6 min de leitura

Imagine-se em 1990 e uma criança pergunta a você como o homem fez para chegar à lua. Nessa situação você provavelmente diria que foi através de um foguete que foi projetado para ir até o espaço, e o assunto se encerraria aí. 

Agora imagine a mesma cena, agora, em 2020. Talvez você dê a mesma resposta, mas irá pegar o seu celular e mostrar para a criança um lançamento de foguete no YouTube, ou procurar uma matéria que explique de forma mais precisa como uma espaçonave funciona.

Nas duas situações a criança recebeu a mesma informação, mas não dá para negar que, através do uso da tecnologia disponível atualmente, a criança pode aprender de uma maneira muito mais empolgante e com maiores chances de absorção, do que apenas ouvir sobre o assunto.

Este é um exemplo simples, mas que ilustra bem o uso da tecnologia de maneira positiva para ajudar no aprendizado das crianças.

Grande parte dos educadores já entende as vantagens e está cada vez mais alinhado com as possibilidades oferecidas pela integração entre educação e tecnologia. No entanto, ainda existem desafios que impedem muitas escolas de colocá-la em prática na sua forma de ensinar.

 

Conflito de gerações entre professores e alunos

As crianças aprendem melhor pelo exemplo. E a geração Alfa (nascidos após 2010) vê desde cedo a forte relação dos seus pais com a tecnologia. Durante o dia, por exemplo, as crianças veem seus pais acordarem com o despertador do celular, mandarem mensagens pelo WhatsApp, pesquisarem por informações no Google, se distraírem com vídeos no Youtube, ouvirem músicas pelo Spotify e trabalharem no computador. Logicamente, para essa geração o uso da tecnologia é muito mais natural do que para as gerações anteriores, que precisaram se adaptar à mudanças trazidas por ela. 

No geral, os professores que dão aula para os alunos da geração Alfa cresceram em um outro tipo de ambiente. Para eles, era nos livros e nos mentores que estavam as informações que precisavam. Em uma predisposição comportamental, esses professores tendem a repetir o que viveram em seu próprio processo de aprendizagem. Mas, a tecnologia mudou essa realidade – o que colocou em conflito as gerações: de um lado os alunos, acostumados a usarem as soluções oferecidas pela tecnologia, e do outro, grande parte dos professores, cujo uso da tecnologia na educação ainda não é um processo natural.

 

Confira também: Como usar a tecnologia nas diferentes etapas da educação?

 

O uso positivo da tecnologia na educação

No anseio por parecerem modernas, algumas instituições de ensino simplesmente adicionam o uso de tablets à algumas aulas. Isto pode até ter um impacto imediato na imagem da escola em peças publicitárias, mas está muito longe de ser um uso positivo da tecnologia integrada à educação. Ou seja, se não houver um planejarem correto de como essa tecnologia irá contribuir com o desenvolvimento dos alunos, apenas o recurso ou a ferramenta em si, não tem nenhum valor.

Nathalia Pontes, coordenadora de pesquisa e desenvolvimento educacional na PlayKids, destaca que, assim como qualquer ferramenta, a tecnologia responde ao uso que se faz dela, tendo tanto um potencial destrutivo quanto construtivo. Por isso a tecnologia precisa primeiramente ser vista como um meio, e não como um fim. Ela defende que o primeiro passo para fazer uso positivo da tecnologia é determinar qual será o objetivo do seu uso.

 

Como potencializar o aprendizado com a tecnologia?

Especialistas defendem que que existem duas formas de aprendizado: a passiva e a ativa. Na passiva, o aluno apenas recebe o conteúdo sem se envolver, por exemplo, ao assistir a uma vídeo aula. Na aprendizagem ativa o aluno é motivado a se envolver com o conhecimento que adquire como, por exemplo, ao participar de discussões e atividades que o façam utilizar o conhecimento de forma dinâmica ou prática. Na metodologia ativa, o professor se torna um mediador do aprendizado e o aluno recebe maior motivação para assistir ao conteúdo.

 

Confira recursos de tecnologia em alta, sendo utilizados nas escolas

 

Vamos supor que, em uma turma do segundo ano do Ensino Fundamental, as crianças sejam incentivadas a assistirem um vídeo sobre respeito aos colegas. Em seguida, o professor/mediador organiza uma discussão sobre o assunto, dando espaço e incentivando a participação dos alunos. Nesse modelo, o interesse da criança em ver o vídeo e participar da discussão será muito maior do que apenas participar de uma aula com o mesmo tema. Esse é um bom exemplo de como a tecnologia pode ser usada para cativar a atenção dos alunos.

 

Papel do professor

No entanto, mesmo com o professor assumindo o papel de mediador do conteúdo e as crianças tendo maior familiaridade e facilidade em aprender por meio da tecnologia, o professor segue tendo um papel fundamental para potencializar esse aprendizado. Através de atividades e discussões como a exemplificada acima, o aluno será incentivado a refletir sobre o que aprendeu e a utilizar esse aprendizado para resolver problemas. Assim, o conhecimento aprendido é retida na memória do aluno.

Esse processo é essencial já que, de acordo com o teoria do renomado psiquiatra William Glasser, as pessoas retêm apenas 20% do que ouvem, mas 70% do que discutem com outros.

 

Leia mais sobre o assunto: O papel do professor diante das novas tecnologias no processo educativo

 

Gamificação

Outro bom exemplo do uso positivo da tecnologia integrada à educação para um aprendizado ativo é a gamificação. Isso porque o cérebro humano tende a dar mais atenção ao que é prazeroso para ele se, por exemplo, ao lado dessa tela onde você está lendo essa matéria tivesse uma janela exibindo um episódio da sua série favorita. A verdade é que, dificilmente, você (ou qualquer outra pessoa) terminaria de ler esse texto. 

Mas, o importante aqui é entender que, uma vez que aceitamos que a mente dá mais atenção ao que lhe dá maior satisfação imediata entendemos porque a gamificação pode ser uma ferramenta poderosa do aprendizado.

A gamificação se torna uma aliada da educação ao juntar o prazer que os jovens têm em jogar games com a satisfação de aprender algo novo. Ou seja, esse é outro grande trunfo na hora de motivar os estudantes a participar das aulas.

 

Talvez você também se interesse por:
Competências e habilidades do século XXI para desenvolver na educação

Comentários