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A repercussão da volta do Talibã ao poder no Afeganistão e a saída dos Estados Unidos do país após 20 anos de guerra se transformaram em temas de aulas para alunos do ensino médio de escolas localizadas em São Paulo. Incentivados pelos professores, os estudantes demonstraram curiosidade para entender o contexto dos noticiários internacionais das últimas semanas.

No Colégio Humboldt, instituição bilíngue e multicultural (português/alemão) localizada em Interlagos, a tomada do poder pelo grupo fundamentalista na capital Cabul foi tema trabalhado em aula expositiva finalizada com debate pela professora de geografia Carolina Bello.

“Trabalhei a Guerra do Afeganistão no primeiro semestre com os 12ºs anos, juntamente com os conflitos armados no mundo, além de trabalhar uma modalidade de atualidades com essas turmas. Mas, em todas as salas do 9º ano ao Ensino Médio, assim que o Talibã tomou o poder em Cabul, eu parei tudo o que estava fazendo para explicar o que estava acontecendo. E agora, voltamos novamente nesse episódio com os 12ºs anos”, conta.

De acordo com Carolina, os alunos demostram interesse pelos acontecimentos internacionais. “É também uma curiosidade para todas as turmas, pois é um problema que todos nós vivenciamos: estamos falando de uma situação de conhecimento geral, do mundo, e todos eles sempre querem estar a par do que está acontecendo”, avalia.  

Para tornar esse processo de aprendizado ainda mais atrativo, a educadora recomenda a inclusão de podcasts que tratem dessa temática. “Os alunos ouviram um podcast em português, do Petit Journal, sobre o Afeganistão, que explicava tudo o que aconteceu no país desde os anos 70 até os dias atuais”, sugere.

Na Zona Leste, colégio aborda polêmicas que envolvem o Afeganistão no projeto ‘Questão de Fé” e nas turmas de ensino religioso

No Colégio Mary Ward, na Zona Leste de São Paulo, na região da Tatuapé, o professor de filosofia, ensino religioso e projetos (novo Ensino Médio), Ricardo Sebold Cois já abordava a temática no projeto ‘Questão de Fé’, que trata do preconceito e problemáticas religiosas.

“Não é uma problemática simples”, afirma Cois, que optou por contextualizar a saída dos Estados Unidos do Afeganistão após 20 anos de guerra a partir de 1955, ainda na época da União Soviética, passando pelo atentado as Torres gêmeas nos Estados Unidos em 11 de setembro, organizado pela Al-Qaeda, e que motivou a presença norte-americana no Afeganistão. “Dessa forma, os estudantes têm mais subsídios e podem vir a escolher o tema para ser trabalhado em projetos no novo Ensino Médio”, afirma.

Na escola, os outros dois projetos disponibilizados no ensino médio são ‘Efeito subliminar’, em que por meio dos gêneros textuais, os jovens aprendem a identificar o que o autor quis dizer com um determinado tipo de discurso. E no projeto ‘Hackeando problemas’, que busca informar aos alunos a questão sobre os algoritmos que orientam para a escolha de um determinado comportamento.

“Pode ser que algum dos grupos tenha interesse em desenvolver esse tema sobre Afeganistão, que remete a várias abordagens. Os alunos ficaram impressionados com as cenas transmitidas pela TV e as mídias online. As imagens das pessoas caindo do avião no Afeganistão chocou a todos, eles ficaram perplexos”, acrescenta.

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