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Foi-se o tempo em que ser organizado, criativo, pontual e proativo eram as principais características buscadas pelas equipes de recursos humanos na hora de selecionar os candidatos para as vagas de emprego. Com o mundo em constante transformação, o mercado de trabalho está cada vez mais dinâmico, competitivo e – principalmente – seletivo.

Consequentemente, além desses adjetivos, também passou-se a exigir dos profissionais competências e habilidades que vão além da formação técnica. Segundo os especialistas, as soft skills – habilidades que estão relacionadas à inteligência emocional -, estão se tornando cada vez mais valorizadas nos ambientes corporativos.

Afinal, é preciso estar preparado para suprir as atuais demandas profissionais, como por exemplo, trabalhar sob pressão – uma situação corriqueira dentro das empresas, seja pelo cumprimento do prazo ou para atingir as metas.

Os novos formatos de carreira também demandam equipes multidisciplinares, e saber interagir e se adaptar às mudanças podem ser fatores decisivos na hora de uma contratação. Assim como profissionais com capacidade de liderança e de tomada de decisões assertivas em momentos de crise são diferenciais para lidar com a nova economia.

E para atender a essa nova dinâmica, um dos grandes desafios das escolas é, justamente, formar alunos com essas competências e habilidades exigidas pelo século 21.

“É imperativo trabalhar conteúdos de maneira a não só alinhar o conhecimento ao dia a dia do aluno, como inserir atividades, dentro e fora de sala de aula, que promovam o desenvolvimento dessas soft skills, como pensamento crítico e capacidade de resolução de problemas”, pontua o gerente da Unidade de Educação Empreendedora do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) Nacional, Augusto Togni.

 

Entenda as competências e habilidades necessárias para os estudantes do século 21

Para o gerente do Sebrae, entre as habilidades exigidas dos estudantes do século 21 estão a flexibilidade, criatividade e a capacidade de trabalhar em equipe. “Também podemos citar a capacidade de se conectar e interagir com os outros, ou seja, empatia, além da comunicação, pensamento crítico e liderança. Além disso, segundo a World Economic Fórum, as competências necessárias para uma atuação no século 21 também envolvem resolução de problemas complexos, inteligência emocional, flexibilidade cognitiva, dentre outras”, exemplifica.

E assim, aulas de meditação, momentos de reflexão em sala e professores que estimulam o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, por exemplo, passam a ser cada vez mais frequentes nas salas de aulas para atingir as competências dos alunos em formação para atuarem no século 21. “Esperamos que os estudantes sejam engajados com o trabalho, tenham vontade, brilho nos olhos para executar as atividades, que se preocupem com a comunicação e que saibam que invariavelmente trabalharão em equipes com profissionais diversos”, afirma umas das supervisoras do CIEE, Lilene Ruy.

No Colégio Nahim Ahmad, de Guarulhos (SP), por exemplo, o trabalho das habilidades são classificados em três domínios: cognitivo, intrapessoal e interpessoal. Segundo o professor Ubirajara Neves, que é coordenador pedagógico do ensino médio, a habilidade cognitiva está relacionada com o aprendizado acadêmico. Já a intrapessoal é a capacidade de autoconhecimento e de saber lidar com as emoções. Por fim, a interpessoal envolve desenvolver a habilidade de lidar com o outro. “Ao desenvolver estas habilidades, o aluno entende como se colocar no mundo e relacionar-se com ele”, completa.

Já na Escola Concept, escola bilíngue com unidades em São Paulo, Ribeirão Preto e Salvador, visando preparar seus alunos para o futuro, o currículo foi dividido em quatro pilares: empreendedorismo, sustentabilidade, colaboração e fluência digital. Além disso, mirando em crescimento pessoal aliado ao avanço da comunidade, os estudantes são estimulados a trabalharem a partir dos “16 Habits of Mind”.

 

Saiba mais sobre os "16 Habits of Mind"

 

Como aliar o desenvolvimento das competências e habilidades à grade curricular?

A essa altura você já deve ter notado que transmitir o conteúdo em sala de aula de maneira estática e sem ligação com as outras disciplinas, sem dúvida, não contribui para o desenvolvimento das competências do profissional do século 21. Mas, então, qual a melhor forma de ensinar aos alunos essas tais habilidades?

Para chegar nessa resposta, os especialistas afirmam que não há outro caminho a não ser repensar os modelos de aprendizado.

