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As escolas que sempre buscam meios de manter e muitas vezes elevar a qualidade de ensino, bem como se garantir no mercado, não têm como deixar de lado os indicadores de desempenho de gestão escolar. E, como já falamos por aqui, o uso de dados contribui até mesmo para impulsionar a tomada de decisões dos diretores.

O uso da ferramenta é fundamental para que os colégios consigam mensurar o desempenho no ensino, do corpo docente, da parte administrativa. São esses indicadores que permitem medir o grau de satisfação de toda a comunidade escolar – estudantes, famílias, professores e funcionários.

“A escola que pretende oferecer uma atuação de qualidade, precisa conhecer-se a fundo. Precisa ter dados sobre pontos específicos para que sejam tratados a fim de que se possa quantificar e qualificar, isto é, que possam subsidiar a gestão, o que podemos chamar de indicadores”, afirma José Pedro Lino, professor universitário, palestrante e mestre e doutorando em Educação.

Para o educador, é preciso saber usar os indicadores de desempenho de gestão escolar de maneira madura e responsável, tratando-os, sem desprezar que grande parte dos dados que os compõem, são extraídos de variáveis humanas. Ainda que sejam tratadas quantitativamente, afirma, é imprescindível que se avalie a qualidade das variáveis.

“Qualidade em ‘ensino’, por vezes vem sendo tratada por desempenho de estudantes em aprovações de vestibulares. Há outdoors por todo país nesse sentido, mas é imprescindível que revisitemos a função primeira da escola, em preparar cidadãos para atuarem na vida, de forma emancipada. E, sim, é possível atender o mercado e as necessidades dos estudantes para atuarem em sociedade”.

 

9 indicadores de desempenho de gestão escolar para você usar

De acordo com o educador José Pedro Lino, há indicadores que, sem dúvida, merecem exploração e análise, como os selecionados abaixo:

1 – Área financeira: A saúde financeira de uma escola é o que determina a capacidade para uma atuação de qualidade. Por isso, precisa ser levado em conta todas as informações referentes a custos, despesas, receitas, inadimplência, bolsas de estudos, salários e investimentos.

2 – Desempenho dos alunos: Trata-se de uma importante ferramenta para a escola saber se o ensino que está sendo oferecido está gerando resultados. É possível incluir métricas individuais e coletivas, com as notas de cada disciplina, índice de faltas, participação de projetos externos, entre outros.

3 – Desempenho dos professores: Aqui é preciso considerar itens como o contexto dos docentes, o grau do engajamento com a proposta pedagógica e com a missão institucional, o trabalho em equipe, a boa utilização do suporte educacional e até mesmo comportamentos e opiniões dos estudantes em relação a eles. Também deve ser levado em conta a formação e a condição de trabalho dos professores, bem como o investimento pessoal de cada um na própria formação continuada.

4 – Desempenho do pessoal administrativo: Este indicador tem como foco medir a relação entre produtividade e qualidade do trabalho administrativo. Uma sugestão de métrica de desempenho é a quantidade de atendimentos realizados por mês e o nível de solução para as demandas. Números de faltas e atrasos, banco de horas e outras questões pertinentes ao RH (Recursos Humanos) também devem ser levados em consideração.

5 – Informações demográficas das famílias: Esses dados são importantes para saber qual é de fato o público atendido pela escola. Nessa categoria é necessário incluir itens como composição familiar, renda, localização da moradia, tipo de transporte utilizado para ir à escola e número de bolsistas etc.

6 – Instalações, equipamentos e insumos: Neste indicador é considerado todas as métricas relacionadas à manutenção das instalações e equipamentos da instituição de ensino, bem como compra de insumo – entre os quais destacam-se produtos de limpeza, materiais de escritório e itens para a sala de aula – substituição de móveis, renovação da frota de veículos, atualização de computadores, entre outros.

7 – Qualidade dos serviços educacionais: Nesta categoria é possível englobar métricas de qualidade para cada serviço pedagógico como oficinas esportivas, de dança, línguas ou musicais. No caso das atividades extracurriculares, um indicador pode ser o número de matrículas e frequência dos estudantes.

8 – Relacionamento: É fundamental a aproximação das famílias com a escola para o engajamento e aceitação das propostas institucionais. Para saber como anda essa “relação”, são sugeridas pesquisas com estudantes e seus familiares por meio de reuniões e até atendimentos particulares às famílias.

9 – Tecnologia e inovação: Aqui mostra o quão preocupada a escola está com a inserção de novas tecnologias e inovação para o ensino. Entre os questionamentos que podem compor os indicadores de gestão escolar para o uso de tecnologia estão: qual é o nível de autonomia de seus professores, funcionários e estudantes para o uso de recursos digitais? Quanto a escola investiu para adequar a unidade à transformação digital e como funcionam as capacitações profissionais para tais fins?

“Se pensarmos sobre a escola privada, haverá indicadores que não necessariamente estão relacionados à qualidade de ensino, mas que são fundamentais à saúde do negócio, como por exemplo o marketing feito da marca, a comunicação visual, o atendimento ao público, etc. Já a escola pública, que possui a esmagadora população de estudantes, debate-se para que universalização do ensino, acompanhe oferta de qualidade, com entraves diversas de formação, financiamento, aplicação de verbas e estrutura”, enfatiza.

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Gestão de currículo

Para José Pedro Lino, os indicadores de desempenho de gestão escolar dão respostas importantes, mas ele destaca que um indicador merece maior atenção: trata-se da gestão do currículo. 

“A discussão de qualidade precisa partir de onde o ensino se efetiva, a sala de aula. A criteriosa avaliação do currículo, isto é, daquilo que a escola ofertará para aprendizagens e desenvolvimento de habilidades e competências é que se constitui-se como elemento de sucesso a todo processo”, afirma.

De acordo com ele, qualidade de ensino precisa reproduzir qualidade na aprendizagem. “E aprendizagens escolares que deem suporte à vida, com toda potência e complexidade que se apresenta neste século”, conclui.

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