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A expressão “ensino híbrido” está em voga atualmente no mundo da educação, sobretudo por apresentar uma alternativa viável para uma possível volta às aulas presenciais. Afinal, alternar aulas presenciais com aulas on-line é uma maneira de reduzir o número de alunos nas salas de aulas e, assim, diminuir também o risco de contaminação. 

Em painel durante um dos maiores eventos de inovação escolar realizados no Brasil, o Conecta EX Live, organizado pelo Escolas Exponenciais, Bruno Ferrari, diretor de produto do Nave à Vela, e Rodrigo Campos, co-fundador e CEO da plataforma Explica Mais fizeram uma pergunta muito provocadora: 

Será que não é hora de aproveitar o momento e ir além? Não será este o momento de realizar uma mudança estrutural na forma de ensinar e de aprender? 

Para ambos, a melhor forma das escolas saírem fortalecidas deste momento é, justamente, usá-lo para promover uma alavancagem histórica na educação, olhando sob o ponto de vista de que os alunos de hoje são híbridos na hora de assimilar qualquer conteúdo. Mas, como funciona isso na prática?  Vamos refletir?

 

Saiba o que é o Ensino híbrido e como usá-lo na volta às aulas presenciais

 

Voz e protagonismo aos alunos

“Será que precisamos voltar com o mesmo número de aulas e a mesma carga horária em sala de aula? Será que eu não posso deixar o aluno aprender o essencial remotamente, no tempo dele, no horário que for melhor para ele, o professor ir acompanhando isso por meio de uma plataforma e aproveitar o contato presencial para elevar o nível de pensamento desse aluno?”, questiona Rodrigo Campos.

Para ele, os alunos de hoje sabem onde buscar informações, têm seu próprio repertório, vivência, autonomia e protagonismo.

“O professor não é mais o dono do saber, do conhecimento, o aluno tem como buscar informação fora da sala de aula com dois, três cliques no celular e de várias outras maneiras. Mas a capacidade cognitiva dele esbarra em limitações para fazer boas reflexões. Aí entra o professor, para elevar o nível de pensamento do aluno, para fazer boas perguntas, provocar e, claro, orientar para que o aluno saiba buscar conhecimento.” 

Rodrigo chama atenção para o fato de que o ensino híbrido não é somente aplicar tecnologia na educação: “ensino híbrido é flexibilizar a educação. Não basta colocar um aluno em frente à tela de um computador o dia todo em um meeting. Eu não acredito que isso tenha uma eficiência incrível. O aluno tem que aproveitar os conteúdos no tempo dele”.

Para o CEO do Explica Mais, o professor precisa fazer com que o aluno queira encontrá-lo, para aprofundar seu conhecimento, e isso ele consegue tendo cada vez mais um olhar individualizado, respeitando as características de cada criança ou jovem.

“Quando o aluno chega na instituição e o professor não dá voz a ele, ele fica padronizado e se desestimula muito rapidamente.”

Segundo Rodrigo, esse é um momento de quebra de paradigmas e de mudanças e os gestores e professores devem aproveitar para arriscar e inovar no ensino, usando metodologias ativas para dar verdadeiro protagonismo aos alunos.

“O ensino híbrido já é uma realidade, que vem se consolidando desde 2013, 2014. Veja se não dá para usá-lo de forma melhor neste momento. Vamos inverter a sala de aula, fazer com que o aluno seja o co-criador do seu aprendizado. Vamos arriscar mais, repensar as atividades e também a maneira de avaliar.”

Um dos pontos fundamentais para Rodrigo é que os professores não repitam presencialmente tudo o que já foi visto virtualmente.

“O aprendizado tem que transcender o conteúdo de livros, de apostilas. A escola vai muito além de material, só cumprir o material é muito pouco para formar um cidadão construtivo e crítico. Seja pioneiro, seja a primeira a implantar novidades, mas faça isso alinhado com as famílias e com os alunos. O grande termômetro da escola é o aluno. Deixe-o falar e isso vai repercutir de forma positiva.”

