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Em um mundo cada vez mais tecnológico e em constante transformação, pode ser difícil acompanhar as inúmeras habilidades e conhecimentos exigidos pelo mercado de trabalho e pela vida em geral. Por isso, as skills do futuro estão deixando de ser opcionais e se mostrando essenciais para a nova era em que vivemos.

É claro que é papel da escola, portanto – como uma instituição formadora de cidadãos universais e completos – ajudar a nova geração a adquirir e refinar essas questões. Mas quais são essas “skills” do futuro, e como a tecnologia aliada a educação pode contribuir para o desenvolvimento dessas habilidades?

A tecnologia aliada a educação para o desenvolvimento das skills do futuro

Roberto Moreno, Diretor Pedagógico da BYJU’S Future School, começa lembrando que apesar da nomenclatura, elas já podem ser consideradas skills do presente: “já falamos disso desde o início do século 21 e já estamos quase chegando na metade do século, então já não é tão do futuro assim”, diz.

Para o executivo e educador, o assunto vai além do profissional – seu filho, que ainda está para nascer, também vai fazer parte de um mundo cada vez mais exigente. Pensando no futuro desta e de inúmeras outras crianças, Roberto se dedica à BYJU – a “maior edtech do mundo”.

Durante a pandemia, lembra Roberto, a presença digital se tornou ainda mais comum – e essencial –  em nossas vidas. “É muito permissivo no nosso meio o uso da tecnologia, e esse período de pandemia também popularizou muito o uso das tecnologias dentro do ensino”, diz.

Afinal, pais, alunos e professores tiveram que se adaptar a mudanças radicais no ensino, aprendendo a lidar com aulas remotas, aulas gravadas e, hoje em dia, o ensino híbrido. Se os aparelhos eletrônicos já eram partes imprescindíveis de nossas vidas no século 21, a pandemia aumentou ainda mais sua importância – sem esses recursos, a perda e o estrago na educação no país e no mundo teriam sido ainda mais sérios. 

 

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Se vivemos uma época na qual o mundo claramente e radicalmente se transforma diante de nossos olhos, é natural que nossas crianças também se adaptem e mudem. Roberto traz um dado interessante, compartilhado pelo Fórum Econômico Mundial, que nos mostra exatamente esse fenômeno: 65% das crianças iniciando o ensino fundamental hoje terão profissões que nem sequer existem ainda. Além disso, Roberto também traz à tona um dado mais atual, divulgado ano passado: em relação às profissões com maior crescimento de demanda, 8 das 10 profissões são relacionadas ao mundo da tecnologia.

Algumas dessas profissões incluem o especialista de automação de processos (cuja tecnologia digital não é exatamente como conhecemos, aponta Roberto);  o profissional de desenvolvimento de negócio; analista de dados; e todas as outras muito ligadas ao mundo techmachine learning e transformação digital. 

“Isso é uma realidade muito latente em relação ao que está sendo demandado, o que está tendo de crescimento”, diz Roberto. “Então, quando falamos de tecnologia, a primeira mensagem que eu gostaria de deixar é que, sim, quando levamos para o jovem, para a criança a criação usando essa tecnologia, isso é um dos skills do futuro”.

O especialista considera que ensinar programação, por exemplo, é uma forma de dar autonomia e protagonismo aos adolescentes – com esse tipo de iniciativa, é possível transformar jovens de apenas consumidores da tecnologia em potenciais criadores e inventores.

A importância desse tipo de ação é tanta que a tecnologia está entre as 10 competências do Fórum Econômico Mundial – especialmente citando o design e a programação de tecnologia. Valorizando essas competências como desejáveis para profissionais na atualidade, Roberto vai ainda mais longe: o diretor pedagógico acredita que o ensino tecnológico – a programação e seus requisitos – é capaz de impactar as outras sete vertentes das competências, tendo um impacto ainda mais amplo do que o imaginado.

“Porque quando um aluno, uma criança ou adolescente vai desenvolver um aplicativo, ele precisa ter um pensamento analítico, inovador daquilo que será feito”, explica. “Ter um lastro de criatividade, originalidade naquilo que será criado, no produto que será desenvolvido”.

Esse trabalho também exige pensamento crítico, estudo de modelos e capacidade de criar novos formatos – inclusive, digitais. Essas atividades e essa capacitação, portanto, têm um poder interdisciplinar e podem ajudar no desenvolvimento da capacidade de resolução de problemas e raciocínio.

Para ilustrar esses benefícios, Roberto lembra de uma interação da qual ficou sabendo: ele conta que um aluno foi até uma professora para  agradecê-la por sua ajuda, que o permitiu ir muito bem em uma prova de matemática. Confusa, a professora lembrou que não ensinava matemática, e sim programação. Mesmo assim, o aluno considerava seus aprendizados essenciais para as demais matérias, já que a professora de programação o ajudou a desenvolver raciocínio e pensar sobre o que estava fazendo. “Então, quando empacotamos tudo isso, vemos que a programação tem um impacto direto ou indireto em outras sete vertentes dessas competências”, conclui Roberto.

Outras habilidades essenciais para o futuro

O especialista ainda destaca dois pontos extremamente importantes em relação às skills do futuro: a inteligência emocional e os aspectos de liderança. “Apenas o aspecto de competência técnica não é suficiente quando falamos da convivência do ser humano, não apenas à questão profissional”, lembra. Para explicar inteligência emocional, Roberto acha útil resumir as cinco principais vertentes de Daniel Goleman: os dois primeiros têm a ver com autoconhecimento (conhecer as próprias emoções e lidar com as próprias emoções); o terceiro se refere à necessidade de motivar-se; o quarto e quinto estão ligados com a interação com o outro e, portanto, com a empatia (reconhecer as emoções dos outros e lidar com essas emoções).

Segundo Roberto, esses aspectos complementam o contexto de skills do futuro sobre o qual temos falado – a junção da da habilidade técnica e a habilidade emocional. O ser humano precisa ter equilíbrio entre essas duas dimensões; afinal, elas se complementam, e ser capaz de conviver de forma harmoniosa e empática é essencial para realizar qualquer tipo de trabalho. 

Por fim, Roberto menciona uma última competência que fará a diferença em nossos futuros: a aprendizagem ativa e estratégia de aprendizagem, aspectos importantes do livro “21 lições para o século 21” de Yuval Harari; essa lição tenta nos ensinar  a necessidade – e inevitabilidade – do processo de aprender e desaprender, repetidamente. Aí vive o princípio de lifelong learning: o compromisso de ter a humildade para reconhecer que nunca saberemos de tudo, e que nosso projeto de ensino não acaba na escola – na verdade, é um companheiro de vida que evolui e muda assim como nós.

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