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Nos últimos meses, temos enfrentado profundas transformações no nosso dia a dia, seja em nossa vida pessoal, no trabalho ou no estudo. E é possível que essas mudanças sejam duradouras e que impactem permanentemente nosso estilo de vida.

Devido à crise sanitária, a tecnologia possibilitou que milhões de alunos no mundo todo continuassem a estudar, mesmo com as escolas fechadas. Agora, quando já se fala em volta às aulas presenciais, as ferramentas digitais aparecem, mais uma vez, como grandes aliadas de alunos e professores.

Nesse contexto, o ensino híbrido se apresenta como uma das soluções para a reabertura das escolas prevista para o segundo semestre. Mesclar o ensino presencial com o remoto é uma das formas encontradas para possibilitar o retorno das atividades presenciais, garantindo o distanciamento social entre os alunos. A ideia é que haja um rodízio entre os alunos, para garantir que todos estudem sem estar fisicamente no mesmo lugar, ao mesmo tempo. Ou seja, enquanto alguns estudam em sala de aula, outros seguem as atividades on-line.

 

Uma tendência muito anterior à pandemia

Antes da pandemia, o ensino híbrido já vinha sendo considerado uma das maiores tendências educacionais do século XXI. Diante do que estamos vivendo, o também chamado blended learning, promete ganhar força e velocidade.

A principal característica do ensino híbrido é permitir que o aluno estude, em alguns momentos, com a presença do professor, e que, em outros, estude sozinho, com a ajuda da tecnologia.

Apesar da resistência de muitos educadores e de pais de estudantes, o ensino híbrido é visto com bastante naturalidade por alunos, os chamados nativos digitais, cuja realidade é um contato diário e constante com ferramentas digitais.

“O ensino híbrido é necessário. Usar tecnologia regularmente, com naturalidade, para as mais variadas finalidades, inclusive aprender, é absolutamente essencial para qualquer cidadão de hoje e do futuro. Por vezes, pode ser difícil viabilizar, por dificuldade de acesso ou escassez de dispositivos, mas essa questão deve estar no foco de atenção dos gestores escolares e professores”, diz a consultora em inovação em contextos educacionais Betina Von Staa. Betina é formada em Letras e é coordenadora do CensoEAD.BR, da Associação Brasileira de Ensino a Distância, ABED.

 

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A volta as aulas e o ensino híbrido

O Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) elaborou uma cartilha com diretrizes para a volta às aulas presenciais. Os estados podem fazer adaptações dessas diretrizes a partir de suas realidades locais, respeitando as normas básicas em tempos de crise sanitária.

O secretário estadual de educação de São Paulo, Rossieli Soares, anunciou um plano para a reabertura das escolas da rede pública e privada em três fases, a partir de 8 de setembro: a primeira com somente 35% dos alunos presentes ao mesmo tempo em sala de aula, a segunda com 70% dos alunos e, a última, com 100% dos alunos.

 

Muito mais do que a mistura do presencial e do on-line

Segundo a especialista Betina Von Staa, o ensino híbrido, com todas as suas características e complexidades, ainda é uma realidade distante do ensino no Brasil, ainda muito centralizado no professor:

“O que vemos agora é, principalmente, o ensino remoto em plataformas de videoconferência. É a versão mais próxima da sala de aula convencional em contexto de isolamento social. O foco das escolas está recaindo sobre aulas síncronas, centradas no professor, com relativamente pouca solicitação de trabalhos produzidos pelos alunos.”

Para Betina, os conceitos do ensino híbrido vão muito além da mistura do presencial e do on-line e já poderiam ser colocados em prática, antes mesmo de as aulas presenciais voltarem.

“O importante é entender que o momento da aprendizagem não precisa estar totalmente centrado no professor e que os alunos podem realizar muitas atividades diferentes mediadas pela tecnologia: podem ser propostos trabalhos de pesquisa, produção de textos, imagens, áudios e vídeos, interação em pequenos grupos com as mais variadas finalidades e até acesso a plataformas adaptativas para aprender conteúdos específicos. A tecnologia permite todo o tipo de desenvolvimento de competências e habilidades. Quem entender que o tempo de aula pode ser dedicado a essas atividades, acompanhar o progresso dos alunos e oferecer apoio, feedback e incentivo para que persistam, já estará praticando aprendizagem híbrida. Então, quando for necessário dividir as turmas e deixar um grupo estudando em casa e o outro com o professor na escola, já estarão prontos para este cenário.”

 

Como o ensino remoto pode desenvolver competências fundamentais para o século 21?

 

Segundo a consultora em inovação, o ensino híbrido permite que o aluno desenvolva sua autonomia, tanto em relação ao tempo que se dedica a seus estudos quanto para buscar conteúdos de seu interesse. O aluno assume a posição de protagonista de seu aprendizado e o professor passa a ser mais um mentor/guia desse processo.

Para ela, o ensino híbrido envolve um conhecimento amplo de metodologias, práticas, ferramentas e conteúdos digitais e, por isso, ainda levará algum tempo até que seja colocado em prática de fato. 

Segundo um estudo conduzido recentemente pelo Fórum Econômico Mundial (Three ways the coronavirus pandemic could reshape education, ou “Três formas que a pandemia do coronavírus pode remodelar a educação”), o ritmo lento da mudança nas instituições acadêmicas em todo o mundo é lamentável. O estudo aponta que as escolas ainda têm abordagens antigas baseadas em aulas expositivas em salas de aula obsoletas. Segundo o estudo, a educação, agora, com toda a pressão por mudança, pode levar a inovações surpreendentes em um período relativamente curto.

“Trata-se de um caminho necessário, produtivo, que ainda pode ser muito mais explorado pelas escolas, com ou sem isolamento social”, finaliza Betina.

 

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