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A crise que estamos enfrentando nos mostra a importância de atuarmos de forma individual, mas sempre pensando no coletivo.

No caso do mercado educacional, especialistas apontam casos de sucesso em instituições que trabalham o lado afetivo em sua comunidade escolar, que buscam soluções em conjunto e que se comprometem com iniciativas locais que têm impacto global.

Um dos destaques entre essas iniciativas é o compartilhamento de informações. Nesse sentido, uma alternativa com grande capacidade de ajudar as instituições de ensino é o Diagnóstico Nacional de Educação, uma ampla e gratuita pesquisa desenvolvida pelo Escolas Exponenciais.

A meta da pesquisa é ajudar gestores de escolas privadas e de cursos livres a analisar as estratégias que estão tomando, a tempo de contornar problemas e conseguir sair melhor desta crise.

“A gente tem observado inúmeras escolas que, a partir da forma como estão conduzindo o momento, vão sair mais fortes desse momento. A gente já consegue perceber isso, assim como conseguimos perceber as que irão sair mais fracas”, diz Vahid Sherafat, CEO do Escolas Exponenciais.

 

O que é o Diagnóstico Nacional de Educação?

Na tentativa de contribuir da forma mais completa possível com as instituições de ensino, o Escolas Exponenciais lançou em maio o Diagnóstico Nacional da Educação, uma pesquisa ampla focada em todos os aspectos da performance das escolas durante a crise.

A partir do resultado dessa pesquisa feita com diretores, professores e pais de alunos, as escolas podem analisar seu desempenho em comparação com a média nacional. 

“Nós construímos esse modelo de modo a formar um arcabouço que ajude as escolas a se conhecerem melhor, a terem parâmetros de comparação com todo o Brasil e, a partir dessas informações, poderem tomar as melhores decisões”, diz Fabrício de Paula, pesquisador e especialista de comunicação do Escolas Exponenciais.

A pesquisa cobre três principais frentes:

  1. O quanto professores e pais estão satisfeitos com o serviço da escola durante o período de isolamento social;
  2. Qual o risco de evasão de alunos na escola;
  3. Como pais e professores estão avaliando a qualidade da relação entre os agentes da comunidade escolar (diretores, professores, pais, alunos, etc.)

Todas as respostas são anônimas e a pesquisa é gratuita. 

 

Saiba mais e participe do Diagnóstico Nacional da Educação

 

A importância de realizar a pesquisa o quanto antes 

O Escolas Exponenciais chama atenção para a importância de realizar a pesquisa o mais cedo possível, pela possibilidade de ganho que o mecanismo oferece às instituições.

“Muitos diretores dizem que, antes de responder a pesquisa, precisam “arrumar a casa, mas a pesquisa não é certificado de mérito. Quanto antes você souber o diagnóstico, melhor. Eu tenho dito para eles: faça a pesquisa primeiro e depois arrume a casa, porque aí você vai saber exatamente o que você tem que arrumar”, diz o CEO da empresa.

Vahid Sherafat explica que, neste momento, os gestores estão inseguros na hora de dar qualquer passo, mas que sempre que se pensar em equipe, o resultado será melhor:

“Eu escuto gestores dizendo: ‘eu tenho medo de fazer um movimento e depois ser pior’. Aí eu digo: se todo mundo está junto no processo, não vai ser pior.” 

Fabrício concorda com a importância de gerar o máximo de informação, ainda mais sendo possível fazer isso de forma gratuita: “A emergência deste momento nos faz tentar diminuir a quantidade de passos dados. Agora, para poder diminuir essa quantidade de passos, quanto mais informação, quanto mais dados qualificados eu tiver, melhor vai ser a estratégia que eu vou construir”, diz Fabrício.

 

De olho na rematrícula

Outro motivo importante para a realização da pesquisa o mais cedo possível é a proximidade do momento da rematrícula, que tradicionalmente acontece em agosto. 

“Nós estamos chegando no momento de rematrícula. Então se a gente não souber como está a nossa situação, nós corremos o risco de demorar a tomar uma atitude para minimizar ou contornar problemas que possam acontecer”, diz Fabrício. 

O Diagnóstico funciona como uma espécie de termômetro, para que gestores possam ver seus principais indicadores e saber se a situação deles é vermelha, amarela ou verde. 

