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Chegamos ao fim de 2020 e com muitos desafios para o próximo ano, talvez, o maior deles seja o retorno das aulas com ensino híbrido. Dois públicos, um na escola e outro em casa. Como pensar em uma infraestrutura educacional? Como garantir a padronização do ensino-aprendizado? Como desenvolver modelos de avaliação confiáveis? 

Para responder a essas e outras perguntas, conversamos com Luizinho Magalhães, pedagogo e diretor acadêmico da rede de Escolas Luminova, que desde a sua fundação opera com a metodologia blended learning e valoriza a aprendizagem adaptativa.

Mas assim como qualquer outra escola do país, a rede Luminova, logo em março, precisou adotar o ensino remoto de forma emergencial e lidou com vários desafios. Mas por ter a tecnologia em seu cerne, conseguiu lidar muito bem com a adversidade do momento e hoje é considerada referência em aprendizagem no ensino híbrido. 

 

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Boas práticas para se inspirar

Do ensino fundamental I até o médio, os alunos da Luminova passam por uma crescente exposição digital, desde o acesso aos conteúdos escolares até as avaliações, que são focadas especialmente na Avaliação da Verificação de Aprendizagem (AVA). 

Ela acontece a todo momento, aula a aula, semana a semana, não é aquela avaliação que eu marco que vai acontecer, ela acontece instantaneamente, ao longo do processo, e vai se acumulando”, explica o diretor acadêmico. 

Há um segundo modelo de avaliação que é chamado de produção digital, onde o aluno digitaliza todo esse conhecimento construído ao longo do ano letivo. Um terceiro modelo, mais tradicional, é a avaliação argumentativa, que consiste em uma prova escrita.

Todo esse processo avaliativo, segundo Luizinho, é abarcado por uma plataforma LMS (Learning Management System), que entre suas várias funcionalidades permite acompanhar postagens de alunos e professores, garantindo a chamada “fluência digital” – que explicaremos logo a seguir.

Ele ainda esclarece que os modelos avaliativos são aplicados em todos os níveis escolares, mas respeitando as especificidades de cada um. No ensino fundamental I, por exemplo, todo conteúdo é mapeado pela plataforma LMS e outras duas plataformas de adaptive learning (aprendizagem adaptativa) ainda são utilizadas para identificar e estruturar habilidades de raciocínio lógico e de língua portuguesa.

Os professores também estão imersos nessa fluência digital e são avaliados quanto ao bom uso das ferramentas digitais. “Eu meço, semana a semana, mês a mês, essa fluência dele, quantidade de posts, a postagem de conteúdos e quantos acessos cada professor teve pela plataforma. Isso me traz indicadores pedagógicos muito importantes, de acompanhamento”.

4 pilares para se pensar no ensino híbrido

Hoje com um robusto modelo de avaliação em meios digitais, o diretor acadêmico da Luminova aconselha que todas as escolas avaliem seu processo de ensino-aprendizado e cultura digital, para então tomarem decisões acerca do ensino híbrido. 

Esse entendimento permeia por quatro pilares, compartilhados por ele e explicados logo abaixo:

  1. Fluência do aluno;
  2. Fluência digital do professor;
  3. Presença digital da escola;
  4. Avaliação da aprendizagem do aluno.

Fluência digital do aluno

Na Luminova não há aulas gravadas, apenas ao vivo. Luizinho justifica essa escolha por acreditar que o modelo assíncrono não permite que o aluno construa ativamente seu conhecimento. Ainda assim, ele acredita ser necessário identificar a fase em que o estudante se encontra para direcioná-lo da melhor forma.

“Nós precisamos observar o quanto esse aluno está preparado, acostumado ou pronto para receber o processo ensino-aprendizagem à distância por meio de videoaulas ou de aulas ao vivo. [..] Então, avaliar essa fluência, como o aluno está preparado, qual o tempo que ele fica em exposição frente à tela, é um aspecto muito importante”.

Fluência digital do professor

O que a gente tem visto é o professor na frente da tela continuando com a aula expositiva [..] O paradigma do processo ensino-aprendizagem não mudou nada, o aluno continua sendo um sujeito receptor e o professor continua sendo um sujeito transmissor”.

Na perspectiva de Luizinho, não basta somente o aluno estar familiarizado com digital, os professores também precisam saber manusear os recursos digitais para tirar o melhor proveito deles e, consequentemente, avaliar o aluno de forma precisa e justa. 

Presença digital da escola 

O terceiro pilar é, justamente, o que a escola oferece de ferramentas e condições para que o professor e o aluno possam exercer a sua fluência digital. Isso engloba a adoção de novas plataformas, a capacitação continuada dos professores e o uso de indicadores pedagógicos.

Avaliação da aprendizagem do aluno

Para finalizar, o diretor acadêmico da Luminova ressalta que ao juntar a fluência digital do aluno e do professor obtém-se então o resultado da aprendizagem processual do aluno. Ele ainda reforça:

“Não basta apenas eu ter o resultado da avaliação de aprendizagem do aluno, esse é apenas um dos pilares importantes que eu tenho que levar em consideração […] Eu tenho que levar em consideração aspectos que compõem todo um contexto, porque não é só o resultado do que o aluno aprendeu, mas passa por uma série de fatores que vão me dizer de como o aluno teve o acesso à aprendizagem mais do que a exposição à tela”. 

Assista à palestra completa:
Como acompanhar e verificar a aprendizagem em um ambiente híbrido?

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