Como preparar a equipe pedagógica e conquistar um ano letivo produtivo
Inovação e Gestão

Como preparar a equipe pedagógica e conquistar um ano letivo produtivo

10 min de leitura

“Sempre temos que ter um norte. Temos que saber onde queremos chegar e isso implica em organização, que a gente pense e trace estratégias para ter tranquilidade”. Esse é o conselho de Denise Ferreira, pedagoga, produtora de conteúdos e autora do blog Papo da professora Denise, para os gestores que estão iniciando mais um ano letivo atípico.

Neste momento de pandemia e incertezas, essas lideranças têm uma missão especial: educar a si mesmos, atender aos alunos, atender os professores e a sua equipe. Mas sabendo que conciliar essas necessidades, de fato, é um desafio, Denise lista algumas ações que podem ajudar nessa trajetória:

  1. Trabalhar a segurança e acolhimento em toda comunidade escolar;
  2. Desenvolver um planejamento colaborativo, envolvendo a equipe; 
  3. Orientar sobre modelos de aula que integram atividades presenciais e online; 
  4. Mapear as dificuldades dos alunos com diagnósticos de aprendizagem;
  5. Estimular boas práticas entre os professores.

Entenda abaixo a importância de cada uma dessas ações e como levá-las para sua escola. 

Segurança e acolhimento

Em outras oportunidades, já falamos aqui no blog do Escolas Exponenciais sobre a importância do acolhimento socioemocional para a volta às aulas. Essa é uma necessidade latente visto que o isolamento social não só limitou o contato pessoal, como também trouxe à tona questões emocionais delicadas, como o luto, o medo e a ansiedade.

Diante desse contexto, Denise afirma que é imprescindível abrir espaços para dar voz à comunidade escolar. É preciso discutir sobre as mudanças e perdas que esse período trouxe e continua trazendo para cada um; praticar a escuta ativa, no sentido de fazer menos perguntas e ouvir mais, e exercer empatia para compreender as dificuldades do grupo.

Assim, trabalhar segurança e acolhimento, implica em transformar a sala de aula em um ambiente estimulante e motivador. “Já temos provas de que ninguém vai ficar para trás, não vai ter problema, mas é a questão emocional que vai ter problema, porque a questão emocional precisa ser trabalhada agora”, ressalta a pedagoga.

Hora de colocar em prática

A atividade proposta por Denise, a dinâmica da Âncora dos Sentimentos, pode ser feita com os membros da equipe escolas ou replicada em sala de aula com os alunos. Basicamente, o seu objetivo é ajudar o grupo a buscar motivos externos para conseguir encontrar sua motivação interna através de “âncoras”. 

Veja abaixo como realizar:

  • Escolha uma música animada ou motivadora. Ela deve ser tocada durante a dinâmica para energizar os participantes;
  • Levante com o grupo o estado emocional que desejam ancorar: coragem, motivação, calma, determinação, tranquilidade, etc.;
  • Depois que cada um escreve em um ou mais papéis, as mensagens devem ser colocadas dentro de um pote de vidro transparente que ficará disponível em um ponto da sala dos professores ou qualquer outro local estratégico escolhido; 
  • Essas âncoras são para serem lidas em momentos de crise. Quando alguém do grupo estiver desanimado, vai até o pote e lê algumas mensagens para se sentir motivado e reunir novas forças para não desistir.

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Reflexões sobre a educação em tempos de incertezas e impermanências

Planejamento colaborativo

Pegando o gancho da dinâmica, a troca de experiências e ideias entre o gestor e os membros da sua equipe permite que os desafios sejam enfrentados em conjunto. A mesma lógica se aplica ao planejamento; executá-lo em grupo e atribuir responsabilidades faz com que peso não se concentre em uma pessoa só. 

“Piaget já falava muito sobre essa questão do trabalho em grupo. Esse é um processo dinâmico e participativo, demonstra para a equipe que você, gestor, possui profundos conhecimentos de coordenação do grupo, bem como princípios e técnicas de administração escolar”, afirma Denise.

É importante destacar que apesar da adoção emergencial do ensino remoto, o planejamento precisa ser sólido e alinhado ao Projeto Político-Pedagógico (PPP) da escola. Dessa forma, ao planejar a questão sala de aula invertida, por exemplo, é necessário fazer uma revisão com a ajuda do grupo.

Denise sugere dividir uma parte para cada equipe: “Vamos sentar aqui e ver o que está acontecendo, o que dá para mudar. […] organizar o tempo, planejar de acordo com as necessidades individuais, em um ambiente de cooperação e com o uso de estratégias para unir tecnologia e educação”.

Hora de colocar em prática!

A organização é o ponto chave para começar um ano letivo produtivo. O checklist é, justamente, uma ferramenta que permite organizar processos ou tarefas. Denise explica como montar um:

  • Defina a tarefa que vai ser verificada. Por exemplo, “o planejamento do ano com os conteúdos mínimos”; 
  • Anote as etapas dessa tarefa. Seguindo o tarefa do exemplo, você pode listar:
    • Comunicar a coordenação que os professores precisam criar uma lista com conteúdos mínimos;
    • Marcar uma data para uma reunião para explicar para os professores essas questões da organização e do planejamento;
    • Combinar uma data com os professores e a coordenação sobre quando essas listas com conteúdo mínimo de cada série serão entregues;
  • Por fim, escolher uma data para olhar tudo o que foi coletado.
  • Conforme as etapas forem cumpridas, vá riscando da lista.

Orientação sobre os modelos de aulas

Como se preparar para dar aula híbrida? Esse ensino híbrido é fácil de fazer? O que é e não é ensino híbrido? Apesar desse modelo estar sendo utilizado desde o ano passado, a equipe precisa pesquisar e entender o que realmente é o ensino híbrido e como utilizar as ferramentas de tecnologia educacional para aumentar o engajamento dos alunos.