“O cenário 1 é o verde, sinal para seguir em frente, sinal de que a escola está reagindo bem. O cenário 2 é o amarelo, com necessidade de se fazer alguns ajustes. O terceiro cenário é o vermelho, com uma satisfação abaixo da média nacional e, consequentemente, com risco de evasão muito maior do que a média nacional ou com relacionamento muito afetado na comunidade escolar”, explica Vahid. 

 

A contribuição nacional

Vahid Sherafat chama atenção para a importância de uma ampla adesão ao Diagnóstico Nacional de Educação, para poder construir um cenário nacional, capaz de ajudar a todos: no âmbito local e no âmbito Brasil.

“Hoje ninguém sabe qual exatamente é o cenário, esse também é um papel dessa pesquisa. Além de ajudar localmente as instituições, apontar a nível de Brasil o que nós estamos vivendo, o que está acontecendo de fato neste momento em relação às escolas privadas do nosso país.”

“Quando nós tivermos o resultado da pesquisa, com a participação de todas as escolas, a gente vai poder, por exemplo, apontar as estratégias que foram mais eficientes neste momento”, complementa Fabrício. “Só lembrando, a gente está tentando olhar além, mas é preciso lembrar que nós estamos, na verdade, nos equilibrando para superar este desafio, para superar este momento, e não basta a gente olhar só para um lado da balança, a gente precisa olhar para o outro também”

 

A importância de um trabalho em conjunto com professores, colaboradores e famílias

Segundo os especialistas, existem 3 principais dimensões para lidar com a crise no setor educacional: a dimensão administrativa-financeira, a dimensão pedagógica e a dimensão afetiva. 

“A estratégia pedagógica precisa de tempo para reparar, mas é possível. A financeira- administrativa também. Mas a afetiva pode causar estragos difíceis de serem reparados”, alerta Vahid. Algumas escolas estão passando por questões financeiras graves, mas, lembre-se, isso tudo é possível de estar superado com uma estratégia clara de como conduzir esse processo. O importante é envolver todos da comunidade escolar (direção, coordenação e professores), e dizer: “a nossa escolha neste momento não é pelo medo. A nossa escolha é pela coragem, pela confiança de que vamos atravessar isso e vamos sair mais fortes disso”

 

 

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Vahid recomenda que os gestores de escolas assumam algumas posturas visando aumentar o vínculo com a sua comunidade: uma delas é a honestidade.

“A primeira postura que eu recomendo para os líderes assumirem é uma postura de honestidade com a seriedade do momento, mas ao mesmo tempo de confiança, de que é possível fortalecer a relação com as famílias, com os alunos, com os professores e sair mais forte aqui.”

Entre os desafios a serem vencidos, Vahid cita envolver toda a comunidade escolar no desafio de ser criativo. “É importante empoderar cada pessoa no comando da comunidade escolar com esse conceito de “nós podemos”, a partir do talento de cada um, de cada professor, de cada coordenador, e também de cada família. Por isso a participação das famílias no Diagnóstico é tão importante.”

Outro desafio, segundo o CEO, é ser sincero com suas vulnerabilidades. Ele destaca a importância de comunicar a verdade, o que sabemos e não sabemos, o que temos certeza e o que temos dúvidas. “Essa vulnerabilidade é essencial para desfazer trincheiras. É preciso estar aberto para a escuta, para o aprendizado, para a troca. Estamos vivendo um desafio conjunto. A confiança que a gente quer transmitir para nossa comunidade vem da certeza de que vamos sair juntos, melhores. Não sabemos tudo o que vai acontecer, mas estamos fazendo o melhor.” 

Para Fabrício de Paula, o reconhecimento da vulnerabilidade e da insegurança do momento abre possibilidades para o surgimento de ideias diferentes: “Ideias de pessoas que talvez a gente não esperava que pudessem contribuir naquele momento, mas que trazem iniciativas fantásticas.”

O humano é o que nos conecta. A conexão que a gente quer criar hoje com os professores, com os pais, com as famílias e alunos é uma conexão em cima da natureza humana que nós temos. É normal ter medos e receios”, diz Vahid.

 

Assista à palestra completa sobre o assunto:
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