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Não é segredo que a pandemia teve efeitos significativos na educação, tanto de uma visão pedagógica quanto empresarial. Afinal, ambas vertentes estão relacionadas e o desafio, da maioria das escolas nos últimos anos, foi tentar recuperar o tempo perdido. Algumas instituições, no entanto, pareciam estar mais preparadas para essa situação tão repentina – e por incrível que pareça continuaram a crescer no meio do caos que se desencadeou com o começo em março de 2020 no Brasil.

Quais são os segredos dessas escolas, então, e o que podemos aprender com elas? 

Alecrim Creche e Escola

Primeiramente, é preciso entender que o sucesso não significa a ausência de desafios, mas a superação deles. Fabíola Martins, professora e pedagoga que hoje atua como gestora de uma dessas instituições – a Alecrim Creche e Escola, do Rio de Janeiro – explica que, no início da pandemia, sua escola (assim como todas as outras) perdeu muitos alunos, o que foi devastador. Por servir um público de classe média AA, segundo a profissional, os custos da escola são bastante elevados. Sendo assim a queda do número de alunos, causou uma “catástrofe”. 

Começando 2022 com um cenário muito incerto e professores emocionalmente abalados, a equipe da Alecrim percebeu o quanto as famílias estavam inseguras – afinal, a segurança era uma preocupação constante. 

Foi tomada a decisão, portanto, de trazer essas famílias para dentro da escola, envolvendo-as no processo educacional das crianças. Fabíola explica que o ensino híbrido, que ganhou espaço durante o período de isolamento, “invadindo” as casas das famílias, mostrou a importância de manter esse tipo de relação mesmo depois do fim da crise. “Quando a gente voltou para o presencial, a gente quebrou aquele protocolo da escola onde a família estava lá e a escola aqui”, diz. 

A equipe começou a se esforçar para criar atividades e interações que aproximassem as famílias da escola de diversas maneiras; uma ferramenta importante para isso foi, inclusive, o uso do aplicativo ClassApp, que permite uma comunicação segura e prática. 

Fabíola conta que percebeu o valor de manter as famílias a par do que acontece no dia a dia da escola e de incentivá-las a interagir com os conteúdos da empresa – quando os clientes reagem a posts e reproduzem campanhas nas redes sociais, apoiando o marketing orgânico, isso é muito benéfico para o processo de fidelização e captação de alunos – o que é especialmente importante durante um momento de crise.

Uma das estratégias de criar um laço entre pais e escola Alecrim, foi permitir que professores fizessem upload de resumos da semana com fotos e vídeos para as famílias (recurso muito precioso, já que todo responsável gostaria de ver os momentos importantes do desenvolvimento de seus filhos).

Fabíola ressalta que esse tipo de medida faz com que a instituição de ensino não seja vista como apenas um lugar distante onde a criança passa o dia – em vez disso, os pais recebem informações concretas para ajudar a fidelizar sua escolha.

 

“Treinei a equipe para que a gente pudesse colocar o nosso marketing orgânico para fora de forma acadêmica, de forma que os pais tivessem orgulho das coisas que a gente faz”, ressalta.

Datas especiais e celebrações também são oportunidades para encorajar esse envolvimento. No caso da Alecrim, o dia das mães será celebrado, por exemplo, com um evento especial. Na data, as mães, além de receberem flores e assistirem uma apresentação das crianças, serão convidadas a tirar fotos no cenário da escola e postá-las, mencionando o perfil do colégio na internet

Até mesmo sugestões de receitas ou atividades que as famílias podem realizar nos fins de semana podem ter o potencial de quebrar a barreira entre pais e escola, “impulsionando a família a pensar junto da escola”, como frisa Fabíola. Além de aproximar, a teia de conexões da escola cresce com cada postagem, atingindo mais público e conquistando novos alunos. Visualização faz fidelização, que faz mais matrícula, ela explica.

Segundo Fabíola, sua instituição recuperou muitas famílias porque se dedicou incessantemente a elas – tirando dúvidas, convidando-as para experiências imersivas, colocando serviços à disposição, sugerindo elementos enriquecedores para os fins de semana, fornecendo ajuda com a educação financeira. “A gente desenvolveu muitas coisas positivas, orgânicas, vivas da escola e chamou a família para repercutir isso”, diz a gestora. Essas práticas tiveram efeito: em 2022, a Alecrim contou com 87% de renovação de matrículas e agregou muitos alunos novos. 

Colégio Atenas também registra crescimento nos últimos anos

Outro exemplo de superação em meio à crise é o Colégio Atenas, de Paracatu, em Minas Gerais. Thúlio Nery, professor e Coordenador Administrativo da escola, para conquistar o sucesso ele destaca a importância da energia com que se trabalha e da personalização do ensino e do atendimento. 

O profissional afirma que é essencial perceber que “cada um tem uma dor”, e uma forte equipe pedagógica é fundamental para para atender às necessidades de cada cliente. 

