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Aproveitando o conhecimento adquirido durante o período de ensino remoto emergencial imposto pela pandemia da covid-19, a Escola Politécnica (Poli) da USP (Universidade de São Paulo) desenvolveu um modelo de sala de aula híbrida, que incorpora as novas ferramentas do ensino remoto às tradicionais salas de aulas presenciais.

“A ideia de criar ambientes de ensino-aprendizagem híbridos foi uma demanda da Reitoria, que solicitou que desenvolvêssemos um modelo de sala de aula imersiva, com equipamentos próprios e infraestrutura adequada, transpondo o que existe de melhor internacionalmente para a realidade de uma universidade pública brasileira, levando em consideração a nossa cultura e os custos envolvidos. Nosso desafio é fazer com que participantes remotos e presenciais tenham uma experiência marcante de aprendizagem e ensino”, explicou o professor do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos da Poli, Antonio Carlos Seabra, coordenador do projeto.

Além da utilização em situações emergenciais, como foi o caso da pandemia, as salas de aula híbridas possibilitam gravar as aulas para que sejam disponibilizadas em plataformas como o e-Aulas e o YouTube, tornando o conteúdo das aulas acessível a estudantes que, por algum motivo, não possam acompanhar presencialmente a exposição, ou para estudantes de outras instituições de ensino interessados no assunto.

Modelo de sala de aula híbrida
O primeiro espaço adaptado com a configuração planejada pelos pesquisadores da Poli foi a sala D103, localizada no Prédio de Engenharia Elétrica.

O item essencial da sala híbrida é o pódio digital, um equipamento que centraliza todo o controle dos dispositivos da sala. Projetado pelas equipes dos Departamentos de Mecânica e de Mecatrônica, o pódio digital reúne computadores, tela de controle dos dispositivos, mesa digitalizadora e um projetor de documentos, que torna possível mostrar documentos e experimentos na tela.

A sala também passou por ajustes de infraestrutura de rede e de iluminação e foi equipada com projetores, câmeras, microfones, mesa digitalizadora e telões interligados com o menor número possível de fios. O valor do investimento foi de aproximadamente R$ 110 mil, considerando que o pódio digital foi projetado e construído na Poli.

“Conseguimos mesclar essas ferramentas tradicionais com o que de melhor a tecnologia oferece: participantes remotos e presenciais se encontram e se comunicam na sala de aula, docentes podem usar giz e lousa, escrever sobre o que está sendo apresentado no telão ou em uma folha de papel e serem acompanhados por quem não está na sala. Podem ainda projetar e manipular objetos que, da mesma forma, podem ser vistos presencial ou remotamente”, explicou Seabra.

O reitor Carlos Gilberto Carlotti Junior, o superintendente de Tecnologia da Informação (STI), João Eduardo Ferreira, e o diretor da Poli, Reinaldo Giudici, visitaram a sala híbrida na tarde de ontem, dia 10 de maio, e puderam testar as novas possibilidades de ensino oferecidas pelo ambiente.

“O objetivo da Reitoria é que esse modelo de sala híbrida possa ser replicado em outras unidades da USP, tornando o ambiente de ensino mais moderno, dinâmico e adequado aos padrões atuais”, afirmou o reitor.

O diretor da Poli, Reinaldo Giudici, agradeceu e destacou o empenho da equipe da escola que trabalhou no desenvolvimento do projeto para que a solução pudesse ser apresentada em um curto espaço de tempo. “O resultado da sala demonstra o conhecimento técnico e acadêmico disponível na Poli e reúne as melhores experiências e práticas desenvolvidas no ensino híbrido”, reconheceu Giudici.

O projeto agora passará por um período de testes, em que professores serão convidados a utilizar a sala híbrida e sugerir melhorias. Nos próximos meses, outras salas híbridas serão implementadas em prédios da Poli e depois o modelo será disponibilizado para que a STI possa replicar o projeto em unidades da USP interessadas em adotá-lo.

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