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Se no início da pandemia a dinâmica das aulas remotas exigiu que os professores e gestores escolares se adaptassem rapidamente às novas tecnologias, atualmente os desafios são outros. Em mais de um ano com ensino online, as escolas, mais do que nunca, precisaram estreitar o relacionamento com as famílias e, agora, buscam alternativas para manter a motivação e conseguir a participação dos alunos neste novo formato de aulas, e nesse sentido o acompanhamento escolar é de extrema importância. 

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Datafolha, a pedido da Fundação Lemann, Itaú Social e Imaginable Futures, o percentual de alunos sem motivação para estudar saiu de 46%, em maio do ano passado, e chegou a 54%, em setembro de 2020. Para a pesquisa, foram entrevistados aproximadamente mil pais, mães ou responsáveis de alunos entre de 6 a 18 anos. Ainda segundo com o estudo, a dificuldade em se organizar para estudar em casa também aumentou, de 58% para 68%, no mesmo período.

Os números preocupam tanto as famílias quanto os educadores. Mas uma boa saída para enfrentar os percalços deste cenário e conseguir ajudar as crianças e adolescentes fora das salas de aula, é o acompanhamento escolar. Trata-se da contratação de uma orientação educacional, que pensa a formação completa, individualizada e personalizada do aluno. Neste trabalho, são identificados os pontos fortes e fracos no aprendizado do estudante e um planejamento de estudos eficiente é estruturado ao longo de todo o processo. 

“O acompanhamento pedagógico é uma estratégia de ensino que orienta, e tem como objetivo aumentar o aproveitamento do aluno na escola, dando aquela facilidade no processo de aprendizagem, organização e concentração, focando sempre em despertar na criança o prazer em aprender”, explica a professora de educação infantil Samara Carneiro de Lima Alves.

Ainda de acordo com Samara, o acompanhamento foca na dificuldade do aluno. “Em sala de aula, sempre nos deparamos com alunos com problemas de atenção, dificuldades na escrita, problemas com a interação com colega e muito mais”, exemplifica.

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O que é dificuldade de aprendizagem e qual o papel da escola nessa questão?

A pedagoga Karine Marques, que também é pós-graduanda em psicopedagogia, lembra que o acompanhamento escolar é a assistência de um profissional da pedagogia, a quem necessita de orientações relacionadas ao processo de aprendizagem. “Este tipo de acompanhamento amplia possibilidades de o educando desenvolver a autonomia, potencializar suas habilidades e superar suas dificuldades”, acrescenta.

Karine pontua ainda que o acompanhamento escolar é indicado quando o educando demonstra que seu processo de aprendizagem necessita intervenção pedagógica. “Normalmente, quem observa que existe uma dificuldade evidente é uma professora (ou um professor), pois o comportamento de alunos que necessitam dessa intervenção sobressai ao comportamento dos colegas”, completa.

Quais os benefícios do acompanhamento escolar? 

De acordo com a pedagoga Karine Marques, o primeiro benefício nesse tipo de acompanhamento é o desenvolvimento adequado do aluno por meio de práticas de ensino que facilitam a aprendizagem e o direcionam. “Posso dizer, também, que a melhora no desempenho escolar é maximizada através das estratégias elaboradas pelo profissional”, afirma a profissional.

Entre a lista das vantagens do acompanhamento escolar, está uma maior organização, um ensino focado em dificuldades específicas e estudantes mais confiantes. “São diversos os benefícios, mas alguns deles são que o acompanhamento pedagógico ajuda a aumentar a confiança dos alunos, alcança as dificuldades de cada aluno e facilita a organização dos alunos”, ressalta a professora de educação infantil Samara Carneiro de Lima Alves.

Como realizar esse tipo de trabalho?

O acompanhamento escolar deve ser desenvolvido a partir da demanda do aluno. Por isso, é preciso que o método seja personalizado, atendendo os pontos altos e baixos individuais, motivando a criança ou adolescente a ser um agente ativo da sua própria aprendizagem.

“O acompanhamento escolar deve ser realizado elaborando e conduzindo estratégias de acompanhamentos, aplicando os métodos pedagógicos e analisando o resultado do desenvolvimento de cada aluno”, pontua a educadora Samara Carneiro de Lima Alves.

 

Apesar de não existir uma regra para o acompanhamento escolar, a pedagoga Karine Marques reforça que o objetivo desse trabalho é a aprendizagem de uma maneira facilitada, ocorrendo, muitas vezes, através da ludicidade. “Para a avaliação e uma realização eficiente do acompanhamento do aluno, é preciso observar, com um olhar sensível, alguns fatores: situações que motivaram o encaminhamento; a realidade social do aluno; a trajetória no âmbito escolar; e fatores que possam ter gerado gatilhos negativos no processo de ensino e aprendizagem”, lista.

Qual a importância de a família participar ativamente do acompanhamento escolar?

Se os alunos já têm um melhor rendimento na escolar quando os pais e/ou as mães participam ativamente dos estudos dos filhos (as), com o acompanhamento escolar não é diferente. “Tem evidência empírica que os resultados apresentados por alunos, os quais as famílias são participativas, são mais eficazes. O aluno se sente mais confiante no momento que sabe que a família acredita no seu potencial”, afirma a pedagoga Karine Marques.

De acordo com a profissional, que também é pós-graduanda em psicopedagogia, a participação da família é ainda mais importante quando trata-se de um educando com alguma dificuldade de aprendizagem. “É importante a participação e o acompanhanto. Ir nas reuniões, comparecer nos eventos em datas comemorativas e, também, se fazer presente durante todo o processo de aprendizagem. Tudo isso é muito significativo para a criança”, pontua Karine.

Para a professora de educação infantil Samara Carneiro de Lima Alves, a vivência ativa da família na vida do filho e/ou filha, incluindo no acompanhamento escolar, é de extrema necessidade, já que os pais dão feedbacks sobre os alunos, auxiliando na criação de estratégias e ajudando a trazer novas abordagens. “A família se sente acolhida e fica cada vez mais unida”, finaliza.

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