Como ensinar empreendedorismo nas escolas?
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Como ensinar empreendedorismo nas escolas?

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Em um mundo cada vez mais voltado para o empreendedorismo, aprender como transformar ideias em bons negócios virou uma importante disciplina a ser aprendida. Sem falar que ter um espírito empreendedor é imprescindível não só para o mercado de trabalho, mas para a vida de qualquer pessoa no século vinte e um.

Diante disso, nada como ensinar desde cedo habilidades que podem fazer crianças e adolescentes se destacarem na sociedade. É hora de apostar na Educação Empreendedora

O que é Educação Empreendedora

A educação empreendedora desenvolve nos alunos as habilidades fundamentais para uma pessoa enfrentar os muitos desafios do século XXI em um mundo em constante transformação e cada vez mais marcado pelo empreendedorismo. Entre essas habilidades estão o pensamento crítico e criativo, a capacidade de trabalhar em equipes de forma não hierárquica e colaborativa, autonomia para tomada de decisões, poder de analisar problemas complexos e de encontrar soluções simples, disposição para correr riscos e lidar com o imprevisível, saber buscar oportunidades, ter flexibilidade, capacidade de transformação, postura proativa, inteligência emocional e saber se comunicar!

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É muito importante ressaltar que essas habilidades servem também para quem não quer ter o próprio negócio e, sim, quer ser funcionário de alguma empresa. Isso porque grandes grupos estão fazendo importantes mudanças para se adaptar ao cenário de negócios do século XXI, onde novas startups roubam a cena de gigantes estabilizados no mercado com cada vez mais frequência. 

Além disso, os benefícios da educação empreendedora não param no mundo dos negócios. As características de um empreendedor de sucesso são as mesmas que um não profissional precisa para se relacionar com os outros nos dias de hoje, mesmo na esfera pessoal. Quer um exemplo disso? A importância de ser flexível, para aceitar a diversidade, a importância de saber aceitar seus próprios erros, aprender com eles e buscar novas trilhas, de ser capaz de mudar de ideia, de ouvir e entender outras opiniões, de superar dificuldades do dia a dia com resiliência e rapidez… Habilidades do cidadão do século XXI.

Diante disso, mais e mais escolas estão criando programas para ensinar empreendedorismo a seus alunos cada vez mais cedo, como meio de desenvolver neles essas competências fundamentais nos dias de hoje. O chamado Ensino 4.0 ou Educação 4.0 é marcado por uma educação em rede, baseada em metodologias ativas, em que o aluno aprende junto ao professor e em trabalhos com seus colegas, sempre com foco na experiência.

Como ensinar empreendedorismo na escola 

Nada como aprender com quem faz. Com quem faz bem, de diversas formas e que tem muita experiência internacional.

A Junior Achievement (J.A.) é uma das maiores ONGs do mundo e tem como missão ensinar crianças, adolescentes e jovens entre 5 e 25 anos a ter espírito empreendedor. Por meio de uma série de programas educacionais, sempre voltados ao empreendedorismo, a J.A. impacta a cada ano mais de 10 milhões de estudantes em mais de 100 países, entre eles o Brasil, no qual opera há 38 anos. Para se ter uma ideia do tamanho dessa “escola de escolas”, desde que foi implementado o primeiro projeto no país, a ONG impactou mais de 5 milhões de brasileiros em escolas privadas e públicas, em 26 estados e no Distrito Federal, com a ajuda de 150 mil voluntários.

Provocando impacto em escolas

A ONG utiliza metodologias ativas para ensinar por meio da experiência, sempre com projetos baseados em pilares como gamificação, aprendizagem baseada em projetos e em problemas, storytelling, mapas mentais, design thinking, aprendizagem em rede, … O objetivo é capacitar jovens para o mercado de trabalho, ensinando-os a ter senso crítico, a desenvolver sua oratória, ter espírito colaborativo, confiança pessoal, conscientização de seu papel na sociedade …

“No começo tudo gera insegurança, mas quando os alunos aprendem o que chamamos de soft skills, eles mudam totalmente seu mindset perante a vida. Eles aprendem a aprender e aprendem a errar e a corrigir sua rota. Isso é muito importante, pois o ensino tradicional costuma trabalhar com parâmetros como certo e errado. Na educação empreendedora, existem muitas possibilidades além do certo e do errado”, diz Juliana Vieira, Coordenadora de Projetos, Conteúdo e Metodologia da Junior Achievement Brasil. Juliana chama atenção para a importância de ensinar empreendedorismo desde cedo.