“Atividades baseadas em projetos e desafios, que envolvam solução de problemas, gamificação, estímulo do aprendizado por meio da experiência, ensino interdisciplinar que necessitem trabalho em equipe, articulação, pensamento crítico e inovador – tudo isso precisa ser considerado”, completa.

No Colégio Nahim Ahmad, por exemplo, os educadores são orientados a trabalharem com exemplos e aplicações cotidianas daquilo que é ensinado em sala de aula. “Além de um material didático extremamente atualizado e moderno, lançamos mão de diversas tecnologias educacionais para atingir os nossos objetivos, tanto em sala quanto fora dela. No domínio intrapessoal, nossas crianças e adolescentes vivenciam as aulas de habilidades socioemocionais semanalmente. Mais do que uma disciplina, trata-se de um momento de reflexão e troca de experiências, mediada pela educadora, com participação ativa das turmas”, explica o professor Ubirajara Neves.

Também faz parte da rotina escolar a meditação, que é apresentada aos pais e alunos com fundamentação científica, além da adoção do minuto de silêncio no início de cada aula, em todas as faixas etárias. “Vale dizer que a adoção dessas práticas levam os estudantes a compreenderem a importância do olhar para si, de ter um tempo pessoal de qualidade para que possa alcançar melhores objetivos. Outro benefício colhido é a mudança de atitude mental dos alunos, deixando-os mais calmos e receptivos para as atividades que serão desenvolvidas na sequência”, enfatiza. Em relação às habilidades interpessoais, a escola também estimula o trabalho em equipe e, neste ano, teve início a criação de clubes e agremiações por afinidades e interesses, como clube de fotografia, de dança e grupos de estudos.

 

Inteligências Múltiplas: como aplicar na sua escola?

 

Já na Escola Projeto Vida, de São Paulo (SP), além de usar o mindfulness (atenção plena) para desenvolver habilidades socioemocionais nos alunos, a escola trabalha com projetos maker, focando na resolução de problemas e na criatividade.

“Nesses projetos, os alunos colocam a ‘mão na massa’, a partir de problemas colocados aos alunos e devem criar alguns protótipos. Por exemplo, no 8º ano os alunos estudam as fontes energéticas e a necessidade de sua preservação, e analisam as contas de água da escola. A partir disso, devem desenvolver um projeto para a economia de água na escola, construindo protótipos”, exemplifica a supervisora pedagógica Suzana Mesquita Moreira

 

Qual o papel dos professores nesse cenário?

Para que haja uma formação consistente das crianças e jovens nas habilidades do século 21, é preciso também se preocupar com a qualificação dos professores que, afinal, acabam tendo grande responsabilidade nessa jornada. “Os professores devem ser capazes de assumir uma postura de condutor, mediador, de facilitador da aprendizagem, estimulando discussões que ultrapassem os limites dos conteúdos factuais. Isso requer uma mudança de mindset do professor que em geral está acostumado a repassar conteúdos de maneira estática e desvinculada de outras matérias”, afirma o gerente do Sebrae, Augusto Togni.

“O educador precisa entender que o papel dele mudou e vai mudar cada vez mais. Ele vai ser sempre uma referência de conhecimento, de excelência, mas talvez excelência no relacionamento, talvez uma pessoa reflexiva que faça debates importantes, porque muitas vezes a pergunta é mais importante do que a resposta, então no dia que o educador entender isso, com certeza ele vai trazer para o ambiente escolar uma riqueza, uma mudança e uma transformação”, afima Thamila Zhaer, diretora do Grupo SEB (da qual a escola Concept faz parte).

 

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Sendo assim, uma escola que se proponha a trabalhar as soft skills, deve olhar de maneira diferenciada para seu corpo docente, proporcionando capacitação, acompanhamento e apoio estrutural. Afinal, as habilidades e competências do professor em sala de aula influenciam no sucesso pessoal e profissional dos estudantes. “Ele desperta nos estudantes habilidades e desejos que, às vezes, passam despercebidos. É em sala de aula que entendemos a lógica dos relacionamentos e as atividades propostas para que o trabalho em grupo, por exemplo, seja uma habilidade desenvolvida”, diz a supervisora de Inclusão Social e Processos Seletivos Especiais do CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola), Lilene Ruy.

E a sua escola? Como está se adaptando para formar alunos mais preparados para o futuro?

 

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