 

Ensino híbrido para uma geração híbrida 

“O ensino híbrido possibilita tamanho avanço e quebra na realidade da dinâmica na sala de aula que é visto como um catalizador de processos de transformação educacionais dentro das escolas.”

Quem diz isso é Bruno Ferrari, biólogo, educador e diretor de produtos no Nave à Vela, que começou a desenhar metodologias ativas em 2013. Ele lembra que, desde o início, as escolas com as quais trabalhou que concordaram em arriscar em metodologias ativas tiveram grandes ganhos. No entanto, ele chama atenção para uma nova fase na história do ensino híbrido.

“Até antes da pandemia, o ensino híbrido era um ótimo diferencial. Mas, de um diferencial optativo, isso passou para uma questão de sobrevivência em 2020. Na sexta-feira a escola era tradicional e na segunda-feira era on-line. Não houve muita opção.”

Para ele, se o mercado educacional vive um momento em que é inevitável pensar em meios digitais, talvez seja a hora de aprofundar isso e pensar o que realmente significa ser híbrido.

 

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Uma geração híbrida

“Não basta acrescentar uma camada digital ao que a gente já faz analogicamente; precisamos ir além e buscar a união da essência do analógico com o digital.”

Bruno lembra que os alunos hoje, nascidos depois de 1990, são nativos digitais, crianças e jovens que têm aparelhos como smartphones quase como extensões de seus corpos. 

“Nós temos uma geração híbrida. Existe um termo chamado “cibridismo”, que é o estudo dos efeitos da tecnologia sobre nós. Um desses estudos mostra que a gente terceirizou parte do nosso cérebro para o Google. O fato de não precisarmos memorizar tantos dados permitiu que o nosso cérebro desenvolvesse novas capacidades. A tecnologia já mudou a nossa formação fisiológica, e por isso essas últimas gerações, Alfa e Z, já são híbridas.”  

Diante disso, Bruno se questiona se somente uma metodologia híbrida será suficiente para alunos de vida híbrida, se o digital está presente em todas as camadas da vida desses jovens. 

 

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“É preciso ir além, ao pensar a influência do digital dentro da escola. Pensar como seriam as escolas caso o currículo tivesse por essência trabalhar o digital para pessoas híbridas? Não mudar uma camada, mas ser híbrido em essência e não só como um recurso.”

Ele conta que, antes mesmo da pandemia, já existiam escolas nos Estados Unidos, por exemplo, em que os alunos não tinham aulas presenciais todos os dias. Elas fazem parte da associação americana Digital Learning Collaborative. “Alguns dias o foco é no consumo de conteúdo via processos digitais e outros dias são para discussões coletivas e presenciais.”

Bruno destaca a existência de metodologias que garantem o aprendizado mesmo sem a parte presencial.

“O Youtube, por exemplo, tem ensinado a gente a fazer muitas coisas, ou melhor, tem nos feito aprender muitas coisas. A rotina de buscar respostas no Youtube já faz parte dessas crianças digitais.”

O diretor de produto do Nave à Vela conta que atualmente trabalha com 250 escolas que estão aplicando metodologias ativas, para que os alunos façam projetos em suas casas, com materiais simples que têm à disposição. Ele aproveita para lembrar a origem do movimento maker. “O movimento maker não surgiu em uma escola, nem um laboratório super equipado, nasceu nas garagens, na garagem do Steve Jobs, … então a gente se dá conta de o quanto dá para ser maker em casa.” 

E completa:

“O ser humano gosta de aprender, nós somos viciados nisso, então não dá para negar uma aprendizagem melhor. É inevitável ir além e se você não for, vai vir uma pandemia para te levar.”

O Explica Mais é uma plataforma com mais de 3.000 videoaulas e 22.000 exercícios, criada em 2014 por um grupo de professores que buscavam revolucionar a forma com a qual os alunos interagiam com os estudos.

O Nave à Vela é uma empresa que leva a cultura maker às escolas, com o objetivo de dinamizar o estudo a partir da implementação de laboratórios em salas de aula, tornando o processo de aprendizado mais interessante para os alunos com perfil do século XXI.

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