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“Se surgir uma ideia, a escola deve colocar em prática nesta semana, testar, corrigir e voltar a aplicar na semana seguinte porque, se funcionar, ela pode ser a primeira a dar certo no seu segmento. Se elas continuarem fazendo o que faziam antes vão perder oportunidades incríveis e não há como segurar essa onda”.

O insight apresentado por Fabricio Bloisi, CEO da Movile, startup brasileira criadora do iFood e do Play Kids, durante o ClassUP Escolas Exponenciais 2018, foi o ponto de partida para que um projeto há tempos idealizado pelo Colégio Parthenon, de Guarulhos (SP), saísse do papel: a implantação da Empresa Jovem para os alunos do nono ao segundo ano do Ensino Médio.

Inspirado no conceito de empresa júnior – aplicado em universidades para desenvolver estratégias que supram diferentes problemas ligados à educação precária e à falta de ética do nosso país -, o projeto foi implantado no segundo semestre de 2018 com a participação de estudantes, diretores, coordenadores e colaboradores do colégio, que levantaram oportunidades de melhorias e traçaram soluções nos âmbitos de marketing, socioambiental, tecnologia educacional e acadêmico. O projeto foi um dos vencedores do Desafio Engajamento dos Alunos em Sala de Aula, promovido pelo Escolas Exponenciais, e foi apresentado no evento ClassUP 2019.

“O principal objetivo da Empresa Jovem é desenvolver um trabalho em grupo, colocar os alunos em situação de crescimento, desenvolver ideias, planejar, buscar orçamentos, enfim, trazer todas as questões que permeiam o mercado de trabalho, sem esquecer o repertório acadêmico que podemos oferecer”, definiu Eneias de Almeida Prado, coordenador do Ensino Médio e um dos integrantes do projeto.


Início das atividades

Com o projeto estabelecido, a coordenação partiu para palestras de apresentação aos alunos, detalhando a relevância de participarem para desenvolverem competências importantes para o mundo corporativo. Diante das 130 inscrições iniciais, uma das primeiras medidas do projeto foi bastante similar à adotada no mercado de trabalho: a seleção dos integrantes. Em posse dos nomes dos interessados, os coordenadores fizeram uma triagem inicial e depois selecionaram 50 estudantes para uma dinâmica, que resultou na “contratação” de 25 alunos.

Após essa etapa, os alunos aprenderam a desenvolver currículos e, aqueles com mais de 16 anos, fizeram cadastros em sites como o LinkedIn. Tudo pronto para partir para a prática.

O próximo passo foi o compartilhamento de experiências, para o qual convidaram o ex-aluno do colégio, João Victor Cardoso Sá, que atualmente integra a empresa júnior da Faculdade Fundação Getúlio Vargas, para explicar sobre os ganhos do projeto para o desenvolvimento profissional.


Os primeiros projetos da Empresa Jovem

O levantamento das principais necessidades do colégio foi a etapa seguinte no projeto da Empresa Jovem. Durante as reuniões, realizadas no contraturno do horário escolar, os participantes detectaram diversos problemas, entre eles, o uso excessivo de copos plásticos. Era preciso pensar em estratégias criativas, rentáveis e atrativas ao público-alvo, por isso, alunos e professores partiram para uma ampla pesquisa na área de sustentabilidade.

Com a chegada do professor Celso Jacubavicius, que também atua em administração, e a mudança da coordenação, agora composta pelos professores Eneias Almeida Prado e Flávio Lavorato, as equipes conseguiram estruturar melhor o projeto e estudam fazer a compra de uma máquina que estampa canecas para incentivar o uso delas, em substituição aos copos de plástico.

Enquanto a equipe financeira se concentrou na busca dos orçamentos mais atrativos, o grupo de marketing definiu o slogan da campanha, que deverá ser aplicado no fundo do novo copo: “Já economizei mil copos e você?”.

Segundo o coordenador, a ampliação da discussão sobre este problema incentivou maior conscientização dos recursos naturais dentre e fora do colégio e, mesmo antes de já ter o produto em mãos, já é possível perceber alguns benefícios, como a diminuição do uso dos copos de plástico na sala dos professores.