“Esse apoio da tecnologia pode e deve permanecer como herança da quarentena, ela pode ser usada para reforçar, para complementar as aprendizagens em casa, ou para inovar na forma que os seus professores dão aula, fortaleça isso na sua equipe, incentive o uso da tecnologia em alguns momentos”.

Outra dica da pedagoga é aproveitar o conhecimento de tecnologia dos alunos a favor da educação. Se antes os celulares eram vistos como vilões, hoje eles são aliados. Os alunos podem, por exemplo, responder a perguntas em tempo real, realizar buscas em sites e completar os estudos com a ajuda da tecnologia. Tudo isso, claro, apoiado em regras para utilizar essa ferramenta em sala.

Hora de colocar em prática

Algumas atividades são possíveis de serem trabalhadas na aula online, adaptadas para o presencial e o online ou, ainda, com uso simultâneo de tecnologia na aula presencial. O mapa mental é uma dessas atividades e ajuda na memorização de conteúdos.

Confira abaixo alguns sites que permitem montar um mapa mental online:

Boas práticas entre professores

Um planejamento colaborativo também é uma forma de estimular boas práticas entre os professores. “Quando a gente propõe uma atividade para a criança, ela vai além do que a gente pensou, não é? É a mesma coisa com a equipe, você pode se surpreender com as coisas fantásticas que eles podem trazer para você”, exemplifica Denise.

Outro ponto a ser destacado é a formação continuada dos professores, que é de extrema importância para o corpo docente, sem exceção. Esse processo contínuo de aperfeiçoamento favorece a criação de novos ambientes de aprendizagem e dá um novo significado para às práticas pedagógicas.

A capacitação pode ser uma iniciativa da Secretaria da Educação ou da própria escola. Para esse último caso, não existe um modelo padrão, cabe ao gestor fazer um planejamento para esta ação, levando em consideração as principais dificuldades dos docentes e as exigências do momento (Ex. uso de tecnologias).

“A verdade é que não existe fórmula mágica, mas quando a equipe sente o apoio do gestor, o ambiente socioafetivo da escola está equilibrado, com certeza a equipe vai ficar mais motivada […] Então, que essas formações sejam muito bem pensadas, sempre focando nisso, que tenha coerência e, o mais importante, continuidade, não adianta nada você começar um projeto de formação e parar no meio”.

Hora de colocar em prática!

As incertezas e os desafios impostos pela pandemia à educação foram muito bem administrados pelos professores e coordenação. Que tal fazer uma autoavaliação sobre o trabalho executado? 

Denise propõe uma dinâmica bem simples para avaliar as ações executadas durante o ensino híbrido:

  1. Separe folhas de papel e canetas, caso deseje fazer a dinâmica presencialmente. Se for online, peça que os participantes separem seus próprios materiais;
  2. Peça que peguem uma folha e tracem duas colunas, onde escreverão: 
    1. Coluna 1 – No que já sou bom;
    2. Coluna 2 – O que não sei/estou inseguro.
  3. Como é uma autoavaliação, não é necessário que os participantes mostrem o que escreveram. O objetivo é que percebam seu potencial.

Diagnósticos de aprendizagem 

Com a adoção do ensino remoto emergencial, as formas de avaliação também precisaram ser adequadas ao momento. Muitos gestores já sabem disso,  mas somente para reforçar, a avaliação diagnóstica é uma ferramenta essencial para a retomada das aulas em 2021, pois permite mapear os pontos fortes e as dificuldades da turma, individual ou coletivamente.

Como eu posso testar os conhecimentos para saber? O que o aluno tem que saber até o final do ano? O que um aluno de segundo ano tem que saber? Refletir sobre essas questões é o primeiro passo para desenvolver a avaliação diagnóstica da sua escola.

Denise, novamente, reforça sobre a importância dessa ferramenta e os cuidados que devem ser tomados para sua elaboração.”Oriente os professores a não ficarem presos em coisas que já estão prontas, por isso a importância do planejamento, tem que planejar para você entender o que precisa saber, o que precisa mapear”.

“A avaliação deve ser um processo constante, queria reforçar isso também, e fazer apenas um dia de avaliação, ou uma única atividade avaliativa, isso não é suficiente para compreender quais as dificuldades reais do seu aluno”, completa.

Quanto aos tipos de avaliações, Denise elenca algumas opções: relatos orais, situações-problema, produção escrita ou autoavaliação, e o que avaliar: pensamento lógico-matemático, leitura e escrita e desenho (figura humana). A periodicidade pode ser trimestral, sendo uma avaliação no começo, outra no meio e uma ao fim do ano letivo.

Após a aplicação das avaliações, o segundo passo é a análise para, então, ter um diagnóstico. Para essa etapa também há algumas recomendações, por exemplo, refletir junto com a equipe sobre as avaliações passadas e quais geraram bons resultados. 

Hora de colocar em prática!

Recapitulando, a avaliação diagnóstica é o momento de reunir todas as observações feitas no ano anterior. O professor do ano passado, na medida do possível, deve transmitir para o professor da sala atual, o mesmo vale para a coordenação. 

Veja como fazer isso na prática:

  • Revisitem o planejamento inicial do ano pensando no que deve ser incluído para elaborar a avaliação diagnóstica;
  • Estabeleçam prioridades, pensando no que tem significado para o aluno e que faz diferença na sua aprendizagem;

Pensem com cuidado como elaborar as avaliações escritas e em quais perguntas fazer, mas se limitem somente a elas, levem também em consideração as observações feitas pelos alunos no dia a dia.

Assista à palestra completa:

Como preparar a equipe pedagógica e conquistar um ano letivo produtivo

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