Como funciona a abordagem construtivista nas escolas?
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Como funciona a abordagem construtivista nas escolas?

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Colocar o aluno no centro de seu próprio desenvolvimento tem sido o principal foco das abordagens trabalhadas pelas escolas que querem fugir do método tradicional de ensino. A concepção construtivista, uma das principais nesse sentido, diz respeito à forma de ensino baseada na obra do psicólogo suíço Jean Piaget, que afirma que o conhecimento é adquirido por meio da interação do indivíduo com o ambiente em que vive. Assim, essa abordagem tem como ponto de partida a construção do conhecimento e, para isso, é preciso que as crianças e os jovens contem com mecanismos e técnicas que os ajudem, antes de tudo, a aprender como aprender. “O construtivismo trabalha com o olhar voltado à aprendizagem da criança. Não é mais o conhecimento do professor e como ele ensina o pilar central, e sim como a criança aprende”, explica Daniela Onisanti, coordenadora da Bosque das Letras (localizada em Jandira, SP)- escola que é pautada por essa abordagem desde a sua fundação, 12 anos atrás.

Daniela conta que os alunos são colocados como protagonistas de suas ações, de forma que a autonomia deles possa ser desenvolvida: “pensamos na formação de um sujeito reflexivo, potente em suas escolhas e na interação com o meio. Partimos do princípio de que a criança é um ser integral, cognitivo, comportamental e emocional, portanto, o nosso olhar está voltado para o respeito a ela, para que ela possa ser quem é”, ressalta.

Pensar o estudante como participante ativo de seu próprio processo de aprendizagem também é uma preocupação da Projeto Vida (em São Paulo) desde o seu início. Mônica Padroni, mantenedora e diretora da educação infantil da escola, diz que a interação e a resposta dos alunos são importantes para direcionar o trabalho dos professores. “Desenvolvemos projetos que, algumas vezes, são propostos pelos educadores, enquanto outros aparecem em função de alguns interesses e caminhos de pesquisa das crianças. Temos, sim, objetivos e expectativas de aprendizagem, mas o caminho é diferente, mais participativo, e que pode ser modificado caso a criança não dê uma resposta satisfatória à forma de ensino; a gente retroalimenta o próprio processo de planejamento o tempo todo”, ressalta.

 

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Outros aspectos da abordagem construtivista

Para incentivar a participação dos alunos, as escolas que trabalham com essa abordagem geralmente contam com salas de aula menores, com número reduzido de pessoas e organização em círculo, para que, assim, os estudantes possam contribuir mais com o grupo. Dessa forma, eles aprendem e, ao mesmo tempo, ensinam, enquanto os professores conseguem acompanhar melhor o desenvolvimento de cada um. Além disso, o incentivo à utilização de outros ambientes é fundamental nessa linha educacional, uma vez que colabora para tornar a experiência mais completa, estimula a criatividade, contribui para a cognição e a percepção de formas e objetos.

É comum também que as avaliações não aconteçam prioritariamente por meio de provas, o que não quer dizer que as escolas construtivistas não possam utilizar os testes como uma forma complementar de acompanhamento. Mas o principal a destacar é que a mensuração de resultados é feita de maneira contínua e individualizada.

Se de um lado os alunos não são mais passivos diante do conhecimento, de outro é essencial que o professor busque estimular e motivar esse aprendizado, fornecendo recursos sem interferir de forma impositiva. “Os nossos educadores são constantemente formados para trabalhar de forma respeitosa, como um mediador entre a criança e a construção do conhecimento. Percebemos que nossa prática é extremamente gratificante quando olhamos para trás e podemos ver como a criança se apropriou dessas vivências na Educação Infantil e as levou para a vida, tornando-se sujeitos emancipados, participativos, com um olhar sensível para o mundo e para o outro”, afirma Daniela.

É muito importante também que a família esteja alinhada à proposta escolar e estimule, em casa, a aprendizagem da criança. Mônica explica que a Projeto Vida entende que a responsabilidade é compartilhada e que, portanto, os familiares precisam estar próximos e ser participantes na escola. “Essa parceria é fundamental. Enviamos pesquisas regularmente e, neste ano, por exemplo, conversamos com alguns responsáveis para entender como o ensino remoto estava sendo recebido. Fizemos modificações a partir disso e chegamos a montar uma comissão de pais para participar das discussões. Consultar os familiares em determinados pontos do nosso processo é fundamental”, conta. 

 

Tecnologia é uma forte aliada

Para incentivar a busca e a construção do conhecimento, é essencial estimular os alunos a pesquisarem, experimentarem e testarem saídas para determinadas situações. Nesse sentido, as tecnologias podem contribuir muito para esse desenvolvimento, já que são capazes de proporcionar um ambiente virtual de aprendizagem. Diversos aplicativos e softwares podem ajudar os estudantes a interagir, permitindo, dessa forma, a troca de conhecimentos. Por isso, é essencial estimular que eles lidem desde cedo com esses recursos, que fazem parte do cotidiano de diversas pessoas.

 

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