Capacitação de professores

A capacitação de professores do Ensino Infantil e do Fundamental 1 para manuseio de ferramentas do Google For Education, utilizadas no colégio apenas por professores do Ensino Médio, foi o segundo projeto conduzido pela Empresa Jovem. Mais familiarizados com o conceito, os próprios alunos fizeram a “oferta” aos professores, como conta Almeida Prado.

“Eles se propuseram a formar os nossos professores na área de tecnologia com pagamento em dinheiro virtual para ser investido na própria empresa. Dividiram-se em grupos e a equipe de formação acadêmica tirou a certificação do Google, preparou os cursos e já estão na fase de testes, inicialmente para um grupo menor de professores e depois para outro maior”.

Com grupos semestrais, o projeto da Empresa Jovem chega à sua segunda edição no colégio, mantendo parte da equipe inicial e integrando novos alunos. Os próximos passos incluem a elaboração de um e-book e o desenvolvimento de um site – para o qual já possuem parceiros.

“Começamos como uma brincadeira e agora precisamos desempenhar demandas importantes, que nunca pensamos em desenvolver tão cedo. Essas experiências estão agregando muito para todos nós porque, quando tivermos que lidar com elas na vida adulta, não sofreremos um choque tão grande por termos uma base muito boa, que a Empresa Jovem ajudou a desenvolver”, comentou a aluna Fernanda de Souza Brito, de 16 anos.


Os reflexos do empreendedorismo no colégio

Para Almeida Prado, os reflexos do projeto já são sentidos na prática. A começar pelo desenvolvimento de habilidades e competências diversas, como o trabalho colaborativo, uma vez que os alunos são colocados diante de problemas reais, que precisam ser solucionados em conjunto.

Além disso, ele argumenta que o projeto os inspira a identificarem oportunidades de negócios, desenvolvendo os conceitos de liderança, empreendedorismo e o contato com planilhas e ferramentas de gerenciamento de projetos.

O sentimento de pertencimento gerado com a proximidade cada vez maior com o colégio, é outra vantagem citada por ele.

“O projeto estreitou ainda mais os laços dos alunos com a escola. Percebemos maior engajamento nas atividades diárias e uma mudança de postura dentro da sala de aula. Sabemos da importância da vida acadêmica, mas desta forma ampliamos as possibilidades de insights para eles fazerem suas escolhas após o Ensino Médio, sejam elas a universidade, um intercâmbio ou o empreendedorismo”, detalhou o coordenador.


O que pensam os alunos sobre a Empresa Jovem:

Participar do projeto da empresa Jovem, fez a estudante Fernanda de Souza Brito, 16 anos, repensar sua escolha profissional. Antes, decidida a cursar Direito para atuar na área pública, ela agora cogita a possibilidade de atuar na área privada, por conhecer um pouco mais o universo empresarial.

“Os alunos sentem muita necessidade de compreensão do que é o mundo do mercado de trabalho, como funciona, como entrar e as instituições não podem se isentar da responsabilidade de desenvolver essa etapa. A Empresa Jovem conseguiu ligar a excelência de ensino com noções de profissionalismo e ainda aprendizados que conseguimos aplicar na sala de aula, como o uso das planilhas, com isso nos engajamos mais”.

Para o aluno Luan Fernandes de Oliveira, de 16 anos, o projeto também foi determinante para sua escolha profissional dos próximos anos, além de ampliar seus horizontes no ambiente de negócios, no sentido de fazê-lo entender melhor a perspectiva do cliente.

“Desejo empreender na minha carreira para agregar valor à vida das pessoas. Não precisamos mudar o mundo inteiro, se aprendermos a fazer a nossa parte, o mundo será um lugar melhor e a forma mais fácil, rápida e lucrativa de fazer isso é o empreender. A Empresa Jovem ajudou muito na tomada de decisão”, destacou.

No seu colégio existem projetos semelhantes? Conte sua experiência para nós e aproveite para ler mais sobre educação empreendedora e por que vale a pena investir.

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