Outro ponto destacado por Nery é que, há alguns anos, a equipe administrativa passou a ficar mais próxima da esfera pedagógica. O especialista conta que a equipe busca ao máximo mostrar o cotidiano da escola e como ele é trabalhado com muito amor e energia

Um grande diferencial da equipe do Colégio Atenas é o hábito de realizar reuniões de produção. Esses encontros acontecem semanalmente por uma hora e meia e são obrigatórios. “As cabeças pensantes do colégio sentam para executar alguma coisa, para planejar, para buscar estratégias”, explica. 

A prova da eficácia desse método é, justamente, cada um dos conceitos que resultam das reuniões. Foi assim que surgiu, por exemplo, a ideia de fornecer “tours virtuais” pela escola, gravando conteúdo para que famílias pudessem visitar e conhecer o colégio de suas próprias casas. 

As práticas administrativas também são priorizadas com o intuito de estreitar relações com a sociedade. Por meio do programa Empresa Parceira, por exemplo, a equipe se reúne para visitar as empresas parceiras da escola – gerando e mantendo grandes e importantes parcerias. 

Segundo Nery, as escolas que se destacaram durante a pandemia tiveram essa vantagem e “saíram na frente” porque não esperaram a crise sanitária passar. Pelo contrário, continuaram trabalhando fortemente. Alguns sinais disso são os projetos característicos da instituição: o Colégio Atenas com Você, por exemplo, que busca exercitar a empatia com os estudantes de escolas públicas, desenvolvendo atividades makers e aulas para ajudar no seu processo de educação durante a pandemia. 

Além disso, a Festa Junina da escola, já famosa na cidade, tem papel importante na fidelização dos alunos do ensino médio e realiza uma arrecadação de alimentos. Um projeto com mais de 100 influencers digitais também resultou em seis toneladas de alimentos arrecadados e mais de duas milhões de visualizações, além de garantir ao Colégio Atenas 2 mil novos seguidores nas redes sociais. 

Entretanto, seja qual for o projeto, o importante é que ele aconteça com muita reflexão e cuidado. De acordo com Nery , a escola tem o hábito de avaliar sempre todos os projetos. Essa prática é necessária para captar erros e possíveis melhorias, preparando a escola para algo ainda melhor no próximo ano.

 

O tempo todo o nosso foco é: o aluno é o protagonista, mas o pai precisa vir junto”, reflete.

“O aluno veste a camisa, e a gente tem que fazer a família vestir a camisa também”. Acolher o aluno e a família é um passo fundamental para toda escola, e um atendimento dedicado, desde os detalhes mais simples, faz toda a diferença para que a gestão entregue uma experiência diferenciada. Foi assim que, apesar das dificuldades, o Colégio Atenas conseguiu 191 novas matrículas, recuperou os dois anos de dificuldade e fidelizou 89,7% dos alunos.

Em 2021 o Colégio Atenas recebeu o Selo de Qualidade do Escolas Exponenciais, um reconhecimento por ter sido bem avaliado pelas famílias na pesquisa de satisfação realizada pela o instituto. Em 2022 as escolas de ensino básico e privado podem se inscrever para participar da pesquisa até o dia 31 de maio. Saiba mais aqui.

A força de uma equipe encorajada

Uma coisa essas duas escolas têm em comum, e que foi chave para seu sucesso, é o entusiasmo: uma equipe envolvida e encorajada, que se conecta com a escola, é a alma de uma instituição de ensino

Fabíola conta que fez sua parte para ajudar na capacitação dos professores, apresentando-os à recursos importantes da tecnologia e fornecendo a todos uma “aula” de redes sociais – o que ajuda, também, na exposição do marketing orgânico da empresa. “Cabe a nós, gestores, ensinar a nossa equipe a como utilizar isso ao nosso favor”, diz. 

Nery também aponta que a capacidade de mapear as qualidades e defeitos do seu time é algo que toda escola precisa. Ao conhecer as forças e fraquezas de cada colaborador, é possível criar uma estratégia para que trabalhem juntos da melhor maneira possível. Do mesmo modo, a valorização dos professores, com todas as suas particularidades, é algo a ser levado a sério. O coordenador conta que sua escola possui dois lemas: para a equipe pedagógica, “nós somos os melhores”; e para a equipe administrativa, “nós temos os melhores”

O professor é quem faz a escola acontecer, como diz Nery , e portanto incluí-los nas decisões e dar valor à sua experiência é fundamental. No Colégio Atenas, todo projeto, após ser conceitualizado, é levado aos docentes para serem aprovados.

E quando a escola precisa de uma nova ideia, eles estão presentes nas discussões. “Todo mundo participa ativamente dessa construção”, conta Nery . “Mantemos um canal aberto para que, assim como Administrativo tem uma comunicação horizontal clara, os professores também tenham”

Um canal de comunicação aberto também é necessário para cultivar uma boa relação com as famílias dos alunos. E, quando algum erro acontecer, tratá-lo como um evento – como sugere Nery – pode ser uma fonte de oportunidades.  O conjunto de todas essas ações, e um planejamento bem pensado, pode resultar em uma enorme diferença durante tempos de crise.

Confira também:

Plano de ação escolar pós-pandemia

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