contação de história”, exemplifica.

No Jardim de Infância Ninho, em Americana, a professora Waldorf Vanessa Bianconi, ressalta que o corpo pedagógico da instituição se reúne, virtualmente, duas vezes na semana e que o foco, no momento, é dar suporte aos pais e mães. “Estamos orientando os pais sobre como tentar manter a rotina, o ritmo, assim como a gente fazia dentro da escola. Mas sem rigidez, sem obrigatoriedade. Na escola, as crianças amam fazer o pão e isso faz parte da rotina deles. A gente compartilha a receita para que os pais possam fazer em casa”, exemplifica. As histórias que seriam contadas nesse período, também são compartilhadas com as famílias, que recebem orientação de como contar. 

 

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Pais e mães que tenham alguma demanda específica com o filho ou filha, estão recebendo atenção individualizada. “Eles nos procuram e nós orientamos. Estamos fazendo algo muito mais para os pais ficarem mais tranquilos, pensando em deixa-los mais amparados nesse momento. Quanto mais tranquilos eles estiverem, melhor para eles e para as crianças. Então, a gente tenta trabalhar muito com os adultos”, afirma. 

Karine conta também que a escola sentiu a necessidade de oferecer maior suporte aos pais e mães, que estão em home office e precisam de apoio durante a quarentena. “As famílias receberam uma mensagem da direção contendo as orientações necessárias para o início desse novo e grande desafio. Nessa orientação, passamos a importância da rotina para os pequenos do berçário ao infantil, tarefas apropriadas para a idade, e estabelecemos a parceria com os pais nessa jornada”, pontua.

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