“É muito mais fácil trabalhar com jovens que estão construindo sua identidade do que com adultos com personalidade já formada. E é impressionante a mudança que eles apresentam quando aprendem essas habilidades, essas soft skills.” 

A Junior Achievement tem como parceiros grandes empresas privadas, como Google, Microsoft, que aportam recursos financeiros e pessoal para trabalhar como voluntários nos programas da ONG. Esses voluntários dão aulas a alunos de escolas públicas e privadas com base nas metodologias da J.A., sempre com base no método aprender-fazendo. Hoje, a ONG tem 12 programas, sendo que muitos já vêm formatados dos Estados Unidos, onde fica a sede da ONG, e adaptados para a realidade brasileira. 

“Outros programas são criados no Brasil, como o novo programa “Diversidade Conecta Mais” e o “Aprender Pra Quê?”, sobre Life Long Learning, a mãe de todas as habilidades que é aprender a aprender. Nesse programa, que está fazendo o maior sucesso, a gente fala sobre bloqueios de aprendizagem, sobre as melhores maneiras de aprender, múltiplas inteligências. Enfim, uma série de mitos sobre aprendizagem são quebrados. É uma celebração à nossa capacidade de aprender”, diz Juliana.

Ela explica ainda que em todos os cursos os alunos criam um produto final, seja uma miniempresa, uma startup, um app, o desenvolvimento de uma solução para um problema da comunidade. “Sempre as habilidades são desenvolvidas a partir de um problema central.”

Um caso de sucesso é o do programa Mini Empresa, no Rio de Janeiro, o primeiro 100% online, por causa da pandemia. Os alunos de uma escola desenvolveram discos de tecido em formato de tartaruga para substituir o uso diário de algodão e de lenços umedecidos nos cuidados diários com a pele. “Os alunos tinham uma meta de vender 80 ecodiscos, e já venderam 200 até agora”, conta Juliana. 

Uma empresa jovem e sustentável dentro da escola

O colégio Parthenon Bom Clima, em Guarulhos (SP) lançou em 2018 o projeto “Empresa Junior Parthenon” (chamado antes de Empresa Jovem), com o objetivo de ensinar seus alunos a trabalhar em projetos para solucionar desafios do dia a dia. A escola viu no projeto uma maneira de estar mais alinhada com as necessidades do “novo Ensino Médio” e com as diretrizes da BNCC, entre elas, formar alunos empreendedores, criativos, cooperativos, …

Desde a criação do “Empresa Junior”, diversos projetos foram criados pelos alunos, como a criação de um jornal interno, um programa para captar óleo de cozinha e o desenvolvimento de canecas para evitar o uso de copos descartáveis.

“Esse grupo trouxe como problemática o uso de descartáveis no interior do colégio, construindo uma comunidade mais atenta à redução do uso de plástico e criando ainda uma oportunidade de gerar renda. Os alunos compraram equipamentos e passaram a produzir canecas personalizadas. Eles estruturaram toda a produção, o fluxo financeiro, a logística, … tudo para zerar o consumo de copos descartáveis na escola”, diz Eneias de Almeida Prado, Doutor em Educação Matemática e coordenador do Ensino Médio do Colégio Parthenon Bom Clima.

Ele explica que entre os benefícios do programa estão maior engajamento dos alunos nas aulas, mais capacidade de trabalho em equipe, maior autonomia e capacidade de identificar oportunidades de negócios, desenvolvimento de senso de responsabilidade, …  

Eneias conta ainda que durante a pandemia foi preciso interromper atividades presenciais, mas que agora em 2021 os trabalhos estão voltando. “É preciso construir a ideia de trabalho colaborativo/cooperativo, entre tantas outras metas da educação empreendedora, e ensinar aos nossos alunos o controle do tempo, para que eles consigam dar conta das demandas escolares e as que provêm da empresa.”

 

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