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Quatro meninas, de até 13 anos, são estupradas por hora no Brasil, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2019, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A pesquisa do ano anterior revelou ainda que em 76% dos casos de estupro de vulnerável (quando a vítima tem menos 14 anos), o agressor é um parente ou amigo próximo da família da criança e/ou adolescente. E é exatamente diante desse cenário assustador que a escola tem um importante papel: auxiliar as crianças a identificar e denunciar o abuso sexual.

Para isso, gestores e educadores precisam desmistificar o significado de educação sexual. “Até hoje muitos profissionais, inclusive dentro da própria escola, ainda associam o termo educação sexual a ‘educar para o sexo’ ou, pior ainda, ‘ensinar a fazer sexo’”, pontua a professora doutora Vilena Silva, que leciona a disciplina de biologia/meio ambiente no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão.

De acordo com a educadora em sexualidade Lena Vilela, abordar essa temática ainda na infância é ensinar sobre autoestima, respeito e confiança. “Falar de sexualidade é falar sobre os sentimentos da criança, é falar do conhecimento do corpo, é ensinar a criança a se proteger de abuso sexual, ensinar as meninas a não serem submissas e os meninos a não serem agressores”, ressalta. 

Neste contexto, a educação sexual escolar é uma maneira de garantir a segurança, saúde e integridade das crianças. “Temos recebido notícias de abusos que poderiam ter sido evitados se houvesse uma forma de falar no assunto sem medo e sem tabus. Por falta de informações idôneas, até hoje o assunto é vinculado a algo sujo e pecaminoso. Tratar de educação sexual nas escolas proporcionará uma nova cultura, o esclarecimento sobre a sexualidade que nada mais é a forma de relacionar-se consigo e com os outros”, explica a sexóloga, empresária e palestrante Helen Machado Hampf. Ela ainda destaca que instruir sobre a sexualidade não é sinônimo de sexualizar a infância ou antecipar a sexualização. “Trata-se de educação e informação”, pondera.

Vilena lembra ainda que, como a maioria dos casos de abuso no Brasil ocorrem em ambiente familiar, a escola pode ser uma rede de proteção e de ajuda dessa criança. “É importante tratar esse tema na escola, porque a maior parte dos abusos sexuais que ocorrem em nosso país são praticados por entes da própria família. Dessa forma, na escola a criança pode entender o que está acontecendo, aprender a se proteger, além de ser um canal seguro para denunciar o abuso”, completa.

 

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Como a escola pode abordar a educação sexual?

Para as especialistas, os professores e as professoras precisam ser capacitados para abordar a educação sexual em sala de aula. “É necessário que tenhamos mais capacitações, cursos de formação complementar e outras ferramentas que nos dê segurança de que estamos fazendo e falando a coisa certa, do jeito certo. Eu costumo abordar essa temática em minhas aulas sempre da forma mais natural possível, de forma respeitosa e de acordo com as fases de cada aluno”, afirma a professora doutora Vilena Silva.

Segundo a sexóloga Helen Machado Hampf, outra alternativa é contratar um profissional especializado para fazer a abordagem do tema de forma mais leve. “Isso é importante para que haja o esclarecimento sobre a sexualidade, que faz parte de toda nossa vida, em todas as áreas, seja ela profissional, pessoal e amorosa, afinal, sexualidade é a forma de relacionar-se consigo e com os outros”, acrescenta.

A educadora em sexualidade Lena Vilela ainda afirma que a escola pode optar por trabalhar o assunto de maneira programada e específica. “Digamos que uma escola queira trabalhar o respeito à diversidade. Com os alunos menores, ela pode usar as histórias dos livros infantis. Com as crianças maiores, pode sugerir pesquisas e brincadeiras dinâmicas em grupo”, explica. A profissional ainda ressalta que os jogos podem ser utilizados para ensinar a criança o que é abuso sexual e ensiná-la a se proteger. 

Outro ponto importante é conversar com os alunos e alunas de maneira assertiva. “É importante ser claro com as crianças e fazer com que elas estejam seguras que receberão respostas claras e adequadas ao procurar as informações. Se os professores no momento da pergunta não se sentem seguros em falar, devem buscar uma circunstância e dados adequados, inclusive à idade e capacidade de entendimento da criança, para tratar de suas dúvidas”, afirma Helen. 

 

Com qual idade as crianças devem aprender sobre educação sexual?

Além de contribuir para a prevenção de doenças e minimizar o risco de uma gravidez precoce, a educação sexual é fundamental para ensinar as crianças a identificar o abuso e aprender a denunciá-lo. Por isso, pode-se começar a educação sexual ainda na educação infantil. 

“Acredito que desde a educação infantil já é necessário trabalhar a educação sexual, onde se aprende os nomes dos órgãos genitais, quem pode higienizá-los, como dizer ‘aqui não pode mexer’, ou seja, assuntos de acordo com capacidade de entendimento das crianças”, esclarece a professora doutora Vilena Silva

Segundo a sexóloga Helen Machado Hampf, as crianças devem aprender sobre educação sexual desde o momento em que passam a ter condições e capacidade para conhecer e cuidar do próprio corpo. “O autocuidado é sexualidade. Isso facilitará, inclusive, o aprendizado gradual da sexualidade em todas as suas dimensões, da curiosidade sobre o corpo, as diferenças e os cuidados que se deve ter consigo mesmo e com os outros”, explica.

A educadora Vilena ainda indica livros infantis educativos que trazem uma abordagem bastante esclarecedora e leve sobre o assunto, como “Pipo e Fifi”, “Não me Toca seu Boboca” e “O Segredo de Tartanina”.

 

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