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Muito se fala de como a pandemia acelerou o uso da tecnologia em sala de sala. Além disso, prevê-se que o ensino híbrido será uma tendência no pós-pandemia, tanto nas séries iniciais quanto no ensino superior.

Contudo, várias nações ainda convivem com um grande problema que intensificou-se nos últimos meses: as desigualdades educacionais. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), ao menos 71 países possui menos da metade da população conectada à rede mundial de computadores.

Para driblar esse problema, alguns países utilizam outras ferramentas para dar continuidade ao ensino remoto. 77% dos governos da América Latina e do Caribe, por exemplo, disponibilizam canais na TV aberta para levar conteúdos aos alunos.

Já no Brasil, a falta de internet é um problema que atinge principalmente aos alunos da rede pública de ensino. Especificamente, 26% dos estudantes não estão participando das aulas online por falta de acesso à internet, segundo os dados do Instituto DataSenado.

Apesar de ser um direito fundamental, a educação ainda não é universal e igualitária no nosso país. Desse modo, há consequências profundas em toda a sociedade, contribuindo para o aumento das desigualdades e da violência, afetando até a perspectiva de vida dos indivíduos.

“Acho que a educação é o caminho, e ter oportunidades educativas de desenvolvimentos das suas habilidades técnicas e emocionais é exatamente o ponto de virada que vai fazer o Brasil oferecer mais dignidade para o seu povo”, declara Edu Lyra, empreendedor social, fundador da ONG Gerando Falcões e um dos jovens brasileiros mais influentes segundo o Global Shapers e a Forbes Brasil.

 

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O que é empreendedorismo social

Edu, que nasceu em uma favela de São Paulo, por muito tempo viveu em escassez e encontrou nos estudos a chance de mudar de vida – e ter uma vida. No meio da faculdade, ele teve a ideia de escrever um livro chamado “Jovens Falcões”, que conta a história de vários jovens inquietos e dispostos a mudar o mundo com seus projetos.

Em três meses, mais de 5 mil exemplares do livro foram vendidos e o dinheiro foi usado para para fundar a ONG Gerando Falcões. Nasceu ali um empreendedor social, focado na criação de uma solução para um dos maiores problemas do país, que é a desigualdade social.

“Eu acho que é muito importante nós conseguirmos descobrir este nosso espírito empreendedor em algum momento da vida, porque o empreendedor independente se tem um CNPJ ou não, mas é a pessoa que cria soluções, que inova, que corre atrás, que salta os obstáculos, que tenta construir soluções onde só existem problemas e improbabilidades”.

Apesar do termo empreendedorismo está comumente associado aos negócios, ele não se limita a uma empresa, tem muito mais a ver com a mentalidade inovadora e resolutiva. O empreendedorismo social, por exemplo, consiste no desenvolvimento de soluções para problemas sociais e geração de impacto positivo na vida das pessoas.

A Gerando Falcões, por exemplo, tem projetos focados em esporte, cultura e qualificação profissional para moradores de favelas, acolhendo também egressos do sistema penitenciário. O negócio que antes era regional, contemplando apenas São Paulo, hoje está presente em vários estados graças a sua rede de indivíduos transformadores.

 

Tecnologias à favor da mudança

As novas tecnologias de comunicação e informação, desde redes sociais até softwares, também são utilizadas ativamente como ferramentas de transformação social. Isso porque, o ambiente digital permite criar um ecossistema que conecta pessoas de diferentes locais.

“Nosso laboratório de tecnologias sociais nas favelas é o espaço que estamos tentando moldar o amanhã, reimaginar o futuro, construir novas tecnologias sociais. Neste laboratório, a gente testa inteligência artificial, dados, novas ferramentas de escala. E isso tudo feito por um time da favela, com pessoas que vieram do centro e se conectaram a nós, e nos ajudam a tentar mudar o futuro e o destino das coisas”, explica Edu Lyra.

Para combater a desigualdade educacional causada pela pandemia, a Gerando Falcões desenvolveu o projeto “Corona no Paredão – Doe um futuro”. Com ajuda de doadores, a ONG disponibiliza para os estudantes afetados pela pandemia um combo de ensino que inclui um pacote de dados e acesso a um aplicativo com reforço escolar, preparação para o ENEM e aulas nas áreas de formação emocional, cultural e empreendedorismo.

Assim como os empreendedores sociais, mantenedores, professores e até mesmo a família podem promover grandes mudanças. Nas escolas, por exemplo, isso pode ser feito através do desenvolvimento de habilidades socioemocionais, como empatia, cooperação e participação social.

 

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